D'propósito

30 de julho de 2009

Eu sou legal e tô te dando mole

Apesar de pouco diário, minha retina, tímpanos e antena se mantém ligados para o cotidiano vim parar aqui. E conversa dos outros eu escuto mesmo, principalmente quando o transporte é público, a história também é. Então tá certo. Foi numa conversa entre amigos já iniciada que cheguei e me autorizei ouvir a garota que fazia uma reclamação para o amigo, procurando respostas. E, no fundo, às vezes, um homem pode ajudar mais que dez amigas juntas. Mesmo que seja para alimentar o ego.


E foi no balanço do metrô que a menina, balançada por alguma paixãozinha, com pouca esperança e bastante indignada, indaga:


- Eu sou legal, informada, descolada e não sou burra. Porque ainda assim os caras só querem me comer ?


E o amigo com muita naturalidade responde:


- Porque você é legal e linda.

- Ok, eu tenho espelho em casa...


ele ri, e ela continua.


... Mas se eu sou legal eles podiam me levar mais a sério, não ?


E realmente sério ele responde.


- Ah, sim. Isso sem dúvidas.


E quase brava e bastante expressiva ela debate.


- Então, eu não entendo porque não me levam a sério, eu não entendo, não entendo mesmo !

- Mas a culpa não é sua, são dos homens...

- Eu sei ! Mas quem perde sou eu...

- Que nada, é só você não liberar.

- Também acho, mas da mesma forma que eu não libero, eu fico e continuo solteira, e não é solteira por estar solteira que falo, quando digo solteira é meses a fio sem... você me entende!

- Tá certo, quer namorar comigo ? Eu sou legal também.


E como todo homem faria depois desse pedido/cantada ele riu quase que encantadoramente e ela o lembrou.


- Leo, você é casado !

- Ah, é.



A minha estação chegou e, por ela, em pensamento eu respondi, “homens...”

Do dilema que a garota vive outras tantas e milhões também passam. E mesmo respondendo ironicamente em pensamento, acho mesmo que eles são parecidos, mas não são iguais, então, não dá pra usar de um único método com todos. A alternativa pra viver é correr o risco, seja cedendo ou ‘não liberando’, como disse o tal Leo.




27 de julho de 2009

Força de vontade


Pensar é algo que me custa força. E eu não falo de esforço físico ou energia.Falo do que é pensar em qualquer coisa que não seja em você.

26 de julho de 2009

Caso bipolar

Alguém chame um médico
Temos um caso de amor bipolar
Estou presa em uma montanha russa
E não consigo descer
Você muda de idéia
Como uma garota troca de roupas

Katy Perry

25 de julho de 2009

Olha a barriguinha

Quando eu tinha que gostar de vestido e saia, eu gostava só de calça e shorts, com medo de mostrar as ‘cocinhas’, como conta minha mãe quando eu tentava dizer calcinha, ainda com três ou quatro anos. Quando era pra eu gostar de bonecas, eu amava jogar bola e videogame, mas me frustrei mesmo foi em nunca ter conseguido rodar um pião decentemente. Quando as meninas do colégio começaram a namorar, eu ainda jogava bola. Enquanto elas se maquiavam eu comecei adquirir a ideia de trocar de brincos frequentemente. Enquanto as meninas só tinham amigas mulheres, eu já tinha amigos homens heteros e gays. Enquanto as mulheres gostam de homens quase-perfeitos, barriga e corpo em ordem, eu gostei dos gordinhos, sem preconceito nenhum. Talvez eu tenha passado maior parte da vida andando na contramão, mas eu me encontrei mesmo foi no vídeo abaixo, que minha pior-melhor-amiga @allineee e eu rimos até doer à barriga. Muito talvez por termos nos identificado cada um com seu personagem. E ainda êxtase eu disse:

- Meu, quando eu morrer põe esse vídeo no meu enterro para as pessoas rirem.

Ela ficou brava e desligou o telefone. Então se eu morrer e ela não fizer isso, alguém faz por mim. E quanto ao vídeo talvez não seja TÃO engraçado assim, mas ele é tosco, e eu também sempre adorei as coisas toscas, até quando as meninas gostavam das coisas bonitinhas.

video

21 de julho de 2009

É festa, de novo !

Tem festa do pijama, festa à fantasia, do farol, junina, da firma e do blog ! É, isso mesmo. Sempre que digo para as pessoas que estou fazendo, de novo, a festa do blog, eu escuto:

- Mas festa de aniversário de blog ?


Eu também nunca vi, por isso que criei, acho. Uaérevaa. O importante é que tem festa, e como na Bahia e a alma da autora que vos escreve, arranjei mais um motivo pra festejar e escrever. Por que a festa também é D'propósito para não deixar o caderno em branco. Por isso a gente faz festa e escreve fanzine, prepara show, convida poeta e canta com a Roberta. Eita que até rimou, e isso tá parecendo anúncio de Marcelino Freire, que pra ele também não vai faltar convite.

Mas além de Roberta Campos, tem mais. Tem seis pretextos para a tristeza não se exercer com o samba e choro de Seis Sextos, banda das bandas de Vinicius, Cartola, Bezerra, Vanzolini e outros do morro e do asfalto carioca, paulista e baiano.


E não é só, Dandy - o poeta cantador, vai dar o ar da sua graça e poesia. Ai que tem muita coisa esse ano. A festa será fechada, única e exclusiva para o D' propósito, mas aberta para quem quiser chegar, por que assim como o blog, as portas e janelas estão sempre abertas, é chegar e ficar à vontade. A festa é nossa, porque eu não escrevo pra ninguém.


Axé, saravá, sorrisos largos e até lá. Amem.

Aqui o convite com todas as informações úteis e necessárias. Clique na imagem para ver maior.

ps. e eu não preciso dizer a você, anônimo, leitor que eu não conheço, leitor que não deixa comentário, leitor de outro estado, de outro páis e leitor amigo que estão todos, de todos os cantos, convidados. E quem não é leitor e está aqui pela primeira vez também. :)

19 de julho de 2009

Condição

Eu só volto pra você se for pra ficar.
Se for pra ir e voltar, de novo, como movimentos repetidos, eu não volto.
Então, só retorne com uma condição:
a de não me deixar, mais uma vez, só e só de paixão.



15 de julho de 2009

Lugar na mesa

Acho que nunca reclamei antes, mas como a maioria das pessoas eu odeio praça de alimentação lotada. Não, na verdade eu odeio praça de alimentação. Prefiro um lugar fechado, um restaurante e, também, de preferência, que não esteja lotado. Desde que comecei a me achar gente grande notei meu espírito de velha, e com o tempo, com os amigos, os casos, desamores e companhias mais velhas, essa minha preterição a muvuca, praça de alimentação, restaurantes abarrotados e ambientes do gênero só acentuou.


Lugar onde dividir cada metro quadrado de chão e mesa é precioso, é no boteco.Claro, só o boteco permite o desconforto, a risada da mesa ao lado que atravessa e mistura-se com a sua, a demora pela porção e a rapidez e qualidade da cerveja gelada. Boteco não tem frescura, qualquer tema é assunto pra manga, todo papo é bem vindo e, na maioria das vezes, sacanagem é a pauta principal. Boteco é hobby pra se dividir com os amigos e filosofar sobre o que não vemos sem algumas doses de álcool.


O bar é o ambiente onde as metáforas se encontram e metaforizar, nesse caso, é o resultado do preenchimento de um caderno em branco, ou a visão de um olho dilatado. Entre um boteco e outro foi que reparei porque não gostava da muvuca da praça de alimentação e a fila de espera de um restaurante. As mesas ocupadas, como a vida e as relações, são espaços já preenchidos.

Eu não sei dizer quais mesas são melhores, ou acentos mais confortáveis, mas disputar lugar ou uma brecha na mesa, pra qualquer que seja a refeição, eu nunca gostei. O jogo da disputa, ou a paciência de esperar nunca coube a minha fome desenfreada de comer antes que a comida esfrie, ou o apetite passe. Assim como num restaurante cheio, quando a mesa está ocupada eu vou ao restaurante da frente ou no boteco ao lado, até encontrar o ambiente, a mesa e o acento vazio, sem precisar dividir.

Talvez seja egoísta ou egocêntrica demais, mas gosto de espaços desocupados, que são preenchidos só por mim, sem precisar tirar ou competir com ninguém. Eu só sento em uma mesa ocupada quando me convidam e ainda assim, peço licença.

Procuro mesa vazia pra não pleitear atenção, pra ter certeza do que pode ser meu. Já dividi mesa, talher, bebida e alegria com estranhos por muito tempo e por falta de espaço. Agora, eu quero uma mesa só pra mim, e de preferência, com muitos acentos, para todos que forem chegando.

10 de julho de 2009

O verdadeiro apaixonado

Para a amiga que precisa



Nós os apaixonados, e não falo dos apaixonados que se recuperam na primeira noite ou segunda semana. Descrevo os loucamente apaixonados, os viciados nesse afeto violento, ardente e viciante, que a cada dose o corpo é tomado pelo efeito de acreditar cegamente. De ver beleza na completa imperfeição, de experimentar o amargo acreditando no futuro tão planejado, e de desejar que todo dia seja o primeiro, como a sensação da novidade do peito pulsando forte no primeiro beijo, no primeiro toque, no primeiro olhar, até a última risada.


Os verdadeiros apaixonados se drogam desse afeto sem medo do efeito. Olham pro infinito e têm a felicidade instantânea. E como o infinito é muito longe, o ‘pra sempre’ é demais e o ‘nunca’ é muito tempo, um apaixonado só se torna um verdadeiro apaixonado quando é deixado pelo amor da sua vida. Não, não é exagero, o verdadeiro apaixonado gosta, seduz e ama como se fosse o último e o primeiro. Sobrevive na dor que dá no peito e estende por todo o corpo. A única parte resistente à dor é o fio do cabelo que está morto e não dói quando cai.


Um verdadeiro apaixonado como um dependente químico não é capaz de largar sua droga se não houver tratamento, se não for medicado por doses fortes de alegria, injeção de novidade e companhia de amigos. Um verdadeiro apaixonado passa por um longo tratamento, mas como um bom e grande apaixonado logo se vicia de novo, pra deixar de ser um ser vivente e então viver, de novo, intensamente a paixão que não será a última nem a primeira.