D'propósito

14 de agosto de 2009

Inconfesso desejo

Não compreendo a fundo a filosofia, mas no raso eu até me arrisco. Gosto da resposta pronta que algum filósofo fez o favor de pensar e responder pra mim, que penso, penso e não sou filósofa.
E nessa presunção de-quase-entendo é que descubro entre possibilidades e verdades nas teorias de Freud e Schopenhauer, a razão e a vontade originada em mim, nos meus personagens, nos meus anseios mal resolvidos e da consciência limitada, claro. Mas isso não vai virar papo de filósofo, a introdução é só pra esclarecer uma coisa clara: os (meus) sonhos.

Naturalmente alguns sonhos não têm lógica nenhuma, e exige um estudo além do que tenho vontade de pensar/estudar agora. Mas quero falar do quase devaneio que rondam repetidas noites de sono.

É praticamente um desabafo, nada como Sophie Calle, mas de alguém, como uma apaixonada, que luta pra ter o mínimo de orgulho e se automedica de vergonha na cara e amor-próprio pra não ter qualquer tipo de recaída, a não ser que você caia primeiro. Caia na minha armação de não estar nem aí pro seu silêncio, caia sobre o meu sumiço, ou finalmente caia sobre mim. Por que esse meu papel de “eu nunca te amei, idiota” como cantou Ana Carolina em mais uma de suas canções populares, não serve pra eu cantar no meu karaokê, nem no chuveiro. E o fato de eu te ver e não poder falar com você é sempre um soco no estomago que sobe até jugular (eu esperei anos pra poder usar essa palavra, que aprendi quando criança vendo rei leão) e fica guardada a vontade de pelo menos dar aquele abraço demorado de quase-amigos ou o seu sorriso zombando de qualquer atitude ridícula minha.


E é por isso, por guardar tanta vontade que sonho repetidas noites com você e ao abrir os olhos e levantar para o dia a primeira coisa que me vem a cabeça é você, porque mesmo sem querer eu passei a noite toda com a sua imagem e presença que são tantas. E se eu faço força e não entendo a minha resistência, ou a sua, Freud explica o sonho enquanto matéria-prima e produção humana do cérebro como nada mais do que a atividade do nosso inconsciente. Ou seja, sonhar com você é a forma do meu inconsciente satisfazer sua ausência, que você quando perto, bem perto de mim, revelava a mim a vontade da vida humana de oscilar entre a ânsia de ter e o tédio de possuir, como Schopenhauer explica em teorias bem mais extensas.
E no meu (in)confesso desejo eu despejo palavras e no meu inconsciente eu realizo vontades. Se é que se pode chamar de realização. E me esforço pra por em prática a hábil lição de que calar é estratégico, já que escrevendo é um alivio inevitável.

E é assim, quando te quero não consigo ter, quando não quero, não consigo esquecer.

4 comentários:

Carol disse...

Perfeito! A última frase então...

Gaby disse...

Adorei.

Rafael disse...

Mas que banheiro era aquelo do sonho???

E aquela moça gorda???????

ahahahaha

Fe.ex.lline disse...

me apaixonei por esse.