18 de novembro de 2009

Aviso aos Navegantes !

Os D'propositados que acompanham o blog sabem que sou uma (quase) jornalista de brincadeira. Além de escrever, que é o princípio do jornalismo, eu meto minha cara onde sou chamada ! E mais ou menos como num chamado fui entrevistar no começo do ano Patrícia Palumbo, que muito gentil bateu um papo super bacana comigo sobre música e indústria fonográfica para o programa Pauta Aberta, da São Judas. O Canal Universitário, filiada a minha universidade está reprisando esse programa. Então pra quem não me conhece e tem curiosidade de ver a minha cara é uma ótima oportunidade. Para quem me conhece e quer ter a oportunidade de criticar, também !

A reprise vai ao ar hoje, quarta-feira, às 18h e na madrugada de quarta para quinta às 3h da manhã. No CNU, canal 11 da net, 71 da TVA ou 187 da TVA Digital.
Quem não tem tevê a cabo é só sintonizar no site, destacado no link acima.

Agora, d'propositem lá, na telinha ;)

Axé, saravá, sorrisos largos e amem.

15 de novembro de 2009

Dois olhares

A minha última imagem de você é sempre o seu olhar desviando do meu. Eu largo os olhos e passeio pelas suas mãos, pelo seu disfarce em ler o montante de papéis que segura. E eu paro nos papéis e nos seus dedos, nas pontas deles. Gostava da maciez e da delicadeza em que eles me abordavam. Então eu disfarço e de canto de olho te pego levantando a cabeça e a retina pra observar qualquer detalhe meu. Seja no cabelo, na blusa, na curva entre a cintura e o quadril, nas pernas, quem me acompanha e se olho mais profundamente para alguém como olhei pra você. Olho! Olho pro mundo e pra todos os olhos que não se pareçam com os seus. Porque não consigo mais me enxergar na sua visão.

Apesar do desejo da observação, antes de me levantar e ir, eu tento mais uma vez ver quais são as cores dos seus olhos que o tempo me fez ter dúvida. Você não olha, não levanta o olhar. Está preso ao papel, está com os olhos presos ao papel, porque a mente vagueia pela minha presença que te atordoa, incomoda e cega, faz de conta que não vê a ponto de me fazer acreditar que o que está aí não pode durar. E o que está aqui também não. Aqui é saudade e aí é vontade.

12 de novembro de 2009

Deixa rolar

Se há uma coisa que um garoto ou uma garota descobre ao crescer, é que a vida é uma série de riscos, praticamente uma relação de causa e efeito. Desde sempre. Quem não arrisca não petisca. Diz o ditado e a vida. Na escola as crianças correm sem medo de cair, mesmo sabendo que uma hora terão seus joelhos em atrito com o chão. Alguns joelhos sagram mais, outros menos. Em alguns ficam marcas, em outros só lembranças. No playground a criança se arrisca a descer do escorregador mesmo sem ter ninguém a esperando no fim da descida, e enquanto não cria prática pra chegar na superfície, ela se joga no chão. Mas não se importa, nem desiste. Criança arrisca pela diversão.

Adulto arrisca por tesão. Os que arriscam. Um cabra perspicaz é sempre um remanescente de sua infância, não permite que os medos parem uma ação. Isso se tratando da maior parte dos homens, porque ao contrário dos machos corajosos, mulheres fazem do seu maior mal o pensamento e a imaginação. Pensam demais, são pouco práticas, verdade, e apesar da incrível intuição parecem surdas a elas. Porque quando não estão perdendo namoricos e horas de sono pensando, estão imaginando, isso é, criando histórias que gostariam que acontecessem, mas ou menos como: “não foi bem assim que aconteceu, mas é assim que eu gosto de lembrar ou gostaria que acontecesse”.

Falo tudo isso principalmente no quesito relacionamentos, mulher se preocupa com várias coisas, mas entre todas, sempre terá homem no meio de alguma história - e bem, para as garotas que gostam de meninas, sempre terá mulher no meio do bochicho. (é difícil ser plural). Quando surge um paquera novo toda moça que trabalha minimamente sexto-sentido, intuição, lei da atração, astrologia e todo instrumento que ajude a ter esperança no relacionamento que se inicia sabe se dará certo ou não. Mulher sente isso, mas como escrevi anteriormente, parece inerte aos sentidos, e claro, acreditamos no que queremos e lá vai a mulher precipitada se enganar.

É incrível, mas toda moça, quase que inconscientemente, sempre projeta no homem o namorado, o marido, o pais dos filhos. Pemm! Não precisa ser sempre assim. Como diria meu editor e também meu menino, Rick, “homem é predador e mulher é coletora”. Homem, boa parte da vida está aí para aproveitar e experimentar as mulheres e suas vivências. E não é errado, é só um modo bem liberal de quem é prático e quer se divertir sem pensar no depois. Mulher, como quer acolher, vai colhendo casos, namorados, amigos; quer fazer de tudo numa coisa só. Também não é errado, é só outra maneira de viver.

Às vezes com mania de pensar demais, falar e agir além, a garota perde um cara super bacana porque fica sofrendo por antecipação. Fica na dúvida se ele só quer comê-la, se gosta, se isso, se aquilo. Acaba por aí vivendo menos do que gostaria e imaginando mais.

Apesar de na escola aprender a cair e a levantar, a ler, a escrever, a respeitar os mais velhos, a comer de boca fechada, a diferença das cores e a mistura da aquarela, no colégio ninguém nos ensina a ser deixados. Somos treinados a deixar, e como na brincadeira, quem fica por último é a mulher do padre.

Eu sou mulher e faço, normalmente, tudo como uma boa mulherzinha. É assim, eu sei a receita, o modo de preparo, mas sempre acho que sei tudo de cabeça e erro num ingrediente ou outro. Mas o importante, acho eu, é errar e errar e errar e continuar fazendo, preparando, improvisando, uma hora o acerto vem. Afinal, pior do que errar é se negar a viver. Toda mulher precisa, no fundo, ser como os homens: uma eterna criança. Diverte-se, cai, chora e logo ta sorrindo de novo.

E como eu já ouvi algumas vezes, o truque ou a frase chave dita por eles é:

- Deixa rolar !

E boa parte de tudo isso vai para a leitora Carolina Serra, que escreveu perguntando o que fazer para não esperar demais das coisas. A resposta está na pergunta, ou em, simplesmente, não pensar, nem imaginar o que não existe.

;)

3 de novembro de 2009

Quase mulher

Zapeando os blogs preferidos fui em um post mais antigo da Tati Bernardi que dizia:

"Você sabe que virou mulher quando consegue sair com um homem e:
1- não picotar o guardanapo do restaurante
2- não fazer desenhos com pequenos pedaços de palitinhos quebrados
3- não fazer bolinhas de miolo de pão
4- não falar de ex namorados
5- não falar da mãe
6- não falar sem parar
7- não escrever um texto sobre isso

(quase!) "


Eu estou quase virando mulher, só faltam os dois últimos itens !

23 de outubro de 2009

Jazz nos fundos e a verdade na frente


O baixo marcado, a percussão forte, o trompete solado e a improvisação acontecendo. A música jazzística é contagiante, tem swing e, para mim, combina com noites quentes, sorrisos largos, vinho, cerveja, boas companhias, histórias trocadas e viver ao acaso, como o improviso natural da música centenária.

Nesse ritmo contagiante que dividi histórias com duas queridas que trabalham comigo. E como normalmente acontece numa roda de mulheres, o assunto há de serem homens ou relacionamentos. Isso no alto da noite depois de algumas bebidas. Entre uma brincadeira sobre a falta de homens, reproduzi um e-mail que recebi dias atrás ao definir que os cabras machos são iguais a orelhão público: 70% estão quebrados e os outros 30 estão sendo usados. Logo só resta a ligação a cobrar e as histórias em comum.

E numa quinta-feira depois de uma longa jornada de trabalho, saindo da TV quase meia-noite, fui com parte da equipe do Metrópolis ao Jazz nos fundos. Um lugar super bacana que, claro, toca jazz, tem pessoas descoladas e bonitas, e paras os paulistanos da gema fica na João Moura, em Pinheiros.


E apesar do Jazz ao fundo e nos fundos, descobrimos entre uma conversa e outra que somos mulheres Bossa Nova. Isso porque na época as mulheres inquietas e com vontade de ganhar espaço nas rodas sociais, preocupavam-se em serem antenadas, descoladas e inteligentes para saber levar qualquer tipo de conversa em meio aos rapazes. Pouco se pensava em estética e corpo. A cantora Wanda Sá no um documentário “7 x Bossa Nova”, disse que não se recorda de nenhuma mulher preocupada com malhação ou com a exigência de exercícios para a beleza. Essa busca pelo corpo escultural está mais presente agora. E eu, se tivesse que definir um estilo musical para as mulheres atuais ficaria em dúvida. No entanto, descobri e defini que Vanessa, Adriana e eu somos mulheres bossa nova.

Mas há mais.

Eu sempre fui do samba e da bossa, me assumia assim. Aí, depois de alguns romances e do Metrópolis, inclusive, virei do samba, da bossa, do pop, do rock, do jazz e até do rap. Virei a miscelânea de ritmos e de histórias.

Já disse aqui no D’propósito a minha afeição por colecionar histórias e pra isso é preciso viver, ouvir e sacar que quando você não protagoniza um causo você escuta e aprecia como quem vive. E às vezes, na mesma fábula, você não é o único ouvinte ou protagonista, assim como no metrô em horário de pico, que ultrapassa a teoria de que dois corpos não podem dividir o mesmo espaço. E duas mulheres podem se relacionar com um homem sem saber.

Confesso que durante um longo tempo, e meus amigos e leitores mais próximos sabem, que fui apaixonada por um rapaz esteticamente fora do padrão. Tudo bem, porque para nós mulheres (bossa nova) homem nunca precisou ser bonito. Basta ter um papo bom, carisma, inteligente e pra mim, ser músico sempre foi um ponto a mais. A questão é que entre uma fofoca e outra com a Vanessa, ela admite vergonhosamente que ficou com o cara que eu era apaixonadinha. Mas quando isso aconteceu, nós nem nos conhecíamos e sem querer trocando histórias descobrimos que falávamos da mesma pessoa. Caímos na gargalhada e achamos ridículo, claro. O rapaz, que eu preservo o nome, levou a Vanessa no mesmo restaurante que tinha me levado e de quebra disse a mesma coisa. Até o atendimento do garçom com uma piadinha foi igual. Desacreditando de toda a história e com muitas gargalhadas, os meninos do Metrópolis perguntaram o que acontecia com a gente. Contamos o caso e o Marquinhos disse:

- Eu não sei se soco um cara desse ou dou os parabéns. Conseguiu ficar com vocês duas.

Apesar de tudo, eu o parabenizo, porque a gente tem que admitir que o cara é bom na enganação e assim como Vanessa e eu, outras tantas com certeza já caíram. Bem, quando a gente cai na pegadinha, o melhor é rir com a piada. E piada boa é piada curta. E nesse quesito de piada curta, ele é bom (#seéquevocêsmeentendem)

Com toda a música jazzística ao fundo a verdade sobre o cara, não foi a única na noite. Mas também que o rapaz que eu estava até curtindo, tem outra e não é a Vanessa. Tudo bem, eu volto para as pistas e continuo me divertindo, porque o que é a vida senão isso: diversão.

E é em meio ao divertimento que eu vou vivendo no improviso do acaso.

Sobe o som de Miles Davis...




19 de outubro de 2009

Debaixo dos cobertores

É macio e eterno o sono bem dormido de uma noite chuvosa e uma manhã nublada. Esses dias em que o sol se esconde são, normalmente, os mais difíceis para lutar contra a preguiça e deixar o quente do cobertor.

É assim que me sinto boa parte dos dias. Gosto de dormir tanto quanto gosto de viver e vivo sonhando e é por isso que vivo dormindo. Mas minha maior preguiça costuma ser em outubro, principalmente no dia 19. Eu não descobri isso hoje nem há dez anos. Tem pouco tempo. Precisamente três anos.

Como já disse aqui todo dia 19, desde 1988 e provavelmente, segundo a biografia de Vinicius de Moraes, desde 1913 chove. Sempre chove. Acostumei com a chuva e não desejo que seja diferente adiante.

Mas desde que completei 18 anos perdi a vontade de fazer aniversário. Talvez eu tenha criado essa marra com minha primeira paixão, que odiava comemorar sua data. Depois com meu primeiro namorado, que também não era afetuoso ao seu dia de nascimento. Não gostava que as pessoas lhe dessem parabéns. Pra ele, uma pessoa só pode ser parabenizada por algum feito e fazer aniversário qualquer um é capaz.

O pensamento talvez seja pessimista, mas o meu medo de envelhecer que bateu a partir dos 18, somado aos dois homens bem importantes que tive eu parei de comemorar aniversário. Isso tudo me dá preguiça. Festas nem pensar.

Fazer aniversário, pra mim, é a delícia de poder passar o dia na cama comendo tudo de gostoso que engorda, vendo filme na TV, e depois de assistir dois ou três longas ver Anos Incríveis. No intervalo de um filme e outro e uma série, receber uma ligação. Apesar de não gostar de festejar a data, eu gosto que as pessoas lembrem. Me faz sentir o mínimo querida e importante a elas.

Mas como nem tudo são flores na vida adulta, eu não posso passar o dia na cama. Então com aquela preguiça de inverno (apesar da sempre primavera) eu me levanto para mais um ano completo.

Talvez envelhecer seja isso, é a preguiça de sair da cama e a vontade de fazer o que deseja contra realizar o que te obrigam. Envelhecer requer regras demais, rugas a mais peso sem mais e histórias mais e mais e mais.

Eu gostava de ser criança, tenho medo de envelhecer, mas adoro viver. É por isso que mesmo com preguiça, eu levando da minha cama terna, largo meu edredom macio para viver e realizar o que eu sonhei nas noites anteriores, e assim, colecionar histórias.

14 de outubro de 2009

Uma certa semelhança

Bem, eu podia escrever qualquer coisa perto do inteligente, filosófico ou sociológico. Mas a falta de tempo para isso me faz trocar a escrita pela música bem mais inteligente e legal do que qualquer coisa que fizesse agora.

E pra explicar o motivo do vídeo: entre todos os DVD’s, livros e CD’s que chegam no Metrópolis e teoricamente não serão aproveitados, nós chamamos de lixo. E fora o que o @FELIPEAAUKAY (fominha) pega e não divide, restou o primeiro e novíssimo DVD “Pra se ter alegria”, da Roberta Sá. Como fã que sou só fiz a minha parte de levar pra casa.


O DVD é ótimo, mas mais do que o show que já conhecia de uma ponta a outra, gostei mesmo foram dos extras que têm participação de Chico Buarque, Ney Matogrosso, Trio Madeira Brasil, Antônio Zambujo e Yamandú Costa.
Na música Mambembe com o Chico (que é o vídeo abaixo) falei pra minha mãe:

- Você não acha que nesse vídeo Roberta e eu somos parecidas ?

E com a verdade dela respondeu.

- Não.

Mas não aceitei o não como resposta, porque eu realmente acreditei que estávamos parecidas. Mostrei para minha avó e minhas tias, e todas concordaram comigo. Não sei se falavam a verdade ou concordaram só pra me fazer mais alegre, mas no fundo eu acho que parece.
O que difere é que ela tem um sorriso maior que o meu e o nariz mais fino. Bem, e claro, a voz. Talvez não seja bem assim, mas gosto de acreditar que no geral e neste vídeo, em especial, há uma semelhança; e quando crescer quero ser que nem ela
(ainda no momento dia-das-crianças).




2 de outubro de 2009

A tentativa de ajuda


- Camila, me ajuda. Como eu faço pra esquecer aquela coisa gorda ?


O pedido de ajuda até poderia ser meu, falando de frente pro espelho. Mas não. E é exatamente por parecer meu, e teoricamente entender do gosto acima do peso, que decidi ajudar um fiel e querido leitor do D’propósito que me escreveu com a pergunta acima.



E com a minha experiência regular (e quase única), disse que os gordinhos têm em si um charme que nenhum magro tem. O gordo não precisa do corpo esbelto pra conquistar ou se inserir em um grupo qualquer. E diferente dos que geneticamente não vieram com a estética favorável, como os narigudos, os orelhudos, os esquisitos, os baixos e até mesmo os magrelos – cada ser com seu complexo – o gordo é o único com humor suficiente de zombar de si mesmo, fazer o outro rir e ser feliz. Ainda que queira perder peso. Mas acho uma bobagem. Perder peso, nesse caso, pra mim, também é perder carisma, porque a beleza do gordo está no gesto. O gordo conquista, não ganha. O gordo também abraça mais forte e dá o real sentido do abraço, fazendo o carinho mais do que um movimento de afeição, é um encontro. O gordo ri mais, fala mais alto e é extremo, ou não é nada. Eu nunca vi um gordo pela metade. Ou é 8 ou é 80. E eu sempre preferi os 80. Os que são assumidamente gordos e grandes em sentimentos, em dedicação, em sinceridade, em conduzir a vida como matam a fome.

Talvez os magros também podem ter tudo isso, igual aos gordos, que o amigo leitor e eu gostamos. Mas essa não é a resposta.

No humor pesado eu te responderia pra gostar de um magro, é bem mais fácil segundo as teorias Maias. Mas é indiferente o tamanho e o peso pra um sentimento, então, a única maneira é criar uma lacuna entre você e ela, deixando que o tempo cuide disso e a sua balança traga o resultado desse regime, de maneira que o peso de gostar de alguém não incomode mais.

A distância é o esquecimento
E foi assim que eu consegui.

25 de setembro de 2009

Ela, a inspiração


Eu tenho deixado a inspiração muito de lado, essa tem sido a sua reclamação. Mas eu faço minha parte, porque quando ela chega eu peço pra esperar, não circular muito pra não espairecer. Mas não, normalmente ela, a inspiração, apressada do jeito que só é, vem sem avisar e vai embora na mesma ansiedade. A danada não entende que não é sempre que posso pegar o papel e a caneta, muito menos bater os dedos no teclado. Aí pra não achar que faço pouco caso ou sou deselegante, já que não quer ficar, peço pra inspiração deixar recado, nem que for anotado em um post-it pra eu não esquecer. Mas pretensiosa do jeito dela diz:


- Ou se serve de mim agora ou vou flanar em outras ideias.

E ela não blefa, eu não dou ouvidos nem dedos para anotar, logo a inspiração não deixa post-it pra eu me inspirar ou lembrar. E ela vai vai embora mesmo.



A inspiração, como um sonho, acontece. Às vezes a gente lembra, às vezes, não. E Depois que ela veio, passou e não ficou, tenho a sensação de que a inspiração é reflexo de mais uma tentativa, em quase nada.

20 de setembro de 2009

A nossa infância e ao seu aniversário


Eu sempre ouvia dizer que o tempo passava rápido demais, até os meus 14 anos eu achava isso um mito. As tardes eram longas e os dias se arrastavam para que chegassem o meu próximo aniversário e com isso os desejados 18 anos. E hoje, com um pé e meio nos 21, eu tenho a certeza de que o tempo passou realmente rápido e a minha pressa em crescer, provavelmente, foi a maior burrice de todas que eu já cometi e as que eu ainda nem fiz.

Mas da minha vontade de crescer, fica a realização na minha boa memória e infância que tive, porque há exatos 16 anos eu me lembro de como tudo era lindo e fácil. Não que agora seja feio ou muito difícil, mas é que após 16 anos tudo fica mais delicado. E os problemas não são os números e sim o tempo. Não tenho nada contra esses algarismos que definem as datas, as horas e o passado; apesar de poucas vezes terem me ajudado em tempos de escola. O contrário, sempre me deixaram no sufoco, mas ainda assim gosto deles, principalmente dos números pares, porque há exatos 16 anos eu entrevistava pela primeira vez uma pessoa, sem saber exatamente que dali um pouco mais de uma década estaria eu, novamente, com o microfone em mãos ou um gravador.

A inesquecível, gravada e primeira entrevista não foi com nenhuma estrela ou celebridade, mas era com alguém que estreava todos os dias na minha divertida infância e acreditava em mim.
Com uma voz infantil, no entanto, rouca e até evoluída para pouca idade, eu já demonstrava aptidão pela comunicação, se me permitem a falta de modéstia. Começando por meu entrevistado acanhado, de poucas palavras que tive de conquistar durante a entrevista e acabei perdendo o carisma dele depois de alguns anos.

O cara era três anos mais velho do que eu, mas apesar da sua timidez mostrava talento pela narração de jogos de futebol. Ele até cogitou após uns 15 anos ir para jornalismo, mas o destino o levou para outro lado e o mesmo que o desviou do caminho deu-me de presente a comunicação, que era dele e acrescentou à minha.

Hoje eu faço jornalismo e mal podia imaginar que o meu irmão de anos atrás tivesse sido a influência de ser e estar onde estou. Ainda hoje ele continua sendo o meu irmão, ao menos é o sangue que nos une, no entanto, hoje ele não acredita tanto no meu talento ou no meu esforço. Ele é um burguês que me vê apenas como uma garota pequena-burguesa que não sabe ganhar dinheiro.

E ele tem toda razão, sou pequena-burguesa e não sei mesmo ganhar dinheiro. Faço jornalismo ! Ele conseguiu a tempo mudar sua aptidão de humanas para exatas e hoje fatura o que acha mais importante: o dinheiro.

E é faturando notas verdinhas que hoje ele também fatura mais um ano de vida, sem mudar muito sua personalidade de 15 ou 16 anos atrás, me olhando e me chamando todos os dias de baiana. E eu acho o maior elogio.

E ainda insatisfeito ele resmunga sobre meus gostos musicais, sobre minhas roupas e debate que eu não contribuo em nada para a economia do País e também não faço diferença na imprensa. Mas antes de ter o valor de uma massa maior, o que seria fundamentalmente importante é ter a estima que foi depositada há anos, e a gargalhada infindável da minha mãe ao ouvir a gravação, com minhas meias palavras de meus quatro anos de idade.

De fato, eu posso não ter colaborado em nada para a economia do País, nem para a imprensa, mas eu já acho satisfatório ele ter contribuído com a minha formação e escolha da profissão que paga mal, mas que eu adoro. Até porque, eu só sei fazer isso e fora isso só sobram os meus gostos adversos aos dele, e a entrevista que ta gravada na memória e foi gravado no meu primeiro Gradiente, em uma fita colorida, nos meus quatro anos de idade e no seu aniversário.

ps. é, sou eu mesma. Essa coisa gorda, estranha e cabeluda sou eu. Eu tenho/tinha cabelos cacheados. E se tivesse a cabeça de hoje e não de quando alisei minhas madeixas pela primeira vez - influênciada pela minha mãe - eu nunca teria feito, mas agora pra deixar o natural é preciso raspar a cabeça. Bem, mas isso é assunto pra outro post.

17 de setembro de 2009

Vazio Agudo

No momento cansei de escrever pro livro e vou me divertir um pouco navegando na internet.

Hoje, depois de dias e dias sem conversar com @thafelicio, minha amiga de longe e perto, ela me perguntou como eu estava. E todo mundo pergunta isso todos os dias e a gente sempre responde, “tudo bem!”.

Mas pra ela posso dizer que mais ou menos e, na verdade, quem responde melhor e por mim é Leminski e o vídeo inspirado na obra do poeta, que rolou na mostra mineira do ano passado.





vazio

agudo
ando
meio

cheio de tudo.

16 de setembro de 2009

Eulírico na madrugada

- Camila !
- Eulírico ! Que bons ventos te trazem aqui ?
- Bons ventos, na verdade, nenhum. Tô muito chateado e bravo com você.
- Mas o que foi que eu fiz agora ?
- É o que você não fez.
- Se eu não fiz é melhor do que ter feito mal, certo ?
- Errado !
- Eu discordo.
- Então vê se você concorda comigo e diz se é certo desaparecer e não escrever mais nesse abandonado blog.
- Abandonado, não. De vez em quando tem twittada minha aí ao lado, no Minuto a Minuto.
- Isso não faz o blog atualizado !
- Concordo, isso eu concordo.
- E aí o teu sumiço faz leitores escreverem e reclamarem. E eu pergunto, o que eu, Eulírico, que já fui muito mais presente nesse espaço digo e respondo aos poucos fiéis que questionam se é D’propósito ?
- Não. D’propósito, não é. É que agora, Eulírico minhas noites e palavras estão dedicadas ao livro reportagem. O TCC, saca ?
- Saco, e que saco ! Mas qual é a chatice do momento ?
- Essa discussão sobre industria fonográfica, artistas independentes e blá, blá, blá.
- Sua vontade me surpreende.
- É a minha vontade de não fazer nada. E eu queria saber como chama a vontade de largar tudo, ir morar no meio do mato, em outro estado ou em outro país, bem longe, pra ficar quase sem comunicação.
- Esse sintôma chama-se TCC.
- Isso não é mais sintôma, é doença. E deve ter mais um nome, mas TCC já qualifica a minha vontade de ir viver no meio do mato.
- Se você for avisa antes, Camila.
- Aviso ! E também aviso que agora eu vou, voltar a escrever, para o livro.
-Vá, e quando der apareça !
- Já vim. Fui e sumi.

10 de setembro de 2009

Clarividente

Os olhos. Foi onde parei primeiro em você. Depois os meus olhos correram pelo resto do seu corpo, mas voltei para os olhos, os seus olhos verde sutis, e às vezes brando em tom de esmeralda feliz. E você vai me perguntar como são olhos de esmeralda feliz ! É quando você sorri comigo, ou sorri pra mim e até de mim. São os seus olhos felizes que brilham.

E depois dos seus olhos fiquei pelo cheiro, que sentia a sete mil léguas de distância e agora eu sinto em mim, a centímetros, sutilmente após o abraço apertado, o beijo demorado - e quando não escondido, e de toda vez que você fica e eu fico acreditando nessa conexão internacional que nos liga. E é pelo cheiro, pelo olhar, pelo sorriso, toque e sensibilidade que eu me arrisco na sua cultura, no seu país, nos seus segredos, no seu tempo e aposto em você. Torcendo pra que você ganhe e eu também. E apesar da ansiedade juvenil meu jogo não exige tempo, nem torcida organizada pra acompanhar a jogatina. Eu só preciso de um campo onde caiba você, eu e o nosso segredo.










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Música minha composta antes do texto; voz e violão Roberta Campos , claro !

4 de setembro de 2009

autoconfiança


Eu achei que confiança, ou melhor, autoconfiança era bom. Até me dizerem que eu estava confiante demais e o problemas era esse.
E demais a mais minha confiança (excedida) foi medida a mal
Vou voltar pra minha insegurança habitual.
Se for, melhor assim.

25 de agosto de 2009

Sem querer

A gente escorrega e cai sem querer - eu nunca vi ninguém provocar o próprio tombo pro riso do outro. A não ser o palhaço, que faz isso pra causar o riso e não tem graça nenhuma. A gente também esquece a chave sem querer ou esquece de deixar a chave e alguém fica pra fora. A gente, na maioria das vezes, esbarra e machuca o outro sem querer. A gente se encontra sem querer e se apaixona sem querer. A gente fala sem querer, gasta sem querer e perde a hora sem querer. A gente sem querer, arruma um propósito pra querer. Eu quis e fiz. E, agora, só há uma coisa que não é sem querer....



e quando te perguntarem se você fez de propósito, agora, tem a resposta. E guarde-a na ponta da língua ;c)



Tá chegando, D'propositados. A festa é sexta-feira, com show de Roberta Campos e Seis Sextos. Apareçam !

17 de agosto de 2009

Auto-estrada


Estela sabia que os passos estavam errados e o caminho era incerto. Mas na estrada pouco pavimentada que já caminhara ela conhecia as pedras e os buracos. Já havia estourado os pneus e se machucado tentando trocá-los. Desistiu da maior invenção do homem. Deixou as rodas largadas no meio da estrada e o carro parado com os vidros abertos e as portas destravadas.

Continuou, caminhou, pediu carona, se perdeu e acabou no mesmo lugar. Ao invés de seguir em frente Estela andou em círculo, feito a roda que largara no meio do caminho. Mas agora os pneus não estavam mais jogados na estrada, estavam devidamente colocados no automóvel que a esperava para guiá-lo. Tudo estava lá, do mesmo jeito; o toca fitas, o mapa, o macaco, o violão e sua cruel desilusão.

A nostalgia foi aparente, sentou-se no banco do motorista, encostou a cabeça no volante e pensou durante horas na música que o rádio reservava entre Noel, Cartola e Geraldo Pereira. Quando o silêncio dominou, ela levantou a cabeça e ligou o motor, que roncava alto feito a cuíca no samba. A gasolina estava pelo fim e os pára-brisas quebrados. Por um minuto pensou em desistir e voltar atrás, pegar o caminho de retorno. Mas Estela não quis ser fraca e voltar sem boas histórias para contar. Decidiu prosseguir, mesmo sabendo que podia se machucar e sofrer de novo as mesmas moléstias do difícil caminho.

Ela sentia o frio do arrependimento chegando a qualquer momento, como o vento que desgrenhava seus cabelos, no entanto, Estela achava que seguir em frente era a melhor escolha. Porque a estrada era a escola que ela precisava aprender a ser. Ser livre e só de viver, ainda que com o risco do pesar de tudo o que viria depois. Porque fora isso, ou além disso, haveria no mínimo histórias a serem contadas. E Era isso que Estela buscava: histórias e nada mais.

14 de agosto de 2009

Inconfesso desejo

Não compreendo a fundo a filosofia, mas no raso eu até me arrisco. Gosto da resposta pronta que algum filósofo fez o favor de pensar e responder pra mim, que penso, penso e não sou filósofa.
E nessa presunção de-quase-entendo é que descubro entre possibilidades e verdades nas teorias de Freud e Schopenhauer, a razão e a vontade originada em mim, nos meus personagens, nos meus anseios mal resolvidos e da consciência limitada, claro. Mas isso não vai virar papo de filósofo, a introdução é só pra esclarecer uma coisa clara: os (meus) sonhos.

Naturalmente alguns sonhos não têm lógica nenhuma, e exige um estudo além do que tenho vontade de pensar/estudar agora. Mas quero falar do quase devaneio que rondam repetidas noites de sono.

É praticamente um desabafo, nada como Sophie Calle, mas de alguém, como uma apaixonada, que luta pra ter o mínimo de orgulho e se automedica de vergonha na cara e amor-próprio pra não ter qualquer tipo de recaída, a não ser que você caia primeiro. Caia na minha armação de não estar nem aí pro seu silêncio, caia sobre o meu sumiço, ou finalmente caia sobre mim. Por que esse meu papel de “eu nunca te amei, idiota” como cantou Ana Carolina em mais uma de suas canções populares, não serve pra eu cantar no meu karaokê, nem no chuveiro. E o fato de eu te ver e não poder falar com você é sempre um soco no estomago que sobe até jugular (eu esperei anos pra poder usar essa palavra, que aprendi quando criança vendo rei leão) e fica guardada a vontade de pelo menos dar aquele abraço demorado de quase-amigos ou o seu sorriso zombando de qualquer atitude ridícula minha.


E é por isso, por guardar tanta vontade que sonho repetidas noites com você e ao abrir os olhos e levantar para o dia a primeira coisa que me vem a cabeça é você, porque mesmo sem querer eu passei a noite toda com a sua imagem e presença que são tantas. E se eu faço força e não entendo a minha resistência, ou a sua, Freud explica o sonho enquanto matéria-prima e produção humana do cérebro como nada mais do que a atividade do nosso inconsciente. Ou seja, sonhar com você é a forma do meu inconsciente satisfazer sua ausência, que você quando perto, bem perto de mim, revelava a mim a vontade da vida humana de oscilar entre a ânsia de ter e o tédio de possuir, como Schopenhauer explica em teorias bem mais extensas.
E no meu (in)confesso desejo eu despejo palavras e no meu inconsciente eu realizo vontades. Se é que se pode chamar de realização. E me esforço pra por em prática a hábil lição de que calar é estratégico, já que escrevendo é um alivio inevitável.

E é assim, quando te quero não consigo ter, quando não quero, não consigo esquecer.

10 de agosto de 2009

Mote

o acaso faz parte do destino que você reservou pra mim
e isso é tudo, ou quase
pra que eu compreenda
que tudo tem
um
fim.


.e um outro começo.

9 de agosto de 2009

A coisa da paternidade

Filho da mãe todo mundo é, ser filho do pai que é o problema. Na verdade é quase um enigma. Certamente pai e mãe todo mundo tem, afinal, somos o projeto da relação entre os seres que às vezes nos fazem sem querer, outras vezes desejam muito e algumas situações há uma confusão de pais. Mães enlouquecidas com a diversidade de homens que disponibilizam-se a maternidade e prende um a paternidade.

Dependendo da escolha ou, de repente, de ter sido escolhido pela mulher, no caso a mãe, o pai leva título de pai. Às vezes de fato não o é, ou pelo menos não foi ele quem o fez. Mas como o povo canta por aí, "Pai é mesmo quem cria.”
E cria mesmo. Recria, põe cria, faz cria e não pia. Assovia. Pai de sangue, pai de criação, pai de consideração, pai ao quadrado, pai entoado, pai valentão, pai amedrontado, pai engraçado, pai, pai, pai pra sempre um homão.

Diferente de mãe que é tudo igual e só muda de endereço, pai é tudo diferente, ainda que resida na mesma morada. Sem as declarações cotidianas de que mãe é uma só; pai também é um só, é único. Desde quando o chama de pai.

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-Paii....
-Quê?
-Vamos jogar bola?
-Camila, você é menina.
-Eu sei, vamos jogar?
-Então, pra aquecer vamos jogar uma partida de vídeo-game?
-Eita pai, depois reclama que está gordinho. Mas eu fico com o controle 1.





Oficialmente hoje é o aniversário do D'propósito, essa cria sem pai. O ano passado, nesta mesma data, escrevi aqui tudo sobre o meu rebento, lhe dando os parabéns pela existência e contando os detalhes do dia em que eu o pari. Hoje o D'propósito faz vida, dois anos respirando cotidiano e inspirando palavra, poesia, ficção e casos do dia a dia. E mais do que o aniversário de hoje, essa é a postagem número 300 deste blog que adora festejar, e como já anunciei, a comemoração será dia 28/08 como mostra o convite ao lado, ou também, em posts abaixo.
Então, até lá.

Axé, saravá, sorrisos largos e amem.

8 de agosto de 2009

Amor barata.

É barata mesmo, não é barato não. Descobri dias atrás sobre o amor que você pisa, pisa, pisa tanto, que sai meleca
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Eca.

ps. O aniversário do D'propósito está chegando, a festa é dia 28 deste mesmíssimo mês. Então, não vai perder !

6 de agosto de 2009

Que seja eterno enquanto dure

A pedidos de agora e de antes eu decidi escrever sobre o velho e moderno matrimonio. É, o casamento e de preferência com festa. Seja na igreja, ou na capela, de dia ou de noite, no campo ou no jóquei club a finalidade é uma só: satisfazer a vontade da mulher de se vestir e ter o dia de noiva, mostrar o contrato assinado e a nova posse adquirida para a sociedade e, naturalmente, com tudo isso, gastar dinheiro. O casamento, como tantas outras festas, é feito para os outros.

Diz-me, de coração, você caro leitor casado que fez festa de casamento, o quanto se divertiu e aproveitou ? Isso proporcional ao valor gasto. Está certo, isso parece meio mesquinho. Talvez seja. Ou coisa de mulher desiludida, o que não é, não. Mas explico.

Casamento, é uma ocasião feliz, por menos ou mais amor que possa haver entre os noivos a intenção é boa. Reúne a família e você conhece primos que não sabia que tinha, revê amigos e as desesperadas fazem piadas de sua própria solteirice e morrem de inveja de ainda não ter um cara possível para arrastar para o altar.

Em minhas poucas duas décadas de vida até hoje só vi mulher desesperada pra casar. Nunca vi um homem realmente animado com o matrimonio. Tem noivo que até acha legal, mas no fundo, já que é pra viver junto, preferia começar a morar junto e pronto. Sem precisar de arroz de festa e buffet para 500 convidados. Mas a vontade é da noiva, e no final, com charme, autoridade ou renda fixa mais alta, a mulher é que manda, isso quando o cara não foge da luta do matrimonio ao ter o seu amor pedindo/ exigindo o casamento.

Quando era uma aprendiz de mulherzinha, menor do que sou hoje, isso lá pelos 16 anos, uma professora me dizia.

- Meu casamento, como todos os outros, é um contrato.

Aquilo me intrigou de uma maneira que respondi com toda a sinceridade,

- Já que é só um contrato, por que não separa ?
- No dia que eu me casei eu assinei um contrato, com clausulas, como qualquer outro contrato. No entanto, isso não significa que eu seja infeliz.

Eu achava aquilo muito contraditório, era a frieza de um acordo X a paixão e o amor, ou como for o sentimento que faz duas pessoas se unirem no ‘para sempre’.
Mas depois, ponderando, raciocinado e comparando as relações humanas, pensei: o que não é o amor e a paixão, ou qualquer sentimento que valha, senão um acordo. Sempre em toda relação existe um acordo, nada que precise de um papel e uma caneta para comprovar. Bastam olhos, bocas, palavras e confiança pra criar as cláusulas de um contrato que é feito naturalmente.

Padre, igreja, juramento e festa é o costume que a sociedade religiosa impôs e perpetuou nas gerações, principalmente no gênero feminino. Mas isso tudo, hoje em dia, com os casamentos modernos, o matrimonio de padre-igreja-juramamento-festa está mais pra fetiche de posse, do que pra tradição eternizada.

Mas isso não é uma total crítica aos casamentos e casados, porque eu como uma boa mulherzinha admito que desejo casar com direito a tudo e mais um pouco. Muito pela festa, é claro. Mas na vontade do matrimonio não sei se quero ter só um marido, por um motivo simples: acho que o pra sempre é tempo demais. Prefiro acreditar no Vinicius de Moraes, em Soneto de Separação ao eternizar escrevendo “posto que é chama, que seja eterno enquanto dure”.

E que assim seja, eterno, enquanto dure.


Eis aqui um vídeo que já rodou a internet de um casamento bem diferente e dançante, eu diria.

30 de julho de 2009

Eu sou legal e tô te dando mole

Apesar de pouco diário, minha retina, tímpanos e antena se mantém ligados para o cotidiano vim parar aqui. E conversa dos outros eu escuto mesmo, principalmente quando o transporte é público, a história também é. Então tá certo. Foi numa conversa entre amigos já iniciada que cheguei e me autorizei ouvir a garota que fazia uma reclamação para o amigo, procurando respostas. E, no fundo, às vezes, um homem pode ajudar mais que dez amigas juntas. Mesmo que seja para alimentar o ego.


E foi no balanço do metrô que a menina, balançada por alguma paixãozinha, com pouca esperança e bastante indignada, indaga:


- Eu sou legal, informada, descolada e não sou burra. Porque ainda assim os caras só querem me comer ?


E o amigo com muita naturalidade responde:


- Porque você é legal e linda.

- Ok, eu tenho espelho em casa...


ele ri, e ela continua.


... Mas se eu sou legal eles podiam me levar mais a sério, não ?


E realmente sério ele responde.


- Ah, sim. Isso sem dúvidas.


E quase brava e bastante expressiva ela debate.


- Então, eu não entendo porque não me levam a sério, eu não entendo, não entendo mesmo !

- Mas a culpa não é sua, são dos homens...

- Eu sei ! Mas quem perde sou eu...

- Que nada, é só você não liberar.

- Também acho, mas da mesma forma que eu não libero, eu fico e continuo solteira, e não é solteira por estar solteira que falo, quando digo solteira é meses a fio sem... você me entende!

- Tá certo, quer namorar comigo ? Eu sou legal também.


E como todo homem faria depois desse pedido/cantada ele riu quase que encantadoramente e ela o lembrou.


- Leo, você é casado !

- Ah, é.



A minha estação chegou e, por ela, em pensamento eu respondi, “homens...”

Do dilema que a garota vive outras tantas e milhões também passam. E mesmo respondendo ironicamente em pensamento, acho mesmo que eles são parecidos, mas não são iguais, então, não dá pra usar de um único método com todos. A alternativa pra viver é correr o risco, seja cedendo ou ‘não liberando’, como disse o tal Leo.




 
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