D'propósito

29 de dezembro de 2009

Hasta 2010

Meninas e meninos d'propositados, diferente dos anos anteriores que o último post do ano foi uma retrospectiva, esse não tem nada de ficar recordando o passo, não nos detalhes. E não porque não foi bom, muito pelo contrário. Conheci pessoas ótimas, trabalhei em um lugar super legal e terminei a faculdade de jornalismo. Eta ano bom esse 2009, e se o próximo for delicioso quanto o ano que passou meus sorrisos vão continuar largos, muito largos.

E para os leitores de casa, já deu pra perceber que eu ando meio perdida, procurando me encontrar, por isso não fiz uma lista gigante de deveres e metas para 2010. Eu sou uma boa libriana e boemia, que como Zeca Pagodinho, deixo a vida me levar. Mas não durmo no ponto e estou sempre em ponto e pronta pra mais uma história a viver, escutar ou a ser contatada.

A minha única meta para o ano que chega cheio de dúvida é, claro, arrumar uma trabalho bem bacana e escrever mais neste blog, que nesse ano foi sempre a última coisa com que me preocupei. Por uma série de motivos como TCC, trabalho, projetos pessoais, banda e blá, blá.

Mas eu tentarei voltar com toda a força de quem sempre fez D'propósito as crônicas de tudo o que vem depois.

Um ótimo 2010 para vocês e para mim. Diferente da maioria dos anos, não vou passar na praia, mas não deixarei de fazer meus cantos pra Iemanjá


Axé, saravá, sorrisos largos, amém e amem



23 de dezembro de 2009

Mais que Cultura


Se eu acreditasse em papai Noel pediria pra achar uma mala cheia de dinheiro para viajar o mundo todo, sem destino certo e sozinha. Em um país ou outro pagaria a passagem para alguns de meus amigos me acompanharem, mas seguiria sozinha. Naturalmente que esse é o tipo de pedido quase-infantil por quem está em crise.

Bem, não faz muito tempo que saí da adolescência, então acho justo ter certas recaídas com a pouca idade e estar ainda meio perdida, já que mais uma vez encerrei um ciclo da minha vida e não sei o que fazer, a não ser viajar.

Meu dinheiro dá pra no máximo ir até Maringá, em seguida passar em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul e voltar para São Paulo. Claro, gastando apenas com a passagem de ônibus e algumas cervejas. Benditas sejam as casas dos amigos.

Mas como eu não acredito em papai Noel tenho que mandar a fantasia para o pólo norte e trabalhar. É tudo o que mais preciso agora: de um trabalho. Sempre tive sorte no campo, mas sempre que o que está à vista é o olho da rua, bate o desespero. O ano passado, meu santo Noel, ou meu São Jorge e os orixás de companhia deram um brilho no meu caminho e eu entrei na TV Cultura. Os leitores mais próximos, os mais antigos ou os fiéis sabem o quanto amo aquela casa de mãe. Isso porque a firma do Padre é muito diferente de qualquer outra TV, ou empresa que já passei e que ouço as pessoas falarem.

A começar que minha relação com a Cultura vem de antes, muito antes. Com castelo Rá Tim Bum, O Mundo da Lua, Anos Incríveis, Confissões de Adolescente, Tim Tim, Doug e uma infinidade de programas que formaram minha infância e juventude. E Apesar de ter feito jornalismo e as pessoas assimilarem o curso sempre a televisão, eu nunca tive a ambição de querer trabalhar em TV, a não ser que fosse a Cultura. Pra mim o meu negócio era o impresso, mas lá veio o acaso, ou o destino me aprontar uma ótima. Fui parar no Metrópolis, que em minha opinião, o melhor programa da casa e pra se trabalhar, com arte e cultura e uma equipe incrível e xarope.

Em um ano que fiquei lá eu tive três chances de ser contratada, a primeira oportunidade o programa que a princípio eu iria acabou, a segunda eu não passei no teste (ainda bem) e por último, no Metrópolis mesmo, eu não pude porque não era formada. E quando chegou minha vez, bem, não era minha vez. Decisão do chefe, que na hora quando me disse tive vontade de dar um murro nele, porque eu não tinha reação, não consegui falar nada. Eu já vinha de um choro constante de antes com todas as despedidas, que na hora que conversava com o editor-chefe eu não derramavas lágrimas, mas chorava por dentro. Eu nunca fui puxa-saco, mas sempre achei o Hamburgão (o chefe) muito justo e correto, e apesar de passar dias pensando em tudo o que ele disse e eu não falei, acho que ele esteve certo na decisão.

Tudo isso acontecia no meio da festa da firma, com uma bateria de escola de samba arrepiando na batucada. Enfim, eu só cessei meu choro depois que me joguei no samba e sambei até a última parada do rebolo, da caixa, da zabumba e do ganzá.

Todo mundo dizia: para de chorar você vai voltar, todo mundo volta aqui. Não sei. Talvez não, ou talvez eu volte mesmo pra TV, não tão cedo para o Metrópolis, mas eu não chorava só pelo meu último dia enquanto estagiária, sentia por outras histórias que se iniciaram ali há mais de dois anos e que ali também se encerrou e amém.


A TV Cultura é como a casa de nossos pais, é confortável, você tem intimidade, fala o que pensa e por mais difícil que seja, você gosta de viver lá. Mas a realidade do mundo não é como a casa dos pais, as pessoas no mundo exigem mais e não vão ter tanto carinho por você, mas certamente te amadurecerá, como o mimo que a casa de nossos pais não permite.

O fato é que agora eu procuro um lugar pra morar, isto é, um trabalho.




Cantinho do Metrópolis na redação do jornalismo. Aqui na ponta meu menino Rick, já citado outras vezes neste blog. Ao lado dele o Aaukay, de frente para ele o Hamburgão, meu (ex) chefe. E o marquinhos lá no fundo, enfiado ao telefone.


...






Na última semana treinei/ensinei a nova estagiária do Metrópolis, confesso que faltou coisa ainda pra passar, mas a Carol é uma fofa, uma querida que escreveu isso em seu blog.

"
Tô feliz por mim e triste por ela que vai sair. A Camila é tão fofa que eu fico com o coração partido em vê-la triste. Cada vez que ela me ensina alguma coisa, deixa transparecer um carinho todo especial e um toque de saudade já daquela tarefa, ou daquela (s) pessoa (s), ou daquele editor (a), ou daquela ilha, do chefe... enfim, cada coisa que ela me ensina, parece que está se despedindo.
Deve ser dolorido. Deve ser confuso.
Confesso que tenho medo desse dia. Do dia em que eu terei que ir embora da tv cultura, pois lá são mínimas as chances de ser efetivada logo depois da faculdade. E se eu estiver gostando de fato do trabalho como ela? Acabou a faculdade: e agora?
"que vontade de chorar,
dói
mas pra mim tá tranquilo, eu vou zuar
o clima é de partida, vou dar sequência na vida"

Como eu acredito no processo da vida, acredito que uma coisa bem legal está por vir para a Camila e para todas as pessoas que, assim como ela, terminam a faculdade e que merecem sim: uma ótima oportunidade! Então, ótima vibrações a ela! Coisas boas estão por vir, espere! "

17 de dezembro de 2009

Jornalismo e futebol

Se não fosse o jornalismo eu teria sido jogadora de futebol, certamente. Já escrevi antes sobre a minha paixão pela bola, especialmente por jogar, nem tanto por assistir ou acompanhar os campeonatos pela televisão.

Tenho que admitir que muito do meu talento foi descoberto pelo meu irmão, que me ensinou e me treinava para o gramado. Apesar de sempre preferir o futsal. A bola que rola na quadra exige velocidade, pensamento rápido e agilidade, muito mais intenso que o campo. Mas mesmo atuando no gramado e na quadra, na minha época - que começou em 1992 -, não existia a Marta, tampouco qualquer coisa que se aproxime da valorização do futebol feminino, foi então que encerrei minha carreira em 2005, ao terminar o colégio e entrar para a faculdade.

E apesar da quase insanidade para o meu pai, que não via sua filha brincar de boneca ou desfilar em uma falsa passarela, eu sempre fui racional e aos 13 anos decidi que, de fato, não desfilaria com a bola nos pés, mas tropeçaria com as mãos pelo jornalismo.

Aos 17 eu larguei o futebol definitivamente para abraçar o jornalismo. Entrei pra uma faculdade que não tinha nada a ver comigo, digo pela universidade, não pelo curso.Muito se deu pelas pessoas que encontrei lá, ou que não encontrei. Na faculdade eu não fiquei bêbada na festa da turma, porque nunca teve, exceto agora no último ano com a formatura – que eu também não estive presente. Não perdi a virgindade por causa da faculdade e, por fim, terminando as três lições básicas que se aprende em uma universidade ou no bar ao lado dela, eu não fumei maconha. Apesar dos meus óculos, eu não sou nerd e estou longe de ser uma aluna ou pessoa exemplar. Fora a temida e curiosa primeira relação sexual das meninas, tudo que, teoricamente, a faculdade oferece eu fiz antes. Talvez tenha sido precoce, ou os meus amigos de colégio e condomínio que eram à frente de qualquer graduação.

Então, tudo que eu desejei e imaginava de uma faculdade não se concretizou com essa minha graduação. Mas como nem tudo é festa, eu diria que até 2º ano, com as aulas teóricas a faculdade foi muito boa. Depois disso, eu já trabalhava na área há um ano, e o curso de jornalismo - com as aulas práticas - foi perdendo o sentindo pra mim. Parecia não me acrescentar muito, mas eu precisava da graduação pra manter meus estágios. Sim, estágios, no plural. Mudei de estágio como quem troca de sapatos, sujou ou apertou troca. Quis e experimentei algumas das diversas áreas que o jornalismo permite, até cair na equipe e, provavelmente, a TV mais legal, na Cultura.

Mas nem tudo são males, a faculdade não foi de todo ruim, porque convivi com três pessoas ótimas, Bruno, Diane e Victor. Victor foi quem mais me ensinou sobre jornalismo e, apesar de não admitir, o mais jornalista, entre todos que se formam na minha turma.A universidade valeu por esses três nomes e por Luís Mauro, o professor que antes do Victor, me ensinou quase tudo o que sei sobre ser jornalista. Além dos citados, a faculdade é boa para você estagiar. É pra isso que serve uma graduação, independente do curso, te dá à oportunidade de entrar no mercado de trabalho com direito de errar. Mas de preferência não erre, e se fizer jornalismo faça dele uma literatura sob pressão. E depois de quatro anos de pressão, finalmente, posso dizer e assinar como jornalista. Mas agora que já tenho uma profissão será que ainda dá tempo de eu voltar a jogar bola?

5 de dezembro de 2009

Tereza

Tereza não nasceu pra ser Amélia e odiava obrigações. Seu prazer era o bel-prazer, tinha a vida em suas mãos, assim como o pano e a vassoura. E já que tudo dependia de mover seus dedos, abandonou a vida de casa, vestiu o sutiã e foi ser mulher. Mas não qualquer mulher. Não era do tipo que pintava o rosto ou seduzia os homens pelo par de coxas. Ela tinha olhos, que falavam mais do que a boca e dentes que pintavam seu olhar. Era artista, sabia mentir, sabia convencer, sabia ser qualquer papel que coubesse em seu nome, e atuar em toda vida que cruzasse com a sua. Era mulher de 80, oito não lhe cabia bem no corpo mameluco. Gostava de arrasar corações e colecionar paixões, tudo a procura de um amor que não teve como Amélia, mas que como Tereza exigia.

Teve homens de todos os tipos, que a rejeitaram e os que se encantaram por ela. Gostava de todos, deleitava-se no sabor da quase-dor e o prazer de gostar. Depois de muitos, ela desejava o gosto dos amantes e só. Porque só como Tereza ela percebeu que amor é coisa de Amélia e, definitivamente, não era para ela.



18 de novembro de 2009

Aviso aos Navegantes !

Os D'propositados que acompanham o blog sabem que sou uma (quase) jornalista de brincadeira. Além de escrever, que é o princípio do jornalismo, eu meto minha cara onde sou chamada ! E mais ou menos como num chamado fui entrevistar no começo do ano Patrícia Palumbo, que muito gentil bateu um papo super bacana comigo sobre música e indústria fonográfica para o programa Pauta Aberta, da São Judas. O Canal Universitário, filiada a minha universidade está reprisando esse programa. Então pra quem não me conhece e tem curiosidade de ver a minha cara é uma ótima oportunidade. Para quem me conhece e quer ter a oportunidade de criticar, também !

A reprise vai ao ar hoje, quarta-feira, às 18h e na madrugada de quarta para quinta às 3h da manhã. No CNU, canal 11 da net, 71 da TVA ou 187 da TVA Digital.
Quem não tem tevê a cabo é só sintonizar no site, destacado no link acima.

Agora, d'propositem lá, na telinha ;)

Axé, saravá, sorrisos largos e amem.

15 de novembro de 2009

Dois olhares

A minha última imagem de você é sempre o seu olhar desviando do meu. Eu largo os olhos e passeio pelas suas mãos, pelo seu disfarce em ler o montante de papéis que segura. E eu paro nos papéis e nos seus dedos, nas pontas deles. Gostava da maciez e da delicadeza em que eles me abordavam. Então eu disfarço e de canto de olho te pego levantando a cabeça e a retina pra observar qualquer detalhe meu. Seja no cabelo, na blusa, na curva entre a cintura e o quadril, nas pernas, quem me acompanha e se olho mais profundamente para alguém como olhei pra você. Olho! Olho pro mundo e pra todos os olhos que não se pareçam com os seus. Porque não consigo mais me enxergar na sua visão.

Apesar do desejo da observação, antes de me levantar e ir, eu tento mais uma vez ver quais são as cores dos seus olhos que o tempo me fez ter dúvida. Você não olha, não levanta o olhar. Está preso ao papel, está com os olhos presos ao papel, porque a mente vagueia pela minha presença que te atordoa, incomoda e cega, faz de conta que não vê a ponto de me fazer acreditar que o que está aí não pode durar. E o que está aqui também não. Aqui é saudade e aí é vontade.

12 de novembro de 2009

Deixa rolar

Se há uma coisa que um garoto ou uma garota descobre ao crescer, é que a vida é uma série de riscos, praticamente uma relação de causa e efeito. Desde sempre. Quem não arrisca não petisca. Diz o ditado e a vida. Na escola as crianças correm sem medo de cair, mesmo sabendo que uma hora terão seus joelhos em atrito com o chão. Alguns joelhos sagram mais, outros menos. Em alguns ficam marcas, em outros só lembranças. No playground a criança se arrisca a descer do escorregador mesmo sem ter ninguém a esperando no fim da descida, e enquanto não cria prática pra chegar na superfície, ela se joga no chão. Mas não se importa, nem desiste. Criança arrisca pela diversão.

Adulto arrisca por tesão. Os que arriscam. Um cabra perspicaz é sempre um remanescente de sua infância, não permite que os medos parem uma ação. Isso se tratando da maior parte dos homens, porque ao contrário dos machos corajosos, mulheres fazem do seu maior mal o pensamento e a imaginação. Pensam demais, são pouco práticas, verdade, e apesar da incrível intuição parecem surdas a elas. Porque quando não estão perdendo namoricos e horas de sono pensando, estão imaginando, isso é, criando histórias que gostariam que acontecessem, mas ou menos como: “não foi bem assim que aconteceu, mas é assim que eu gosto de lembrar ou gostaria que acontecesse”.

Falo tudo isso principalmente no quesito relacionamentos, mulher se preocupa com várias coisas, mas entre todas, sempre terá homem no meio de alguma história - e bem, para as garotas que gostam de meninas, sempre terá mulher no meio do bochicho. (é difícil ser plural). Quando surge um paquera novo toda moça que trabalha minimamente sexto-sentido, intuição, lei da atração, astrologia e todo instrumento que ajude a ter esperança no relacionamento que se inicia sabe se dará certo ou não. Mulher sente isso, mas como escrevi anteriormente, parece inerte aos sentidos, e claro, acreditamos no que queremos e lá vai a mulher precipitada se enganar.

É incrível, mas toda moça, quase que inconscientemente, sempre projeta no homem o namorado, o marido, o pais dos filhos. Pemm! Não precisa ser sempre assim. Como diria meu editor e também meu menino, Rick, “homem é predador e mulher é coletora”. Homem, boa parte da vida está aí para aproveitar e experimentar as mulheres e suas vivências. E não é errado, é só um modo bem liberal de quem é prático e quer se divertir sem pensar no depois. Mulher, como quer acolher, vai colhendo casos, namorados, amigos; quer fazer de tudo numa coisa só. Também não é errado, é só outra maneira de viver.

Às vezes com mania de pensar demais, falar e agir além, a garota perde um cara super bacana porque fica sofrendo por antecipação. Fica na dúvida se ele só quer comê-la, se gosta, se isso, se aquilo. Acaba por aí vivendo menos do que gostaria e imaginando mais.

Apesar de na escola aprender a cair e a levantar, a ler, a escrever, a respeitar os mais velhos, a comer de boca fechada, a diferença das cores e a mistura da aquarela, no colégio ninguém nos ensina a ser deixados. Somos treinados a deixar, e como na brincadeira, quem fica por último é a mulher do padre.

Eu sou mulher e faço, normalmente, tudo como uma boa mulherzinha. É assim, eu sei a receita, o modo de preparo, mas sempre acho que sei tudo de cabeça e erro num ingrediente ou outro. Mas o importante, acho eu, é errar e errar e errar e continuar fazendo, preparando, improvisando, uma hora o acerto vem. Afinal, pior do que errar é se negar a viver. Toda mulher precisa, no fundo, ser como os homens: uma eterna criança. Diverte-se, cai, chora e logo ta sorrindo de novo.

E como eu já ouvi algumas vezes, o truque ou a frase chave dita por eles é:

- Deixa rolar !

E boa parte de tudo isso vai para a leitora Carolina Serra, que escreveu perguntando o que fazer para não esperar demais das coisas. A resposta está na pergunta, ou em, simplesmente, não pensar, nem imaginar o que não existe.

;)

3 de novembro de 2009

Quase mulher

Zapeando os blogs preferidos fui em um post mais antigo da Tati Bernardi que dizia:

"Você sabe que virou mulher quando consegue sair com um homem e:
1- não picotar o guardanapo do restaurante
2- não fazer desenhos com pequenos pedaços de palitinhos quebrados
3- não fazer bolinhas de miolo de pão
4- não falar de ex namorados
5- não falar da mãe
6- não falar sem parar
7- não escrever um texto sobre isso

(quase!) "


Eu estou quase virando mulher, só faltam os dois últimos itens !

23 de outubro de 2009

Jazz nos fundos e a verdade na frente


O baixo marcado, a percussão forte, o trompete solado e a improvisação acontecendo. A música jazzística é contagiante, tem swing e, para mim, combina com noites quentes, sorrisos largos, vinho, cerveja, boas companhias, histórias trocadas e viver ao acaso, como o improviso natural da música centenária.

Nesse ritmo contagiante que dividi histórias com duas queridas que trabalham comigo. E como normalmente acontece numa roda de mulheres, o assunto há de serem homens ou relacionamentos. Isso no alto da noite depois de algumas bebidas. Entre uma brincadeira sobre a falta de homens, reproduzi um e-mail que recebi dias atrás ao definir que os cabras machos são iguais a orelhão público: 70% estão quebrados e os outros 30 estão sendo usados. Logo só resta a ligação a cobrar e as histórias em comum.

E numa quinta-feira depois de uma longa jornada de trabalho, saindo da TV quase meia-noite, fui com parte da equipe do Metrópolis ao Jazz nos fundos. Um lugar super bacana que, claro, toca jazz, tem pessoas descoladas e bonitas, e paras os paulistanos da gema fica na João Moura, em Pinheiros.


E apesar do Jazz ao fundo e nos fundos, descobrimos entre uma conversa e outra que somos mulheres Bossa Nova. Isso porque na época as mulheres inquietas e com vontade de ganhar espaço nas rodas sociais, preocupavam-se em serem antenadas, descoladas e inteligentes para saber levar qualquer tipo de conversa em meio aos rapazes. Pouco se pensava em estética e corpo. A cantora Wanda Sá no um documentário “7 x Bossa Nova”, disse que não se recorda de nenhuma mulher preocupada com malhação ou com a exigência de exercícios para a beleza. Essa busca pelo corpo escultural está mais presente agora. E eu, se tivesse que definir um estilo musical para as mulheres atuais ficaria em dúvida. No entanto, descobri e defini que Vanessa, Adriana e eu somos mulheres bossa nova.

Mas há mais.

Eu sempre fui do samba e da bossa, me assumia assim. Aí, depois de alguns romances e do Metrópolis, inclusive, virei do samba, da bossa, do pop, do rock, do jazz e até do rap. Virei a miscelânea de ritmos e de histórias.

Já disse aqui no D’propósito a minha afeição por colecionar histórias e pra isso é preciso viver, ouvir e sacar que quando você não protagoniza um causo você escuta e aprecia como quem vive. E às vezes, na mesma fábula, você não é o único ouvinte ou protagonista, assim como no metrô em horário de pico, que ultrapassa a teoria de que dois corpos não podem dividir o mesmo espaço. E duas mulheres podem se relacionar com um homem sem saber.

Confesso que durante um longo tempo, e meus amigos e leitores mais próximos sabem, que fui apaixonada por um rapaz esteticamente fora do padrão. Tudo bem, porque para nós mulheres (bossa nova) homem nunca precisou ser bonito. Basta ter um papo bom, carisma, inteligente e pra mim, ser músico sempre foi um ponto a mais. A questão é que entre uma fofoca e outra com a Vanessa, ela admite vergonhosamente que ficou com o cara que eu era apaixonadinha. Mas quando isso aconteceu, nós nem nos conhecíamos e sem querer trocando histórias descobrimos que falávamos da mesma pessoa. Caímos na gargalhada e achamos ridículo, claro. O rapaz, que eu preservo o nome, levou a Vanessa no mesmo restaurante que tinha me levado e de quebra disse a mesma coisa. Até o atendimento do garçom com uma piadinha foi igual. Desacreditando de toda a história e com muitas gargalhadas, os meninos do Metrópolis perguntaram o que acontecia com a gente. Contamos o caso e o Marquinhos disse:

- Eu não sei se soco um cara desse ou dou os parabéns. Conseguiu ficar com vocês duas.

Apesar de tudo, eu o parabenizo, porque a gente tem que admitir que o cara é bom na enganação e assim como Vanessa e eu, outras tantas com certeza já caíram. Bem, quando a gente cai na pegadinha, o melhor é rir com a piada. E piada boa é piada curta. E nesse quesito de piada curta, ele é bom (#seéquevocêsmeentendem)

Com toda a música jazzística ao fundo a verdade sobre o cara, não foi a única na noite. Mas também que o rapaz que eu estava até curtindo, tem outra e não é a Vanessa. Tudo bem, eu volto para as pistas e continuo me divertindo, porque o que é a vida senão isso: diversão.

E é em meio ao divertimento que eu vou vivendo no improviso do acaso.

Sobe o som de Miles Davis...




19 de outubro de 2009

Debaixo dos cobertores

É macio e eterno o sono bem dormido de uma noite chuvosa e uma manhã nublada. Esses dias em que o sol se esconde são, normalmente, os mais difíceis para lutar contra a preguiça e deixar o quente do cobertor.

É assim que me sinto boa parte dos dias. Gosto de dormir tanto quanto gosto de viver e vivo sonhando e é por isso que vivo dormindo. Mas minha maior preguiça costuma ser em outubro, principalmente no dia 19. Eu não descobri isso hoje nem há dez anos. Tem pouco tempo. Precisamente três anos.

Como já disse aqui todo dia 19, desde 1988 e provavelmente, segundo a biografia de Vinicius de Moraes, desde 1913 chove. Sempre chove. Acostumei com a chuva e não desejo que seja diferente adiante.

Mas desde que completei 18 anos perdi a vontade de fazer aniversário. Talvez eu tenha criado essa marra com minha primeira paixão, que odiava comemorar sua data. Depois com meu primeiro namorado, que também não era afetuoso ao seu dia de nascimento. Não gostava que as pessoas lhe dessem parabéns. Pra ele, uma pessoa só pode ser parabenizada por algum feito e fazer aniversário qualquer um é capaz.

O pensamento talvez seja pessimista, mas o meu medo de envelhecer que bateu a partir dos 18, somado aos dois homens bem importantes que tive eu parei de comemorar aniversário. Isso tudo me dá preguiça. Festas nem pensar.

Fazer aniversário, pra mim, é a delícia de poder passar o dia na cama comendo tudo de gostoso que engorda, vendo filme na TV, e depois de assistir dois ou três longas ver Anos Incríveis. No intervalo de um filme e outro e uma série, receber uma ligação. Apesar de não gostar de festejar a data, eu gosto que as pessoas lembrem. Me faz sentir o mínimo querida e importante a elas.

Mas como nem tudo são flores na vida adulta, eu não posso passar o dia na cama. Então com aquela preguiça de inverno (apesar da sempre primavera) eu me levanto para mais um ano completo.

Talvez envelhecer seja isso, é a preguiça de sair da cama e a vontade de fazer o que deseja contra realizar o que te obrigam. Envelhecer requer regras demais, rugas a mais peso sem mais e histórias mais e mais e mais.

Eu gostava de ser criança, tenho medo de envelhecer, mas adoro viver. É por isso que mesmo com preguiça, eu levando da minha cama terna, largo meu edredom macio para viver e realizar o que eu sonhei nas noites anteriores, e assim, colecionar histórias.

14 de outubro de 2009

Uma certa semelhança

Bem, eu podia escrever qualquer coisa perto do inteligente, filosófico ou sociológico. Mas a falta de tempo para isso me faz trocar a escrita pela música bem mais inteligente e legal do que qualquer coisa que fizesse agora.

E pra explicar o motivo do vídeo: entre todos os DVD’s, livros e CD’s que chegam no Metrópolis e teoricamente não serão aproveitados, nós chamamos de lixo. E fora o que o @FELIPEAAUKAY (fominha) pega e não divide, restou o primeiro e novíssimo DVD “Pra se ter alegria”, da Roberta Sá. Como fã que sou só fiz a minha parte de levar pra casa.


O DVD é ótimo, mas mais do que o show que já conhecia de uma ponta a outra, gostei mesmo foram dos extras que têm participação de Chico Buarque, Ney Matogrosso, Trio Madeira Brasil, Antônio Zambujo e Yamandú Costa.
Na música Mambembe com o Chico (que é o vídeo abaixo) falei pra minha mãe:

- Você não acha que nesse vídeo Roberta e eu somos parecidas ?

E com a verdade dela respondeu.

- Não.

Mas não aceitei o não como resposta, porque eu realmente acreditei que estávamos parecidas. Mostrei para minha avó e minhas tias, e todas concordaram comigo. Não sei se falavam a verdade ou concordaram só pra me fazer mais alegre, mas no fundo eu acho que parece.
O que difere é que ela tem um sorriso maior que o meu e o nariz mais fino. Bem, e claro, a voz. Talvez não seja bem assim, mas gosto de acreditar que no geral e neste vídeo, em especial, há uma semelhança; e quando crescer quero ser que nem ela
(ainda no momento dia-das-crianças).




2 de outubro de 2009

A tentativa de ajuda


- Camila, me ajuda. Como eu faço pra esquecer aquela coisa gorda ?



O pedido de ajuda até poderia ser meu, falando de frente pro espelho. Mas não. E é exatamente por parecer meu, e teoricamente entender do gosto acima do peso, que decidi ajudar um fiel e querido leitor do D’propósito que me escreveu com a pergunta acima.




E com a minha experiência regular (e quase única), disse que os gordinhos têm em si um charme que nenhum magro tem. O gordo não precisa do corpo esbelto pra conquistar ou se inserir em um grupo qualquer. E diferente dos que geneticamente não vieram com a estética favorável, como os narigudos, os orelhudos, os esquisitos, os baixos e até mesmo os magrelos – cada ser com seu complexo – o gordo é o único com humor suficiente de zombar de si mesmo, fazer o outro rir e ser feliz. Ainda que queira perder peso. Mas acho uma bobagem. Perder peso, nesse caso, pra mim, também é perder carisma, porque a beleza do gordo está no gesto. O gordo conquista, não ganha. O gordo também abraça mais forte e dá o real sentido do abraço, fazendo o carinho mais do que um movimento de afeição, é um encontro. O gordo ri mais, fala mais alto e é extremo, ou não é nada. Eu nunca vi um gordo pela metade. Ou é 8 ou é 80. E eu sempre preferi os 80. Os que são assumidamente gordos e grandes em sentimentos, em dedicação, em sinceridade, em conduzir a vida como matam a fome.

Talvez os magros também possam ter tudo isso, igual aos gordos, que o amigo leitor e eu gostamos. Mas essa não é a resposta.
No humor pesado eu te responderia pra gostar de um magro, é bem mais fácil segundo as teorias Maias. Mas é indiferente o tamanho e o peso pra um sentimento, então, a única maneira é criar uma lacuna entre você e ela, deixando que o tempo cuide disso e a sua balança traga o resultado desse regime, de maneira que o peso de gostar de alguém não incomode mais.
A distância é o esquecimento

E foi assim que eu consegui.

25 de setembro de 2009

Ela, a inspiração


Eu tenho deixado a inspiração muito de lado, essa tem sido a sua reclamação. Mas eu faço minha parte, porque quando ela chega eu peço pra esperar, não circular muito pra não espairecer. Mas não, normalmente ela, a inspiração, apressada do jeito que só é, vem sem avisar e vai embora na mesma ansiedade. A danada não entende que não é sempre que posso pegar o papel e a caneta, muito menos bater os dedos no teclado. Aí pra não achar que faço pouco caso ou sou deselegante, já que não quer ficar, peço pra inspiração deixar recado, nem que for anotado em um post-it pra eu não esquecer. Mas pretensiosa do jeito dela diz:


- Ou se serve de mim agora ou vou flanar em outras ideias.

E ela não blefa, eu não dou ouvidos nem dedos para anotar, logo a inspiração não deixa post-it pra eu me inspirar ou lembrar. E ela vai vai embora mesmo.



A inspiração, como um sonho, acontece. Às vezes a gente lembra, às vezes, não. E Depois que ela veio, passou e não ficou, tenho a sensação de que a inspiração é reflexo de mais uma tentativa, em quase nada.

20 de setembro de 2009

A nossa infância e ao seu aniversário


Eu sempre ouvia dizer que o tempo passava rápido demais, até os meus 14 anos eu achava isso um mito. As tardes eram longas e os dias se arrastavam para que chegassem o meu próximo aniversário e com isso os desejados 18 anos. E hoje, com um pé e meio nos 21, eu tenho a certeza de que o tempo passou realmente rápido e a minha pressa em crescer, provavelmente, foi a maior burrice de todas que eu já cometi e as que eu ainda nem fiz.

Mas da minha vontade de crescer, fica a realização na minha boa memória e infância que tive, porque há exatos 16 anos eu me lembro de como tudo era lindo e fácil. Não que agora seja feio ou muito difícil, mas é que após 16 anos tudo fica mais delicado. E os problemas não são os números e sim o tempo. Não tenho nada contra esses algarismos que definem as datas, as horas e o passado; apesar de poucas vezes terem me ajudado em tempos de escola. O contrário, sempre me deixaram no sufoco, mas ainda assim gosto deles, principalmente dos números pares, porque há exatos 16 anos eu entrevistava pela primeira vez uma pessoa, sem saber exatamente que dali um pouco mais de uma década estaria eu, novamente, com o microfone em mãos ou um gravador.

A inesquecível, gravada e primeira entrevista não foi com nenhuma estrela ou celebridade, mas era com alguém que estreava todos os dias na minha divertida infância e acreditava em mim.
Com uma voz infantil, no entanto, rouca e até evoluída para pouca idade, eu já demonstrava aptidão pela comunicação, se me permitem a falta de modéstia. Começando por meu entrevistado acanhado, de poucas palavras que tive de conquistar durante a entrevista e acabei perdendo o carisma dele depois de alguns anos.

O cara era três anos mais velho do que eu, mas apesar da sua timidez mostrava talento pela narração de jogos de futebol. Ele até cogitou após uns 15 anos ir para jornalismo, mas o destino o levou para outro lado e o mesmo que o desviou do caminho deu-me de presente a comunicação, que era dele e acrescentou à minha.

Hoje eu faço jornalismo e mal podia imaginar que o meu irmão de anos atrás tivesse sido a influência de ser e estar onde estou. Ainda hoje ele continua sendo o meu irmão, ao menos é o sangue que nos une, no entanto, hoje ele não acredita tanto no meu talento ou no meu esforço. Ele é um burguês que me vê apenas como uma garota pequena-burguesa que não sabe ganhar dinheiro.

E ele tem toda razão, sou pequena-burguesa e não sei mesmo ganhar dinheiro. Faço jornalismo ! Ele conseguiu a tempo mudar sua aptidão de humanas para exatas e hoje fatura o que acha mais importante: o dinheiro.

E é faturando notas verdinhas que hoje ele também fatura mais um ano de vida, sem mudar muito sua personalidade de 15 ou 16 anos atrás, me olhando e me chamando todos os dias de baiana. E eu acho o maior elogio.

E ainda insatisfeito ele resmunga sobre meus gostos musicais, sobre minhas roupas e debate que eu não contribuo em nada para a economia do País e também não faço diferença na imprensa. Mas antes de ter o valor de uma massa maior, o que seria fundamentalmente importante é ter a estima que foi depositada há anos, e a gargalhada infindável da minha mãe ao ouvir a gravação, com minhas meias palavras de meus quatro anos de idade.

De fato, eu posso não ter colaborado em nada para a economia do País, nem para a imprensa, mas eu já acho satisfatório ele ter contribuído com a minha formação e escolha da profissão que paga mal, mas que eu adoro. Até porque, eu só sei fazer isso e fora isso só sobram os meus gostos adversos aos dele, e a entrevista que ta gravada na memória e foi gravado no meu primeiro Gradiente, em uma fita colorida, nos meus quatro anos de idade e no seu aniversário.

ps. é, sou eu mesma. Essa coisa gorda, estranha e cabeluda sou eu. Eu tenho/tinha cabelos cacheados. E se tivesse a cabeça de hoje e não de quando alisei minhas madeixas pela primeira vez - influênciada pela minha mãe - eu nunca teria feito, mas agora pra deixar o natural é preciso raspar a cabeça. Bem, mas isso é assunto pra outro post.

17 de setembro de 2009

Vazio Agudo

No momento cansei de escrever pro livro e vou me divertir um pouco navegando na internet.

Hoje, depois de dias e dias sem conversar com @thafelicio, minha amiga de longe e perto, ela me perguntou como eu estava. E todo mundo pergunta isso todos os dias e a gente sempre responde, “tudo bem!”.

Mas pra ela posso dizer que mais ou menos e, na verdade, quem responde melhor e por mim é Leminski e o vídeo inspirado na obra do poeta, que rolou na mostra mineira do ano passado.





vazio

agudo
ando
meio

cheio de tudo.

16 de setembro de 2009

Eulírico na madrugada

- Camila !
- Eulírico ! Que bons ventos te trazem aqui ?
- Bons ventos, na verdade, nenhum. Tô muito chateado e bravo com você.
- Mas o que foi que eu fiz agora ?
- É o que você não fez.
- Se eu não fiz é melhor do que ter feito mal, certo ?
- Errado !
- Eu discordo.
- Então vê se você concorda comigo e diz se é certo desaparecer e não escrever mais nesse abandonado blog.
- Abandonado, não. De vez em quando tem twittada minha aí ao lado, no Minuto a Minuto.
- Isso não faz o blog atualizado !
- Concordo, isso eu concordo.
- E aí o teu sumiço faz leitores escreverem e reclamarem. E eu pergunto, o que eu, Eulírico, que já fui muito mais presente nesse espaço digo e respondo aos poucos fiéis que questionam se é D’propósito ?
- Não. D’propósito, não é. É que agora, Eulírico minhas noites e palavras estão dedicadas ao livro reportagem. O TCC, saca ?
- Saco, e que saco ! Mas qual é a chatice do momento ?
- Essa discussão sobre industria fonográfica, artistas independentes e blá, blá, blá.
- Sua vontade me surpreende.
- É a minha vontade de não fazer nada. E eu queria saber como chama a vontade de largar tudo, ir morar no meio do mato, em outro estado ou em outro país, bem longe, pra ficar quase sem comunicação.
- Esse sintôma chama-se TCC.
- Isso não é mais sintôma, é doença. E deve ter mais um nome, mas TCC já qualifica a minha vontade de ir viver no meio do mato.
- Se você for avisa antes, Camila.
- Aviso ! E também aviso que agora eu vou, voltar a escrever, para o livro.
-Vá, e quando der apareça !
- Já vim. Fui e sumi.

10 de setembro de 2009

Clarividente

Os olhos. Foi onde parei primeiro em você. Depois os meus olhos correram pelo resto do seu corpo, mas voltei para os olhos, os seus olhos verde sutis, e às vezes brando em tom de esmeralda feliz. E você vai me perguntar como são olhos de esmeralda feliz ! É quando você sorri comigo, ou sorri pra mim e até de mim. São os seus olhos felizes que brilham.

E depois dos seus olhos fiquei pelo cheiro, que sentia a sete mil léguas de distância e agora eu sinto em mim, a centímetros, sutilmente após o abraço apertado, o beijo demorado - e quando não escondido, e de toda vez que você fica e eu fico acreditando nessa conexão internacional que nos liga. E é pelo cheiro, pelo olhar, pelo sorriso, toque e sensibilidade que eu me arrisco na sua cultura, no seu país, nos seus segredos, no seu tempo e aposto em você. Torcendo pra que você ganhe e eu também. E apesar da ansiedade juvenil meu jogo não exige tempo, nem torcida organizada pra acompanhar a jogatina. Eu só preciso de um campo onde caiba você, eu e o nosso segredo.










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Música minha composta antes do texto; voz e violão Roberta Campos , claro !

4 de setembro de 2009

autoconfiança


Eu achei que confiança, ou melhor, autoconfiança era bom. Até me dizerem que eu estava confiante demais e o problemas era esse.
E demais a mais minha confiança (excedida) foi medida a mal
Vou voltar pra minha insegurança habitual.
Se for, melhor assim.

25 de agosto de 2009

Sem querer

A gente escorrega e cai sem querer - eu nunca vi ninguém provocar o próprio tombo pro riso do outro. A não ser o palhaço, que faz isso pra causar o riso e não tem graça nenhuma. A gente também esquece a chave sem querer ou esquece de deixar a chave e alguém fica pra fora. A gente, na maioria das vezes, esbarra e machuca o outro sem querer. A gente se encontra sem querer e se apaixona sem querer. A gente fala sem querer, gasta sem querer e perde a hora sem querer. A gente sem querer, arruma um propósito pra querer. Eu quis e fiz. E, agora, só há uma coisa que não é sem querer....



e quando te perguntarem se você fez de propósito, agora, tem a resposta. E guarde-a na ponta da língua ;c)



Tá chegando, D'propositados. A festa é sexta-feira, com show de Roberta Campos e Seis Sextos. Apareçam !

17 de agosto de 2009

Auto-estrada


Estela sabia que os passos estavam errados e o caminho era incerto. Mas na estrada pouco pavimentada que já caminhara ela conhecia as pedras e os buracos. Já havia estourado os pneus e se machucado tentando trocá-los. Desistiu da maior invenção do homem. Deixou as rodas largadas no meio da estrada e o carro parado com os vidros abertos e as portas destravadas.

Continuou, caminhou, pediu carona, se perdeu e acabou no mesmo lugar. Ao invés de seguir em frente Estela andou em círculo, feito a roda que largara no meio do caminho. Mas agora os pneus não estavam mais jogados na estrada, estavam devidamente colocados no automóvel que a esperava para guiá-lo. Tudo estava lá, do mesmo jeito; o toca fitas, o mapa, o macaco, o violão e sua cruel desilusão.

A nostalgia foi aparente, sentou-se no banco do motorista, encostou a cabeça no volante e pensou durante horas na música que o rádio reservava entre Noel, Cartola e Geraldo Pereira. Quando o silêncio dominou, ela levantou a cabeça e ligou o motor, que roncava alto feito a cuíca no samba. A gasolina estava pelo fim e os pára-brisas quebrados. Por um minuto pensou em desistir e voltar atrás, pegar o caminho de retorno. Mas Estela não quis ser fraca e voltar sem boas histórias para contar. Decidiu prosseguir, mesmo sabendo que podia se machucar e sofrer de novo as mesmas moléstias do difícil caminho.

Ela sentia o frio do arrependimento chegando a qualquer momento, como o vento que desgrenhava seus cabelos, no entanto, Estela achava que seguir em frente era a melhor escolha. Porque a estrada era a escola que ela precisava aprender a ser. Ser livre e só de viver, ainda que com o risco do pesar de tudo o que viria depois. Porque fora isso, ou além disso, haveria no mínimo histórias a serem contadas. E Era isso que Estela buscava: histórias e nada mais.

14 de agosto de 2009

Inconfesso desejo

Não compreendo a fundo a filosofia, mas no raso eu até me arrisco. Gosto da resposta pronta que algum filósofo fez o favor de pensar e responder pra mim, que penso, penso e não sou filósofa.
E nessa presunção de-quase-entendo é que descubro entre possibilidades e verdades nas teorias de Freud e Schopenhauer, a razão e a vontade originada em mim, nos meus personagens, nos meus anseios mal resolvidos e da consciência limitada, claro. Mas isso não vai virar papo de filósofo, a introdução é só pra esclarecer uma coisa clara: os (meus) sonhos.

Naturalmente alguns sonhos não têm lógica nenhuma, e exige um estudo além do que tenho vontade de pensar/estudar agora. Mas quero falar do quase devaneio que rondam repetidas noites de sono.

É praticamente um desabafo, nada como Sophie Calle, mas de alguém, como uma apaixonada, que luta pra ter o mínimo de orgulho e se automedica de vergonha na cara e amor-próprio pra não ter qualquer tipo de recaída, a não ser que você caia primeiro. Caia na minha armação de não estar nem aí pro seu silêncio, caia sobre o meu sumiço, ou finalmente caia sobre mim. Por que esse meu papel de “eu nunca te amei, idiota” como cantou Ana Carolina em mais uma de suas canções populares, não serve pra eu cantar no meu karaokê, nem no chuveiro. E o fato de eu te ver e não poder falar com você é sempre um soco no estomago que sobe até jugular (eu esperei anos pra poder usar essa palavra, que aprendi quando criança vendo rei leão) e fica guardada a vontade de pelo menos dar aquele abraço demorado de quase-amigos ou o seu sorriso zombando de qualquer atitude ridícula minha.


E é por isso, por guardar tanta vontade que sonho repetidas noites com você e ao abrir os olhos e levantar para o dia a primeira coisa que me vem a cabeça é você, porque mesmo sem querer eu passei a noite toda com a sua imagem e presença que são tantas. E se eu faço força e não entendo a minha resistência, ou a sua, Freud explica o sonho enquanto matéria-prima e produção humana do cérebro como nada mais do que a atividade do nosso inconsciente. Ou seja, sonhar com você é a forma do meu inconsciente satisfazer sua ausência, que você quando perto, bem perto de mim, revelava a mim a vontade da vida humana de oscilar entre a ânsia de ter e o tédio de possuir, como Schopenhauer explica em teorias bem mais extensas.
E no meu (in)confesso desejo eu despejo palavras e no meu inconsciente eu realizo vontades. Se é que se pode chamar de realização. E me esforço pra por em prática a hábil lição de que calar é estratégico, já que escrevendo é um alivio inevitável.

E é assim, quando te quero não consigo ter, quando não quero, não consigo esquecer.

10 de agosto de 2009

Mote

o acaso faz parte do destino que você reservou pra mim
e isso é tudo, ou quase
pra que eu compreenda
que tudo tem
um
fim.


.e um outro começo.

9 de agosto de 2009

A coisa da paternidade

Filho da mãe todo mundo é, ser filho do pai que é o problema. Na verdade é quase um enigma. Certamente pai e mãe todo mundo tem, afinal, somos o projeto da relação entre os seres que às vezes nos fazem sem querer, outras vezes desejam muito e algumas situações há uma confusão de pais. Mães enlouquecidas com a diversidade de homens que disponibilizam-se a maternidade e prende um a paternidade.

Dependendo da escolha ou, de repente, de ter sido escolhido pela mulher, no caso a mãe, o pai leva título de pai. Às vezes de fato não o é, ou pelo menos não foi ele quem o fez. Mas como o povo canta por aí, "Pai é mesmo quem cria.”
E cria mesmo. Recria, põe cria, faz cria e não pia. Assovia. Pai de sangue, pai de criação, pai de consideração, pai ao quadrado, pai entoado, pai valentão, pai amedrontado, pai engraçado, pai, pai, pai pra sempre um homão.

Diferente de mãe que é tudo igual e só muda de endereço, pai é tudo diferente, ainda que resida na mesma morada. Sem as declarações cotidianas de que mãe é uma só; pai também é um só, é único. Desde quando o chama de pai.

__________________________________________________

-Paii....
-Quê?
-Vamos jogar bola?
-Camila, você é menina.
-Eu sei, vamos jogar?
-Então, pra aquecer vamos jogar uma partida de vídeo-game?
-Eita pai, depois reclama que está gordinho. Mas eu fico com o controle 1.





Oficialmente hoje é o aniversário do D'propósito, essa cria sem pai. O ano passado, nesta mesma data, escrevi aqui tudo sobre o meu rebento, lhe dando os parabéns pela existência e contando os detalhes do dia em que eu o pari. Hoje o D'propósito faz vida, dois anos respirando cotidiano e inspirando palavra, poesia, ficção e casos do dia a dia. E mais do que o aniversário de hoje, essa é a postagem número 300 deste blog que adora festejar, e como já anunciei, a comemoração será dia 28/08 como mostra o convite ao lado, ou também, em posts abaixo.
Então, até lá.

Axé, saravá, sorrisos largos e amem.

8 de agosto de 2009

Amor barata.

É barata mesmo, não é barato não. Descobri dias atrás sobre o amor que você pisa, pisa, pisa tanto, que sai meleca
.
.
.
.
Eca.

ps. O aniversário do D'propósito está chegando, a festa é dia 28 deste mesmíssimo mês. Então, não vai perder !

6 de agosto de 2009

Que seja eterno enquanto dure

A pedidos de agora e de antes eu decidi escrever sobre o velho e moderno matrimonio. É, o casamento e de preferência com festa. Seja na igreja, ou na capela, de dia ou de noite, no campo ou no jóquei club a finalidade é uma só: satisfazer a vontade da mulher de se vestir e ter o dia de noiva, mostrar o contrato assinado e a nova posse adquirida para a sociedade e, naturalmente, com tudo isso, gastar dinheiro. O casamento, como tantas outras festas, é feito para os outros.

Diz-me, de coração, você caro leitor casado que fez festa de casamento, o quanto se divertiu e aproveitou ? Isso proporcional ao valor gasto. Está certo, isso parece meio mesquinho. Talvez seja. Ou coisa de mulher desiludida, o que não é, não. Mas explico.

Casamento, é uma ocasião feliz, por menos ou mais amor que possa haver entre os noivos a intenção é boa. Reúne a família e você conhece primos que não sabia que tinha, revê amigos e as desesperadas fazem piadas de sua própria solteirice e morrem de inveja de ainda não ter um cara possível para arrastar para o altar.

Em minhas poucas duas décadas de vida até hoje só vi mulher desesperada pra casar. Nunca vi um homem realmente animado com o matrimonio. Tem noivo que até acha legal, mas no fundo, já que é pra viver junto, preferia começar a morar junto e pronto. Sem precisar de arroz de festa e buffet para 500 convidados. Mas a vontade é da noiva, e no final, com charme, autoridade ou renda fixa mais alta, a mulher é que manda, isso quando o cara não foge da luta do matrimonio ao ter o seu amor pedindo/ exigindo o casamento.

Quando era uma aprendiz de mulherzinha, menor do que sou hoje, isso lá pelos 16 anos, uma professora me dizia.

- Meu casamento, como todos os outros, é um contrato.

Aquilo me intrigou de uma maneira que respondi com toda a sinceridade,

- Já que é só um contrato, por que não separa ?
- No dia que eu me casei eu assinei um contrato, com clausulas, como qualquer outro contrato. No entanto, isso não significa que eu seja infeliz.

Eu achava aquilo muito contraditório, era a frieza de um acordo X a paixão e o amor, ou como for o sentimento que faz duas pessoas se unirem no ‘para sempre’.
Mas depois, ponderando, raciocinado e comparando as relações humanas, pensei: o que não é o amor e a paixão, ou qualquer sentimento que valha, senão um acordo. Sempre em toda relação existe um acordo, nada que precise de um papel e uma caneta para comprovar. Bastam olhos, bocas, palavras e confiança pra criar as cláusulas de um contrato que é feito naturalmente.

Padre, igreja, juramento e festa é o costume que a sociedade religiosa impôs e perpetuou nas gerações, principalmente no gênero feminino. Mas isso tudo, hoje em dia, com os casamentos modernos, o matrimonio de padre-igreja-juramamento-festa está mais pra fetiche de posse, do que pra tradição eternizada.

Mas isso não é uma total crítica aos casamentos e casados, porque eu como uma boa mulherzinha admito que desejo casar com direito a tudo e mais um pouco. Muito pela festa, é claro. Mas na vontade do matrimonio não sei se quero ter só um marido, por um motivo simples: acho que o pra sempre é tempo demais. Prefiro acreditar no Vinicius de Moraes, em Soneto de Separação ao eternizar escrevendo “posto que é chama, que seja eterno enquanto dure”.

E que assim seja, eterno, enquanto dure.


Eis aqui um vídeo que já rodou a internet de um casamento bem diferente e dançante, eu diria.

30 de julho de 2009

Eu sou legal e tô te dando mole

Apesar de pouco diário, minha retina, tímpanos e antena se mantém ligados para o cotidiano vim parar aqui. E conversa dos outros eu escuto mesmo, principalmente quando o transporte é público, a história também é. Então tá certo. Foi numa conversa entre amigos já iniciada que cheguei e me autorizei ouvir a garota que fazia uma reclamação para o amigo, procurando respostas. E, no fundo, às vezes, um homem pode ajudar mais que dez amigas juntas. Mesmo que seja para alimentar o ego.


E foi no balanço do metrô que a menina, balançada por alguma paixãozinha, com pouca esperança e bastante indignada, indaga:


- Eu sou legal, informada, descolada e não sou burra. Porque ainda assim os caras só querem me comer ?


E o amigo com muita naturalidade responde:


- Porque você é legal e linda.

- Ok, eu tenho espelho em casa...


ele ri, e ela continua.


... Mas se eu sou legal eles podiam me levar mais a sério, não ?


E realmente sério ele responde.


- Ah, sim. Isso sem dúvidas.


E quase brava e bastante expressiva ela debate.


- Então, eu não entendo porque não me levam a sério, eu não entendo, não entendo mesmo !

- Mas a culpa não é sua, são dos homens...

- Eu sei ! Mas quem perde sou eu...

- Que nada, é só você não liberar.

- Também acho, mas da mesma forma que eu não libero, eu fico e continuo solteira, e não é solteira por estar solteira que falo, quando digo solteira é meses a fio sem... você me entende!

- Tá certo, quer namorar comigo ? Eu sou legal também.


E como todo homem faria depois desse pedido/cantada ele riu quase que encantadoramente e ela o lembrou.


- Leo, você é casado !

- Ah, é.



A minha estação chegou e, por ela, em pensamento eu respondi, “homens...”

Do dilema que a garota vive outras tantas e milhões também passam. E mesmo respondendo ironicamente em pensamento, acho mesmo que eles são parecidos, mas não são iguais, então, não dá pra usar de um único método com todos. A alternativa pra viver é correr o risco, seja cedendo ou ‘não liberando’, como disse o tal Leo.




27 de julho de 2009

Força de vontade


Pensar é algo que me custa força. E eu não falo de esforço físico ou energia.Falo do que é pensar em qualquer coisa que não seja em você.

26 de julho de 2009

Caso bipolar

Alguém chame um médico
Temos um caso de amor bipolar
Estou presa em uma montanha russa
E não consigo descer
Você muda de idéia
Como uma garota troca de roupas

Katy Perry

25 de julho de 2009

Olha a barriguinha

Quando eu tinha que gostar de vestido e saia, eu gostava só de calça e shorts, com medo de mostrar as ‘cocinhas’, como conta minha mãe quando eu tentava dizer calcinha, ainda com três ou quatro anos. Quando era pra eu gostar de bonecas, eu amava jogar bola e videogame, mas me frustrei mesmo foi em nunca ter conseguido rodar um pião decentemente. Quando as meninas do colégio começaram a namorar, eu ainda jogava bola. Enquanto elas se maquiavam eu comecei adquirir a ideia de trocar de brincos frequentemente. Enquanto as meninas só tinham amigas mulheres, eu já tinha amigos homens heteros e gays. Enquanto as mulheres gostam de homens quase-perfeitos, barriga e corpo em ordem, eu gostei dos gordinhos, sem preconceito nenhum. Talvez eu tenha passado maior parte da vida andando na contramão, mas eu me encontrei mesmo foi no vídeo abaixo, que minha pior-melhor-amiga @allineee e eu rimos até doer à barriga. Muito talvez por termos nos identificado cada um com seu personagem. E ainda êxtase eu disse:

- Meu, quando eu morrer põe esse vídeo no meu enterro para as pessoas rirem.

Ela ficou brava e desligou o telefone. Então se eu morrer e ela não fizer isso, alguém faz por mim. E quanto ao vídeo talvez não seja TÃO engraçado assim, mas ele é tosco, e eu também sempre adorei as coisas toscas, até quando as meninas gostavam das coisas bonitinhas.

21 de julho de 2009

É festa, de novo !

Tem festa do pijama, festa à fantasia, do farol, junina, da firma e do blog ! É, isso mesmo. Sempre que digo para as pessoas que estou fazendo, de novo, a festa do blog, eu escuto:

- Mas festa de aniversário de blog ?


Eu também nunca vi, por isso que criei, acho. Uaérevaa. O importante é que tem festa, e como na Bahia e a alma da autora que vos escreve, arranjei mais um motivo pra festejar e escrever. Por que a festa também é D'propósito para não deixar o caderno em branco. Por isso a gente faz festa e escreve fanzine, prepara show, convida poeta e canta com a Roberta. Eita que até rimou, e isso tá parecendo anúncio de Marcelino Freire, que pra ele também não vai faltar convite.

Mas além de Roberta Campos, tem mais. Tem seis pretextos para a tristeza não se exercer com o samba e choro de Seis Sextos, banda das bandas de Vinicius, Cartola, Bezerra, Vanzolini e outros do morro e do asfalto carioca, paulista e baiano.


E não é só, Dandy - o poeta cantador, vai dar o ar da sua graça e poesia. Ai que tem muita coisa esse ano. A festa será fechada, única e exclusiva para o D' propósito, mas aberta para quem quiser chegar, por que assim como o blog, as portas e janelas estão sempre abertas, é chegar e ficar à vontade. A festa é nossa, porque eu não escrevo pra ninguém.


Axé, saravá, sorrisos largos e até lá. Amem.

Aqui o convite com todas as informações úteis e necessárias. Clique na imagem para ver maior.

ps. e eu não preciso dizer a você, anônimo, leitor que eu não conheço, leitor que não deixa comentário, leitor de outro estado, de outro páis e leitor amigo que estão todos, de todos os cantos, convidados. E quem não é leitor e está aqui pela primeira vez também. :)

19 de julho de 2009

Condição

Eu só volto pra você se for pra ficar.
Se for pra ir e voltar, de novo, como movimentos repetidos, eu não volto.
Então, só retorne com uma condição:
a de não me deixar, mais uma vez, só e só de paixão.



15 de julho de 2009

Lugar na mesa

Acho que nunca reclamei antes, mas como a maioria das pessoas eu odeio praça de alimentação lotada. Não, na verdade eu odeio praça de alimentação. Prefiro um lugar fechado, um restaurante e, também, de preferência, que não esteja lotado. Desde que comecei a me achar gente grande notei meu espírito de velha, e com o tempo, com os amigos, os casos, desamores e companhias mais velhas, essa minha preterição a muvuca, praça de alimentação, restaurantes abarrotados e ambientes do gênero só acentuou.


Lugar onde dividir cada metro quadrado de chão e mesa é precioso, é no boteco.Claro, só o boteco permite o desconforto, a risada da mesa ao lado que atravessa e mistura-se com a sua, a demora pela porção e a rapidez e qualidade da cerveja gelada. Boteco não tem frescura, qualquer tema é assunto pra manga, todo papo é bem vindo e, na maioria das vezes, sacanagem é a pauta principal. Boteco é hobby pra se dividir com os amigos e filosofar sobre o que não vemos sem algumas doses de álcool.


O bar é o ambiente onde as metáforas se encontram e metaforizar, nesse caso, é o resultado do preenchimento de um caderno em branco, ou a visão de um olho dilatado. Entre um boteco e outro foi que reparei porque não gostava da muvuca da praça de alimentação e a fila de espera de um restaurante. As mesas ocupadas, como a vida e as relações, são espaços já preenchidos.

Eu não sei dizer quais mesas são melhores, ou acentos mais confortáveis, mas disputar lugar ou uma brecha na mesa, pra qualquer que seja a refeição, eu nunca gostei. O jogo da disputa, ou a paciência de esperar nunca coube a minha fome desenfreada de comer antes que a comida esfrie, ou o apetite passe. Assim como num restaurante cheio, quando a mesa está ocupada eu vou ao restaurante da frente ou no boteco ao lado, até encontrar o ambiente, a mesa e o acento vazio, sem precisar dividir.

Talvez seja egoísta ou egocêntrica demais, mas gosto de espaços desocupados, que são preenchidos só por mim, sem precisar tirar ou competir com ninguém. Eu só sento em uma mesa ocupada quando me convidam e ainda assim, peço licença.

Procuro mesa vazia pra não pleitear atenção, pra ter certeza do que pode ser meu. Já dividi mesa, talher, bebida e alegria com estranhos por muito tempo e por falta de espaço. Agora, eu quero uma mesa só pra mim, e de preferência, com muitos acentos, para todos que forem chegando.

10 de julho de 2009

O verdadeiro apaixonado

Para a amiga que precisa



Nós os apaixonados, e não falo dos apaixonados que se recuperam na primeira noite ou segunda semana. Descrevo os loucamente apaixonados, os viciados nesse afeto violento, ardente e viciante, que a cada dose o corpo é tomado pelo efeito de acreditar cegamente. De ver beleza na completa imperfeição, de experimentar o amargo acreditando no futuro tão planejado, e de desejar que todo dia seja o primeiro, como a sensação da novidade do peito pulsando forte no primeiro beijo, no primeiro toque, no primeiro olhar, até a última risada.


Os verdadeiros apaixonados se drogam desse afeto sem medo do efeito. Olham pro infinito e têm a felicidade instantânea. E como o infinito é muito longe, o ‘pra sempre’ é demais e o ‘nunca’ é muito tempo, um apaixonado só se torna um verdadeiro apaixonado quando é deixado pelo amor da sua vida. Não, não é exagero, o verdadeiro apaixonado gosta, seduz e ama como se fosse o último e o primeiro. Sobrevive na dor que dá no peito e estende por todo o corpo. A única parte resistente à dor é o fio do cabelo que está morto e não dói quando cai.


Um verdadeiro apaixonado como um dependente químico não é capaz de largar sua droga se não houver tratamento, se não for medicado por doses fortes de alegria, injeção de novidade e companhia de amigos. Um verdadeiro apaixonado passa por um longo tratamento, mas como um bom e grande apaixonado logo se vicia de novo, pra deixar de ser um ser vivente e então viver, de novo, intensamente a paixão que não será a última nem a primeira.

30 de junho de 2009

A seta e o alvo

Na brincadeira de caça e caçador Celeste acabou na jogatina de procurá-lo em outros homens, em outros amores. Procura, faz teste, seleciona, crê que encontra, se engana e não acha ninguém com o talento de seduzir pela fala, de ser engraçado com a piada sem graça, de ser o músico meia-boca-de-mão-cheia, de ser chato, insuportável e mesmo assim amável. Celeste o procura em alguém, e nele ela se encontra. Mas para contrariar, ele sempre se perde na linha paralela oposta a dela. Nunca compreendeu exatamente a matemática e a geometria, mas se lembra bem que linhas paralelas não se cruzam, e acredita mesmo, que o esbarrão foi só um erro do traço de quem escreveu e desenhou a seta como a reta, e o alvo como ela.





Voz e violão de Roberta Campos! E aguardem a moça na festa de dois anos do D'propósito.

28 de junho de 2009

Black or White



Quando era pequena me intrigava saber por que minha avó era preta e eu era branca. Isso se minha cor-amarelo-miojo pode ser considerada branca. Naturalmente descobri depois que a nossa raça era uma questão de gêneses. Mas o que me deixou mais intrigada ainda foi lá pelos cinco anos, quando descobri que o Michael Jackson não era um branco-café-com-leite como eu o conheci, e sim preto! Eu sabia que a minha diferença para minha avó era de gênese e o dele nunca consegui saber qual foi o tratamento ao certo que clareava a pele daquele moreno cheio de gingado negro. Minha mãe dizia que era o vitiligo, doença que despigmenta e clareia a pele com manchas. Mas eu nunca vi vitiligo que manchasse por inteiro, como aconteceu com Michael.

Meu pai,na época, um colecionador de LP’s e fã do rei do pop, tinha alguns discos do astro que marcou minha infância e a do meu irmão branco, mas que sempre apelidado de negão, pelo nariz e boca grande. Ou seja, a mistura do preto e o branco estiveram presentes na minha infância, com a minha avó, o Michael e meu irmão. Três figuras que passaram tardes inteiras comigo.
Enquanto Michael Jackson rodava na vitrola, meu irmão e eu brincávamos de imitar a figura mais polêmica do pop, com o passo Moon Walk, aquela em ele desliza os pés no chão e anda para trás. Sem falar nos gritinhos “au!”, “Ooh” (não sou muito boa para onomatopéias) e claro, aquela pegada na região intima, que nele fica até sexy. A música Black or White marcou boa parte da minha infância e a convivência com o meu pai.

Quinta, no final da tarde, quando começou a se falar no falecimento de Michael Jackson na redação da TV Cultura, eu achei que era piada, até ver na CNN. Ele era o tipo de figura que parecia imortal. Na hora, eu não fiquei chocada com a morte dele, a ficha começou a cair agora, dias depois com todos esses especiais que estão passando na TV.

Ainda que todo o clareiamento da pele tenha sido só pelo vitiligo, ou ainda que ele tenha insistido pela mudança de cor e raça, o sangue e o gingado preto corria na sua veia, e não há vitiligo, cirurgia plástica ou remédio que tire o suing de um preto. Há pouco mais de um mês entrevistando Patrícia Palumbo ela disse que, “ninguém faz música como os pretos” e eu concordo.

Em todo lugar já foi escrito, falado e comprovado que o popstar mudou a forma de se fazer videoclipe, de se fazer à música pop. Na canção que dá título a este post, Michael Jackson cantou que ‘não importa se você é preto ou branco’ e dentro do artista que ele foi, com o legado que deixou para música pop e deixando as extravagâncias e escândalos pessoais de lado, não importa se Michael foi preto ou branco, ele fez a sua história como artista e tem para sempre o posto de rei do pop.


22 de junho de 2009

apenas o fim

"Tudo terminou ontem e parece que hoje somos apenas dois desconhecidos que dividiram a mesma cama"





Frase adaptada e inspirada no filme de Matheus Souza ". apenas o fim."

Adiante

foto: Thiago Santana



Não fique pensando em mim, que mesmo distante, eu consigo sentir o seu desejo de voltar. E voltar, nesse caso, é dar um passo para trás. E na minha vida a marcha ré não engata.
Agora mesmo vou de bicicleta, e não me chame, não me tire a atenção. Olhar para frente é o único modo de não desequilibrar.

19 de junho de 2009

Recado

Sim, o blog ainda existe, a dona é que anda ausente por força maior de cansaço, falta de tempo e, claro, preguiça.
Mas agora, além de ausente vou ser também precipitada. Passava por uma dúvida nos últimos meses para saber se faria ou não a festa de dois anos do D’propósito. Talvez esteja falando uma grande besteira e volte atrás em algum momento, mas vou começar a me meter nessa enrascada de novo. A festa do primeiro ano deu nisso ! Agora vamos ver o que será dos dois anos de puro propósito de vida.

Não preciso nem dizer que aceito sugestões e ajuda de toda parte.
Aproveita e já anota aí: a festa este ano será no dia 08/08. Não vai perder, hein ?!

Axé, saravá e sorrisos largos.

2 de junho de 2009

Outono

Num dia frio de 9º C, ficamos mais elegantes, mais europeus. E nos protegemos do vento gelado que sopra o clima outonal do mês de junho. Mas como só o outono pode soprar, de modo que, as folhas caiam, o céu fique mais azul, o sol brilhe forte e as perguntas aqueçam, os Olhos Verdes perguntam:


- O que você vai querer de dia dos namorados ?

E os Olhos Castanhos respondem

- Um namorado.


Depois disso as cores dos olhos se misturam e a história vira novela.

25 de maio de 2009

Ele não é tão sensacional assim, nós é que somos.

Sempre existe uma época na vida de um grupo de amigas que todas, por alguma razão não muito feliz, estão solteiras. Este é o momento que minhas amigas de infância e eu passamos. Somos solteiras e ainda felizes, mas claro, choramos nossas pitangas por falta de homem. Ou melhor, choramos não, rimos deles, do que eles fazem, de como cada um é e, rimos também, de como sempre vivemos moderadamente apaixonadas.
Toda mulher por mais durona que seja está sempre envolvida e pensando no flerte, no pretê ou até no ficante, isso para as solteiras. As compromissadas estão dois ou três passos à frente.
Mas pior que pensar numa pequena paixão é ficar com a velha naufragada nos pensamentos. E o que acontece muito num encontro das velhas amigas é comentar tudo sobre o carinha que era tão sensacional

- Ei, Camila, acorda, ele não é nada sensacional !
Diria Renata ou Taynã intervindo no meu pensamento e texto agora.

Certo, ele não é agora, mas já foi fofo, romântico, especial e apaixonante e continua lindo.

- Camila, ele é gordo. Ele não é lindo.
De novo aparece Renata e Taynã e eu as mando calar para que eu possa continuar.


O grande problema de nós mulheres, ou das pessoas apaixonadas está aí: a memória de peixe e a visão de cachorro. Nunca vêem completamente os defeitos horrorosos do apaixonado e esquecem as maiores falhas cometidas d’propósito pelo rapaz.
E pra isso servem as amigas de infância e até as amigas mais recentes. Pra lembrar que ele não vale nada. E por um minuto você se convence disso. Isso até a janela do MSN dele subir ou você cruzar com ele na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê.

Contando que às vezes um minuto pode ter menos de 60 segundos na memória feminina, um cafajeste tem grandes chances. Eu, por exemplo, nunca compreendi o cérebro feminino ou dos apaixonados, mas acho mesmo que essa tarefa o Globo Repórter ou o Fantástico poderia descobrir e me ajudar a desvendar o porquê, quando apaixonados, esquecemos tudo de ruim que um fulano fez e lembramos só, apenas e somente, do café da manhã que ele preparou pra você, as flores que mandou, as palavras bonitas que escreveu e, se for músico, a música que fez e tocou pra você. É sempre assim. Você o odeia em um minuto e três adiante se derrete esquecendo o quão completo idiota ele o é.
Então descobri onde é que a esperança feminina mora: na memória de peixe. E mora também nos momentos doces e nas noites inesquecíveis, afinal, me parece que é só isso que fica quando você ainda não está preparada para esquecê-lo, ou simplesmente não quer. Aí vem aquelas amigas e dizem.

- Se você sair com ele de novo, esqueça, não fale com a gente. Ele é um imbecil, feio e não te merece.

E no primeiro minuto você está convencida. O problema é o minuto seguinte e como você educa seu cérebro para esquecer ou lembrar o que, agora, é melhor não recordar.


O melhor de tudo é que um dia com as amigas de infância tudo vira piada. Até a paixão de hoje, que ontem foi o menino pelo qual nós demos o primeiro beijo.



Taynã, Renata e Camila.
12 anos juntas trilhando caminhos diferentes, que se encontram.

22 de maio de 2009

Cômodo

Atrás da porta tem o futuro. Dentro do quarto o tempo está parado, o que respira são as músicas do rádio relógio que não correm os segundos e que tocam de alguma forma o tempo, que parado, faz presente. O vento ameaça abrir a porta, mas sopro nenhum é forte suficiente para mover a maçaneta que dá passagem para o futuro, é preciso mãos e coragem. Implacavelmente o vento que tenta abrir a porta é o mesmo que fecha. Portas só servem para serem trancadas quando há certeza. E não existe mais incerteza do que o futuro lá fora e o tempo presente aqui dentro.

13 de maio de 2009

Doce de pimenta

O primeiro sentido do corpo é a boca. Antes dela nenhuma palavra faz sentido, nenhum sabor ganha gosto e nenhum paladar tem o poder de reconhecer o doce, o salgado, o ardido, ou tudo junto e misturado. Os outros quatro sentidos do corpo - olfato, tato, visão e audição - é o que vem depois, é só a reação da ação que o nosso paladar escolhe entre degustar ou engolir a vida que devoramos pela boca. E como cada vida tem um sabor, quem disse que pimenta não pode ser doce ?




Doce de pimenta, pra mim, é o prato cheio. Cheio de sabor e sentidos.

6 de maio de 2009

Leite derramado

Eu nunca lhe quis perfeito, gostei mesmo foram das suas imperfeições, o seu modelo fora do padrão e o jeito como me deixava sem tatos, com a sua mão, voz e presença. Nunca precisou falar muito, aprendi a conhecer-lhe pelo modo que mexia nos cabelos e mastigava o chiclete. Seus passos sempre foram os mesmos, calmos, lentos. Mesmo com pressa nunca te vi correr, talvez porque nunca precisou usar dos passos largos, usou do sorriso e carisma pra segurar o tempo. Naturalmente, ele (o tempo) não parava, mas com você ele andava mais devagar.
E foi no meio tempo entre você passar e ficar que eu fiquei. Fiquei com a sua imperfeição que não é minha, vesti a tendência das suas palavras estúpidas, e me despi diante da verdade. Gritei suas deficiências que, talvez, no fundo, eu não gostasse. Eu só me acostumei a lhe ter imperfeito, a lhe ter de qualquer jeito. E enquanto eu fiquei, você foi, com o tempo que te espera, mas que eu não aguardo mais.

2 de maio de 2009

Se Vira !

Mais uma vez e em sua quinta edição acontece a Virada Cultural aqui em São Paulo. Para os leitores que propositam e não são da terra da garoa, a virada nada mais é do que 24 horas de cultura espalhada por toda a cidade. Com música, dança, teatro, circo e cinema. Tem cultura para todos os gostos, do brega ao erudito. Agora mesmo saio de casa para aproveitar alguns shows dessa edição.
Para quem vai ficar em casa, ou não é da cidade, acompanhe a virada ao vivo pelo site da TV Cultura clicando aqui. E fique ligado que a firma do Padre - como também é conhecida a Fundação Padre Anchieta - fará link a cada uma hora na TV.
Amanhã eu trabalho e estarei no link do palco São João, com show de Zeca Baleiro, Novos Baianos e Maria Rita.
Então se vira aí, mas não perde a Virada, não.

Axé, saravá e sorrisos largos.

23 de abril de 2009

Modéstia

A linha que o faz deixar de ser modesto para se tornar pretensioso é tênue. Já ouvi que não fui (e não sou) nada modesta e já deixei de falar sobre um talento qualquer para ser modesta. Às vezes calar vale mais do que falar. O tempo mostra a proporção de um talento, a quantidade de modéstia e o abuso da pretensão. Mas, melhor que o tempo, só as explicações que Schopenhauer escreveu sobre a falta de modéstia. Eu me acho na função de não ser nada modesta e concordar em qualidades, méritos e virtudes com o que o filosofo proclamou:

"Quem fez da modéstia uma virtude esperava que todos passassem a falar de si próprios como se fossem idiotas.

O que é a modéstia senão uma humildade hipócrita, através da qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não têm?"



Modéstia a nossa.

20 de abril de 2009

Sem acento !

Estou há uma semana sem escrever nada. Os acentos do meu teclado fugiram. Já configurei, limpei, rezei e não tive nenhum resultado positivo. O jeito, pelo visto, será comprar outro. Por isso não derramei nenhuma letra por aqui. E as palavras acentuadas agora eh o corretor do word que realiza por mim as ordens que meus dedos imprecisos despejam no teclado e ele não obedece.
Sem os acentos eu perdi a vontade de escrever, mas não de me inspirar. Crônicas e texto de ficção estão na ponta do lápis, acompanhado pela boa musica da Delicatessen, que há duas semanas, mais ou menos, eu não paro de escutar e na quinta-feira foi pauta do Metropolis, da TV Cultura.
A banda Delicatessen eh a soma de jazz e bossa nova. Pra escutar as musicas clique aqui. E pra ver, assista abaixo a matéria que foi ao ar.

Axé, sarava e sorrisos largos – sem acento, por enquanto ;)