10 de agosto de 2012
17 de julho de 2012
2 de maio de 2012
Metade de uma paixão
Vai, Camila! Vai se apaixonar na vida!
Foi o que me disse os mesmo anjos tortos que fez do seu Drummond o homem gauche que a gente já conhece da poesia.
E eu, da linha direta de Xangô reconheço que ordem vinda do cartório do céu a gente assina e amém! Até porque sofrer por amor é coisa pra quem tem muito gosto pra se perder em um único amor. E, claro, para quem não tem os olhos atentos e um sorriso pronto para se despertar.
Vai, Camila! Vai se apaixonar na vida!
Sim, me apaixono e desapaixono na velocidade da bateria de um iPhone. Até Steve Jobs entra na dança, enquanto eu me esforço para não deixar descarregar a bateria do amor e do iPhone também.
Minha mãe fala, isso é sassaricagem!
É não, mãe. Aliás, é também. Mas é com muita paixão. E boto fé em qualquer começo de relação, vou fundo, mergulho no oceano de incerteza e ainda que por rápidos meses, me encharco de felicidade. Mando bilhetinho, faço surpresa, escrevo carta, posto no blog, faço rir e até me arrisco na cozinha, se muito necessário.
Aí me perguntam: mas e depois? E quando acaba, mergulha no sofrimento também?
Sim, também! É justo sofrer um tiquinho por amor, seria desumano se não. Mas coisinha de duas semanas. Isso falando de sofrimento mesmo, aquele que você chora e não para de pensar. Duas semanas e chega. Três a quatro se encontrar todo dia. Mas evite.
E é por gostar tanto do sentimento do começo que eu não canso em admirar uma boa ideia, um bonito sorriso, um olhar seguro e mãos masculinas bem desenhadas, do jeito que gosto.
Mas também sou capaz de me apaixonar pela metade de uma pessoa. Foi assim, neste último feriado. Com abertura da exposição "É o que não pode ser que não é", da Barbara Gomes, uma fotógrafa que é uma fofa além de muito talentosa. Ela faz a brincadeira de colagens de revista + Instagram. Na hora e super original. Acordei pensando que deveria ir, não consegui. Ela registou o que os meus olhos teriam se encantado, sem sombra de dúvida e como aconteceu, pela foto.
Admirei sua metade querendo completá-lo com a outra. Sussurraria no seu ouvido como a modelo na revista. Consigo imaginar suas mãos pelo quase sorriso e olhar que fala. Mãos grandes, unhas e dedos largos. É músico, jornalista, professor, publicitário, engenheiro? Prefiro que não seja nenhuma dessas. Adoraria experimentar o que ainda não tive. Solteiro, casado, canalha, romântico? Não sendo casado, já valeria a aventura.
Não sei o que você faz, não sei o seu nome, não sei um terço de você, mas gostei da metade que vi.
E se apaixonar não for isso, imaginar, desejar, querer o que um dia foi impossível, então qual é a graça?
Vim, Camila!Vim sassariqueira e vim pra me apaixonar! Feito meu poetinha Vinicius, que aniversaria no mesmo 19 de outubro que eu, e se vivo, este ano faria 100 anos. Vem festa por aí!
Agora, se você, leitor de bons olhos, conhecer essa metade diga a ele que eu o procuro!
E se quiser conhecer mais o trabalho da Barbara Gomes, que apresentou a exposição "É o que não pode ser que não é", na Urban Art e fez esse clique, dá um pulo no blog dela
16 de abril de 2012
Caixa de entrada
17 de março de 2012
Nota.
9 de fevereiro de 2012
Game over
A clássica frase de fim de jogo: game over. Com trilha de recomeço e hora de deixar o controle de lado, porque jogar cansa e perder também. Foi assim na infância, joguei muito videogame com meu irmão. Peguei o final do sucesso do Atari e o auge do Sonic, Mario Brós e Nintendo 64, a incrível década de 90. Mas nunca tive muito talento para os jogos, conseguia até a segunda ou terceira fase, me faltava paciência e dedicação para atravessar as fases, sempre precisei da ajuda do irmão mais velho que apesar da dificuldade, não hesitava na dedicação de horas e nas diversas tentativas que o fez concluir e ganhar parte dos jogos que tínhamos.
O mais difícil foi Sonic, ainda lembro, e também o mais emocionante. Foi uma tarde inteira e começo de noite tentando vencer o Dr. Robotnik, que tentava conquistar o mundo transformando os animais em robôs. Enquanto meu irmão passava bravamente cada fase, eu e meus primos ficávamos ao lado torcendo, vivendo aquele jogo e esperando a vitória. Quando se perdia uma das vidas do personagem do jogo ficávamos tensos, com medo que a vida do Sonic acabasse e o jogo também, claro. Era o medo de perder toda a tarde por um erro ou uma falha qualquer.
Hoje, longe dos vídeo games e bem mais perto da vida real, notei que a vida é um jogo de videogame. Temos níveis e fases a avançar. É preciso muita persistência para passar cada fase, e enquanto não estamos preparados de fato para vencer o obstáculo, voltamos, recomeçamos, iniciamos, tudo de novo, como um ciclo, um ano letivo ou o vira-lata que corre atrás do rabo pra matar a pulga.
Até que sejamos auspiciosos suficientes para notar a falha e superá-la, erramos, e eu fujo do ditado e regra de que persistir no erro seja burrice, tampouco perda de tempo. O erro, ainda que repetido, nunca será como o primeiro, as lições e as esquivas futuras serão diferentes. Nem todo mundo aprende de primeira, e nem todo erro ensina por definitivo. Cada erro tem seu tempo de aprendizado e sua consequência, claro. Superar uma falha tem mais a ver com persistência do que com tempo. Recomeçar um jogo é ter vontade de vencer, persistir na vida, também.
A cada game over que a vida oferece é uma oportunidade de se tornar melhor, como meu irmão, que depois de ver muito game over na tela, venceu! Aliás, vencemos. Meus primos e eu comemoramos com uma alegria de gritar e vibrar como quando o time vence o campeonato. E até para se vencer um jogo de videogame é preciso torcida e apoio.
Game over é o nosso teste de paciência e persistência.
1 de novembro de 2011
Relação - parte III
Nem tarde, nem noite, enquanto Ele prepara um lanche Ela está sentada na mesa de jantar folheando o Guia da Semana.
- Se eu morresse amanhã o que é que você diria pra mim?
Ele, entre a pia e o fogão, olhou para trás com a expressão de quem desconfia da pergunta e não dá importância e continua cortando o tomate. Ela insiste.
- Hein, o que você me diria caso eu morresse amanhã?
Ele respirou fundo, como quem não quer conversar e responder. Não gostava de ser pressionado.
- Nada, não diria nada, estaria morta, falar com mortos não é meu forte.
- Você entendeu o que eu quis dizer...
- Entendi, mas acho uma besteira isso. Você não vai morrer.
- Como sabe que não?
- Porque você está aqui e eu estou cuidando de você.
Ela sorriu, mas era insatisfeita. Numa meninice quase sem vergonha, se levantou, chegou ao pé da orelha dele e disse.
- Eu não vou morrer, mas, e se eu for embora?
- Não terei mais pra quem cozinhar.
- E você não diria nada?
- Pra você ficar?
- É.
- Hmm, acho que perguntaria porque estaria indo, mas nunca te impediria de ir.
Ela não replicou de imediato, deixou o silencio fazer efeito, refletiu e não hesitou em dizer.
- Se você morresse amanhã eu diria que você foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos dias, a melhor companhia dos últimos meses e a minha saudade pra sempre.
Ele olhou bem nos olhos dela e ficou quieto, e ela continuou,
- Se um dia eu me chamar saudade...
Ele interrompeu a fala para beijar como quem mata a saudade e encontra a paixão. Ele não deixaria Ela se chamar saudade, e também não a deixaria ir enquanto fosse o seu motivo em vida, mesmo sem dizer.
Diálogo inspirado na música "Quando eu me chamar Saudade", de Nelson Cavaquinho, que completaria 100 anos de vida, no último sábado, 29 de outubro.
Leia outras da série Relação, parte I e II
18 de outubro de 2011
O medo de te escrever
25 de julho de 2011
Tempo de Mulher

8 de julho de 2011
Para ir embora de vez

Provoque a raiva, sua e da pessoa amada. Se exalte, xingue, prove com palavrões que tudo se tornou insuportável. Não diga que o problema é seu e apesar de tudo gosta do amado que acaba de deixar em pedaços. Não diga que está partindo porque infelizmente não dá mais. Não. Diga com toda força que o problema era ela, toda formosa, toda louca, toda ciumenta, toda carente, toda sincera, sempre linda. Ou ele, todo insensível, todo estúpido, todo carinhoso, todo charmoso, sempre sedutor. O amor é contraditório. Diga que o problema não é seu, que infeliz continuará caso leve a história adiante. Gere a fúria. É lindo um casal derramando a história juntos, pra chorarem separados por tudo o que foi e não será, quando realmente não dá mais.
Triste é o fim em silêncio. Um dizer sem escândalo que vai embora e o outro concordar sem pestanejar. Isso não é ir embora de vez, isso é nunca ter ficado. Falta amor no fim de um relacionamento que termina em silêncio.
É tanta coragem quando se inicia, os começos exigem de nós uma valentia de suportar o inesperado e o imprevisto de peito aberto. E a gente sempre topa. Usa a coragem como o tênis preferido, até desgastá-lo e acabar com ele. A gente caminha com a coragem sem os pés no chão e se apoia na esperança de que tudo dê certo.
Um dia, pra começar, você já teve que ir embora. Vá de novo e vá definitivo. Mesmo com a certeza que pra sempre é sempre muito tempo. Mas não gaste toda a coragem no princípio, renove-se dela, alterne os sentimentos com ela. Não a consuma de uma única vez, conserve pra ela aparecer depois e vá embora de vez!
Quando todos os defeitos estiverem à frente, tenha coragem para dizer e raiva para permanecer na decisão. A raiva, ainda que provocada, alimenta a teimosia e a certeza nos argumentos. Irrite o outro, se irrite, mas não viva sem avançar. Não seja covarde, não sinta dó, não permaneça insatisfeito com o sentimento que escolheu.
Quando não enxergar mais o lado bom, enfrente o novo desejo e assuma a escolha, mesmo com dor, mesmo sendo o amor da sua vida. Todo amor é sempre o amor da vida. Ir embora não é esquecer, partir na hora certa é guardar o melhor do romance. Vá, mas faça barulho. Só se vai embora de vez com portas batendo e o eco ficando. Uma forma de provar que a história valeu a pena, que o amor existiu. Mas a vida continua.
12 de junho de 2011
O que é o amor?
O que é Amar, de Johnny Alf, por ele e Sandra de Sá.
8 de junho de 2011
Sala de estar


