17 de maio de 2010

Única apresentação

Deixei para última hora, eu sei. Mas ainda dá tempo. É amanhã, às 21h a peça Impasses da Consciência, no Teatro Brigadeiro.
Para os leitores que gostam do D'propósito eu aviso que tem texto meu e bem, participação minha também.
Se puder vá conferir minha brincadeira de dramaturga e atriz. Na Bilheteria diga que é meu convidado, a entrada é R$ 15.

Sorrisos largos e nos vemos lá, certo ?



10 de maio de 2010

Esquimó

Fiquei curiosa em descobrir qual é o nome.
E por três minutos quis que o nome fosse meu.
Depois, queria um nome pra desejar assim.
Agora, quero o livro.


3 de maio de 2010

A culpa



Dizer o que pensa tem sempre um preço. Dizer o que pensa quando se tem raiva é pagar a prazo uma culpa. Qualquer que seja ela. A Culpa é o arrependimento pesando no ombro, nas costas, na consciência. E qual o jeito de se livrar da presença constante desse sentimento que parece uma entidade que perturba ? É pedir desculpas ? É culpar o outro ? É reparar ? É não dizer nada ?
A culpa não berra feito os gritos de fúria, ela silencia pra castigar e esmagar você até gritar.


- DESCULPA, A CULPA FOI MINHA !


Ainda que não seja ou não haja culpados declarados o destino trata de bordar, ponto a ponto, os impulsos em ira da boca que fala demais.

19 de abril de 2010

Acampamento

foto: Carolina Helena*



Acampar a vida sobre sonhos
é ter mobilidade todos os dias
de uma nova visão
É ter o mundo a sua porta
E o sol na sua janela


*Carolina Helena: minha Cecília, da peça Impasses da

Consciência que estará em cartaz

no Teatro Brigadeiro, dia 18/05.

14 de abril de 2010

Insista, de novo.


Um corpo é movido muito melhor a paixão. Fato. Meus estudos de vivência própria provam isso. (Não que isso valha muita coisa, MAS) E para quem tem medo de iniciar uma nova aventura ou se entregar ao risco, nem saia de casa. Medo de se machucar são para fracos, senão, amadores. A paixão serve pra isso mesmo: iludir, deixar a pele mais bonita, você mais animado e depois sofrer por mais um que não será o último, provavelmente, se você tiver sorte. Mas eu ando um pouco enjoada com essa história de paixão, porque o momento é outro, em que meu pensamento está só para o trabalho, dinheiro, teatro e letras. Mas apesar de não estar com o gostinho de paixão na boca, nunca custa nada ajudar a amiga insegura que está com medo de arriscar.

A minha quase bíblia é o livro Canalha, do Fabrício Carpinejar, que já citei aqui várias vezes e vai mais uma que, aliás, também já esteve neste post.

Se joga, povo.

"Declare-se apaixonado antecipadamente. Depois encontre um jeito de pagar. Ame por emprétimo. Ame devendo. Ame falindo. Mas não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito. Sejamos mais reais em nossas dores. Tudo o que não aconteceu é perfeito. Dê chance para a imperfeição. Insista
"

8 de abril de 2010

Um acaso no café da manhã

Acredito no destino, mas gosto mais quando parece acaso, acho que a situação em si tem mais potencial. Parece contraditório, eu sei. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, e eu posso acreditar nas duas.
Não por menos que tatuei acaso no corpo. Acredito na força do acaso tanto quanto ter um homem/marido mais-ou-menos-bonito, músico, escritor e jornalista. (Se a coisa do universo de conspirar faz sentido, basta eu acreditar e procurar bem). E aí uma hora as coisas acontecem ou se reencontram, no meu caso, o reencontro é na padaria que eu não frequento, mas estava lá por acaso, juro.



- Por favor, um suco de laranja e um pão na chapa.

O clássico e o de sempre. Em qualquer padoca e de manhã é o que peço, mas não notei que no mesmo balcão e algumas pessoas depois de mim, estava ele: o meu homem mais-ou-menos-bonito, músico, escritor e jornalista.



- Você não muda seu pedido nunca, Dayan ?

Depois da fala, ele deu um breve sorriso e apesar de ser o meu homem quase ideal ele é um #filhodaputa. E só pra esclarecer: não o via a meses, terminamos com briga declarada e achava que ele tinha raiva de mim. Bem, e quanto a mim, sou uma mulherzinha que está deixando de ser boba.


- Já ouviu falar que não se mexe em time que está ganhando ?!

- E o que tem a ver o pão e suco com isso ?

Ele gargalhou, eu queria rir também, não pela tirada da conversa, mas só pra rir com ele. Dizem que no café da manhã isso é bom. E pra não minhocar na resposta mudei de assunto.


- Emagreceu...?

- Uma pergunta ou um elogio ?

- Uma pergunta e um elogio.

- E ?

Senti que ele já estava puto aí, mas continuei com a petulância.


- Se você emagreceu é um elogio, senão, fica com o elogio também, essa blusa preta tá te deixando mais magro.

Alfinetar um gordinho complexado é mancada, eu sei. Mas eu arranquei o riso dos estranhos ao nosso lado.


- Eu emagreci.

- Foi o que imaginei.

- Você repara, né ?

- E você não ?

- Acho que menos que você.

- O problema não é quem repara mais ou menos, é reparar. Se é que você me entende.
Moço, por favor, você pode colocar o pão e o suco pra viagem, obrigada.


- Bom dia e bom café da manhã pra você.

- Obrigado, Dayan



Se foi destino, por enquanto, eu prefiro pensar que é acaso. Já que nada foi reparado.


7 de abril de 2010

Causos do tempo

Estela apreciava o gosto que tinha o passado. Contar o que não fazia mais parte de seu tempo era hobby da menina que andava com os pensamentos para trás. Guardava todas as datas, as cartas e as falas que não eram suas. O passado sempre lhe pareceu mais genuíno do que qualquer presente que chegasse como futuro. Mas Estela não percebia isso, não notava a distância no tempo.

E com tanto passado, chamavam-na de saudosista quando não de medrosa, por não encarar o que lhe vinha à frente. Saudosista ou medrosa, Estela era mesmo ansiosa e impaciente para esperar o tempo.


- O futuro é pra quem o projeta.


Foi o que lhe disse um velho violeiro contador de causos, falador como ela. Aí então Estela compreendeu o tempo que vivera, que contava e que fazia. Quando percebeu que estava, de fato, apegada com o passado parou de datar o tempo, porque o velho lhe disse.


- Não importa que tempo foi, mas se foi.

30 de março de 2010

Eulírico desenhando uma dúvida



- Eulírico, voltei !
- Puxa vida Camila, achei que tinha esquecido de mim. Já ouviu falar em consideração ?
- Já ! Mas considerando que eu não me esqueci de você não é falta de consideração. É falta de tempo, imaginação, sei lá...
- É bom ser lembrado.
- O engraçado é que, aqui, perto de você, é que eu noto quanta saudade eu estava
- Você precisa estar perto pra perceber que tem saudade ?
- Não necessariamente, longe eu também sinto. Mas é que quando a gente vê a saudade é que a gente sente mais ela.
- Mas eu não sou a saudade.
- Eu sei que não, mas eu estava com saudade de você Eulírico e, logo, a saudade estava com você, entendeu ?
- Não sei...
- Então esqueça a saudade...
- Ah, preciso dizer! Aliás, perguntar.
- Ih, eu sou melhor perguntando do que você, Eulírico.
- Quer perguntar então ?
- Não, não tenho nenhuma dúvida. É você quem quer...
- Então deixa eu fazer minha questão
- Certo, manda o X da questão
- Talvez não o X, mas a dúvida Camila é saber se você desenhou sua vida como ela hoje ?
- Bem...
- Difícil, né ?
- Não. O desenho é mais difícil que a pergunta.
- E o que você desenhou ?
- Na verdade eu rabisquei, o destino deu a forma e o acaso tratou de pintar
- E isso é bom ?
- Não sei, o desenho não acabou.
- E quando é que acaba ?
- Quando eu parar de desenhar com a riqueza dos traços e borrar, sem querer, com a mesma mão que desenho.
- Me mostra depois ?
- Pra você faço até exposição.

16 de março de 2010

.

A coragem sempre foi para os excêntricos. No meu tempo de escola achava que coragem quem tinha, eram os fortes. Mas não. Músculos não definem idéias. Os fortes e de boa aparência não são nada além de comuns. Desejam ter um emprego de cargo público, uma família com pelo menos dois filhos e o carro do ano na garagem, e claro, a viagem de férias anual. Isso é a vida dos fortes, que suportam a monotonia da família tradicional e do emprego fixo. Os fortes não são corajosos, são inseguros demais para arriscar e ter coragem.
Coragem é para os homens que não têm medo do acaso, ou do que o destino lhe reserva.

*Trecho da peça que escrevi e a primeira fala da protagonista Cecília. Isso e além em cartaz em maio, no Teatro Brigadeiro.

11 de março de 2010

Super-Beta Campos

Entre todo o meu gosto e curiosidade pela música, principalmente brasileira, foi sempre ouvir e buscar novos compositores. Especificamente, para meu trabalho de pesquisa, novas compositoras. Foi então que em 2008 por acaso, ou por força do destino, ouvi Roberta Campos. Pouquíssimo tempo depois no conhecemos, fomos parceira em músicas, cantamos juntas, ela fez show no aniversário de dois anos deste humilde blog e, sempre muito gentil, também gravou algumas músicas minhas e pra mim.

Agora, quase dois anos depois desse encontro, respirei feliz pela Roberta que conheci e como ela está crescendo sem parar. Isso eu já sabia que cedo ou tarde ia acontecer, logo pela qualidade do trabalho que a mineira realizou quando era a cantora independente que gravou e produziu todo seu disco em casa, como explico neste post. Hoje, Beta tem contrato com a gravadora Deckdisk e já está fazendo seu nome, e mais: já ouvi jornalistas do meio fazendo bons comentários dessa moça de um talento só.
E toda essa recordação e vontade de escrever se deu no vídeo abaixo que é do making of de seu disco.
Entre todas as suas músicas a que tenho um carinho especial é Acabou, porque me lembro como se fosse hoje, quando estávamos em sua casa e Roberta, com violão e voz, claro, me mostrou a música e eu me emocionei.
Escuta e vê a moça aí.

6 de março de 2010

O som em comum

A gargalhada tem ritmo, harmonia, melodia e compasso, quando alguém a solta primeiro e em seguida vem outro amigo e outro e outro, seja fazendo base ou enriquecendo o som com os dentes a mostra, a sonoridade que faz ser tão contagiante quanto o samba e o jazz muda os olhares ranzinzas e as bocas amarradas pelo silêncio que estão em volta. Com o tempo cada grupo de pessoa cria quase que um único estilo de rir, de fazer o barulho da felicidade. Amigos se encontram pelo sorriso. E um sorriso, às vezes, pode ser até mais rápido que o choro. Mas não há pranto que resista um sorriso orquestrado por uma gargalhada ensaiada por amigos.


23 de fevereiro de 2010

As letras que não são minhas

Eu sinto uma ponta de culpa de ficar tanto tempo ausente daqui. E acho justo que se não paro e penso para escrever, dividir as páginas que leio é o mínimo para preencher o espaço vazio e branco.

"Parece que tudo está fechado e protegido por uma redoma de vidro finíssimo e o calor torna os movimentos ainda mais pesados; mas não há calma dentro de mim. É como se um rato estivesse roendo a minha alma, e de uma maneira tão imperceptível que até parece suave. Não estou mal e também não estou bem, a coisa preocupante é que "não estou". Mas sei me reencontrar: basta levantar os olhos e cruzá-los com o olhar refletido no espelho para que uma calma e uma felicidade tranquila tomem conta de mim.[...] A única coisa que realmente me faz ficar bem é aquela imagem que contemplo e amo:todo resto é ficção".

100 escovadas antes de ir para a cama, de Melissa Panarello.

10 de fevereiro de 2010

o escândalo da morte e a dor do amor

foto/fonte: le love

O ônibus é, no fim das contas, mais reflexivo que um metrô. Talvez porque demore mais. E foi a caminho do trabalho que pensei que há sempre alguém sofrendo por amor. Se não é você, é um amigo, ou quem não se gosta mais. E por trás da dor do amor há sempre alguém aconselhando o que fazer. Como esquecer, como reagir, o que falar, como se comportar, feito esses livros ambulantes de auto-ajuda.

Mas entre todas as coisas que as pessoas mais dizem é: não se humilhe! O que não é bem o que aconselha Roberto Freire em Ame e dê Vexame ou em Insista, crônica do livro Canalha!, do Carpinejar.

Eu amei, insisti, dei vexame e as pessoas diziam, “você tem que ter o mínimo de orgulho”. Também acho. Mas acredito mesmo que só se pode ter orgulho depois de um belo escândalo.
Por exemplo, nós fazemos escândalo diante da morte e sem vergonha que nos vejam chorar desconsolados abraçando o corpo que já não responde. Parece ridículo comparar a dor que se tem a perda da morte a de um relacionamento, já que não há consolo para a perda definitiva de alguém. Mas ridículo, talvez, seria também não comparar.


Já vi muita gente tentando descrever a dor da morte e não conseguir. Além de um vazio e as melhores lembranças do falecido não há mais nada que eu me lembre da morte. Até hoje sofri com a perda de dois bisavós, um avô e uma tia. Mas mesmo com a ausência dos quatro, tendo sentindo muito mais com a morte da minha tia, eu ainda não senti nada parecido com a dor da perda de um amor. Porque ao contrário da morte a separação não nos faz enterrar ninguém, a paixão sempre está mais viva para uma das partes e mesmo com a desintegração ele não deixa de existir, só muda o status ou a posição no tempo que de presente e futuro, de repente, se torna passado.

A morte não tem tempo, mas sempre tem companhia. Diante da morte você sempre tem companhia para chorar e recordar o melhor de quem não pode mais respirar. Do amor perdido, não. É você e só você para lembrar dos sorrisos trocados, do café da manhã surpresa, dos fins de semana todo na cama, das brigas por ciúme e do próximo aniversário que vocês não vão comemorar juntos.

A morte é o fim da esperança, o fim de um relacionamento é começo dela. Por pior ou melhor que tenha terminado sempre há esperança por parte do amor, senão pelo que se vai, pelo próximo que pode vir. Porque no fim das contas não dá pra superar o que não foi enterrado. Não se pode enterrar um sentimento ainda vivo, em qualquer coração que seja, ou que vier.

27 de janeiro de 2010

Uma pergunta nada comum

Com este blog eu já recebi várias dúvidas, algumas chegam por email, MSN, Orkut e para os mais íntimos por telefone. Grande parte das perguntas sobre relacionamentos – como se eu fosse a bem resolvida, mas acho que o fato de não ser e acabar desfrutando ou desfrutada da vida, faz as pessoas acharem que, bem, eu sou a fada madrinha da vida afetiva.

Depois de um ano de namoro com um intelectual e poetinha, dois anos de um caso fracassado com um egocêntrico acima do peso, uns quatro meses com um bonitão e mais uns freelas por aí, eu aprendi que a fila anda, mas a catraca tem que ser seletiva. Nem que pra isso a catraca não vire.

Minha família acha que eu sou encalhada, porque depois do meu primeiro namorado não apresentei mais nenhum, e isso se deve ao fato que não faço dos homens um troféu para desfilar com eles. E depois, como a catraca é seletiva, quem já foi a Paris não vai mais querer Freguesia do Ó. E com meu limite de exigência a coisa fica preta pro meu lado. Agora ando sutil, já cobrei mais. Antes, ser músico ou saber tocar algum instrumento era requisito indispensável. Uma bobagem, claro. Mas que dava um charme.

Mas mesmo sem virar a a catraca, colecionar histórias felizes e frustradas meu telefone toca com alguém muito desesperado do outro lado. Antes o desespero fosse de uma voz masculina, que assim juntaria a fome com a vontade de comer. Mas não, era uma voz de uma mulherzinha preocupada com suas relações e querendo esclarecer suas dúvidas comigo.

Minha ética não permite entregar a fonte mas antes de responder eu dei uma boa gargalhada e perguntei se ela estava louca. Ela simplesmente disse:

- Camila, me ensina a transar ? (tomara que meu pai não leia isso).

Isso é o tipo de pergunta assustadora, que se você está comendo engasga, se está dirigindo diminui a velocidade e se está apertado faz xixi nas calças de tanto rir.
A piada não vem só da pergunta, mas por quem e como é perguntada. Depois da minha surpresa cômica, vem a minha sutileza e pergunto o que exatamente ela tem dúvida. Porque não tem como eu ensinar uma mulher a transar, talvez dar algumas dicas, mas essas coisas a natureza age por si só. Na verdade só não, a dois de preferência.

E à princípio foi a dica que eu dei, fique com alguém que você tenha intimidade e manda bronca pra perder a vergonha. Use o instinto.

Minha leitora inexperiente teme ser frígida, porque segundo ela não sente nada na hora da penetração, mas se anima bastante com as preliminares. No raso da minha sabedoria tentei explicar que é IMPOSSÍVEL um pênis entrar nela e não sentir nada. Seja lá o que for. Dor, repudio, incomodo, prazer. Nunca ouvi nenhuma mulher dizer que não sentia nada. Você pode até sentir falta se a natureza não favoreceu seu parceiro, mas nada é muito pouco.

Mas nesse caso não basta fazer coro com Arnaldo Antunes na música, Socorro e cantar, “Socorro não estou sentindo nada...”. Depois, ou melhor, antes. Antes de sair com alguém que tenha intimidade para descobrir o que pode estar errado é se descobrir, se tocar e perceber onde se tem mais sensibilidade e, consequentemente, mais prazer.
Esse é o tipo de dica que todo mundo já escutou, mas eu reforcei porque ela é toda encanada. Mas a guria percebeu que quem poderá desencaná-la não sou eu e sim um amigo que ela foi pedir socorro e fez a mesma pergunta a ele que fez a mim.

Claro que ele topou. E eu desejo mesmo que ela consiga enfim desvendar o caminho de seu prazer. Mas eu tenho por mim, que não será difícil tarefa porque não há nada de complicado. É quase como andar de bicicleta ou dirigir, a prática só te faz melhor e mais seguro.

18 de janeiro de 2010

Saudade de verão


foto: camila dayan


A saudade de você em mim é feito chuva de verão. É rápido, mas é forte. O meu céu que sempre está azul de repente escurece com a falta que eu lembro ter de você.

14 de janeiro de 2010

Meu sétimo pecado capital

Eu nunca vi ter tanta força, e de tão persistente que é às vezes parece do mal, mas também vez ou outra faz um bem. A danada já foi tema de música, já se meteu na literatura e também vive chegando perto de mim e me dizendo o que devo ou não fazer, e deixar o trabalho pesado para amanhã, claro. É a Preguiça, que feito Deus, ninguém nunca viu, mas a malandra faz a gente acreditar que está entre nós. Pelo menos está em mim.

Ela podia trabalhar seis dias e descansar no sétimo, como Deus que no último dia da semana também sentiu aquela preguicinha, aposto. E por coincidência ou não, é ela o sétimo pecado capital. Mas comigo eu tenho que lutar, brigar feio com a Preguiça que faz questão de me descansar seis dias da semana e trabalhar um. Bem diferente do Supremo. A Preguiça até parece má, assim, olhando desse ponto. Mas ela tem seu lado bom, porque a preguiça de sair de casa, por exemplo, me faz ver vários filmes no Telecine, assistir a quase todos os seriados da TV a cabo e no fim da tarde ainda pegar uma piscina, porque eu não gosto do sol forte, nem de criança gritando para atrapalhar minha leitura, tão pouco de arriscar perder o MP3 ou o ipood por uma guerra d’água. Além da incrível economia que se tem ficando em casa – principalmente quando se está de férias forçadas.

Com o meu jeito eu-resolvo-tudo-na-última-hora (e resolvo mesmo), a preguiça chega a me deixar confusa se sou assim porque sou brasileira, ou porque sou preguiçosa mesmo. Mas a preguiça tem lá a sua vantangem. Por exemplo, na minha primeira entrevista de emprego e também meu primeiro emprego, na revista da FGV, minha chefe perguntou:

- Qual o seu defeito ?

Primeiro, que eu acho que essa turma de chefia e RH lamentável, deviam ser mais originais, ninguém vai falar a verdade, exceto alguém tapada e sincera feito eu, que respondi:

- São muitos, mas o mais cruel mesmo é a preguiça

Sorri depois que disse a palavra p-r-e-g-u-i-ç-a. Sempre soa melhor o sorriso no final dela. A minha ex-chefe olhou pra mim assustada e repetiu o que eu tinha falado, quase desacreditando. Mas me contratou, acho que ela quis pagar pra ver.

Aí eu tive a certeza que não há porque eu odiar a preguiça, feito minha mãe que vive xingando a minha lassidão. Se não fosse a preguiça, somado a minha sinceridade, claro, sabe Deus quando e onde teria sido meu primeiro emprego, que abriu porta para outros e outros e outros.
Mas é fato, que a preguiça age como visita, quando sabe que você é ocupada e não tem tempo pra nada ela até bate e te tenta, mas devido às tarefas você resiste. Mas nas férias e enquanto estou desempregada, ela sabe que eu não estou fazendo nada e chega mesmo, não tem como não recebê-la


Mas se um dia eu tiver um filho, pra ele não sofrer tanto da preguiça a primeira música que vou ensiná-lo é Sai Preguiça, que em mim já é a doencinha de quem gosta da boa vida.

Mas, sai preguiça que eu preciso trabalhar !




7 de janeiro de 2010

Sô, sotaque e só

Mais do que as palavras, escritas, bem escritas, colocadas e perfeitamente acentuadas eu adoro o som das vogais arrastadas e das consoantes puxadas. Eu sou apaixonada pelo som e viciada no jeito com que as pessoas falam. O sotaque é a personalidade na afirmação da boca que derrama o som. Eu já me apaixonei por homens que só tinham sotaque e nada mais. E quando dizia que gostava era do sotaque dele, as pessoas me diziam estar louca, ninguém pode gostar de alguém só pelo sotaque. Hmm, mas o som tem sabor, sai com força da garganta e sinto aos poucos o som atravessar a boca e chegar a minha. Eu não preciso mais do que meia hora de prosa para já estar arrastando a pronúncia de qualquer canto que venha do país. Tenho minhas preferências, claro. Aquele sotaque sulista, cantandinho, arrastando, arrastando eu corto as cordas vocais de inveja. E tem aquele lento, devagar e todo charmoso do baiano e o mais charmoso e ligeiro do pernambucano. A malandragem do carioca e o R mais puxado do interior e o mineiro que vai comendim as palavras.

O sotaque é saudade que eu sinto dos dias de férias que passam e da convivência com os amigos de longe, que apesar do presente das palavras todas diferentes da minha rotina, dura pouco nessa boca. O tempo, como sempre, trata de deixar a deriva meu sotaque de mentira com saudade e a espera das próximas férias ou dos próximos encontros a preencher meu tique de sotaque, que só não muda no tom da risada.

29 de dezembro de 2009

Hasta 2010

Meninas e meninos d'propositados, diferente dos anos anteriores que o último post do ano foi uma retrospectiva, esse não tem nada de ficar recordando o passo, não nos detalhes. E não porque não foi bom, muito pelo contrário. Conheci pessoas ótimas, trabalhei em um lugar super legal e terminei a faculdade de jornalismo. Eta ano bom esse 2009, e se o próximo for delicioso quanto o ano que passou meus sorrisos vão continuar largos, muito largos.

E para os leitores de casa, já deu pra perceber que eu ando meio perdida, procurando me encontrar, por isso não fiz uma lista gigante de deveres e metas para 2010. Eu sou uma boa libriana e boemia, que como Zeca Pagodinho, deixo a vida me levar. Mas não durmo no ponto e estou sempre em ponto e pronta pra mais uma história a viver, escutar ou a ser contatada.

A minha única meta para o ano que chega cheio de dúvida é, claro, arrumar uma trabalho bem bacana e escrever mais neste blog, que nesse ano foi sempre a última coisa com que me preocupei. Por uma série de motivos como TCC, trabalho, projetos pessoais, banda e blá, blá.

Mas eu tentarei voltar com toda a força de quem sempre fez D'propósito as crônicas de tudo o que vem depois.

Um ótimo 2010 para vocês e para mim. Diferente da maioria dos anos, não vou passar na praia, mas não deixarei de fazer meus cantos pra Iemanjá


Axé, saravá, sorrisos largos, amém e amem



23 de dezembro de 2009

Mais que Cultura


Se eu acreditasse em papai Noel pediria pra achar uma mala cheia de dinheiro para viajar o mundo todo, sem destino certo e sozinha. Em um país ou outro pagaria a passagem para alguns de meus amigos me acompanharem, mas seguiria sozinha. Naturalmente que esse é o tipo de pedido quase-infantil por quem está em crise.

Bem, não faz muito tempo que saí da adolescência, então acho justo ter certas recaídas com a pouca idade e estar ainda meio perdida, já que mais uma vez encerrei um ciclo da minha vida e não sei o que fazer, a não ser viajar.

Meu dinheiro dá pra no máximo ir até Maringá, em seguida passar em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul e voltar para São Paulo. Claro, gastando apenas com a passagem de ônibus e algumas cervejas. Benditas sejam as casas dos amigos.

Mas como eu não acredito em papai Noel tenho que mandar a fantasia para o pólo norte e trabalhar. É tudo o que mais preciso agora: de um trabalho. Sempre tive sorte no campo, mas sempre que o que está à vista é o olho da rua, bate o desespero. O ano passado, meu santo Noel, ou meu São Jorge e os orixás de companhia deram um brilho no meu caminho e eu entrei na TV Cultura. Os leitores mais próximos, os mais antigos ou os fiéis sabem o quanto amo aquela casa de mãe. Isso porque a firma do Padre é muito diferente de qualquer outra TV, ou empresa que já passei e que ouço as pessoas falarem.

A começar que minha relação com a Cultura vem de antes, muito antes. Com castelo Rá Tim Bum, O Mundo da Lua, Anos Incríveis, Confissões de Adolescente, Tim Tim, Doug e uma infinidade de programas que formaram minha infância e juventude. E Apesar de ter feito jornalismo e as pessoas assimilarem o curso sempre a televisão, eu nunca tive a ambição de querer trabalhar em TV, a não ser que fosse a Cultura. Pra mim o meu negócio era o impresso, mas lá veio o acaso, ou o destino me aprontar uma ótima. Fui parar no Metrópolis, que em minha opinião, o melhor programa da casa e pra se trabalhar, com arte e cultura e uma equipe incrível e xarope.

Em um ano que fiquei lá eu tive três chances de ser contratada, a primeira oportunidade o programa que a princípio eu iria acabou, a segunda eu não passei no teste (ainda bem) e por último, no Metrópolis mesmo, eu não pude porque não era formada. E quando chegou minha vez, bem, não era minha vez. Decisão do chefe, que na hora quando me disse tive vontade de dar um murro nele, porque eu não tinha reação, não consegui falar nada. Eu já vinha de um choro constante de antes com todas as despedidas, que na hora que conversava com o editor-chefe eu não derramavas lágrimas, mas chorava por dentro. Eu nunca fui puxa-saco, mas sempre achei o Hamburgão (o chefe) muito justo e correto, e apesar de passar dias pensando em tudo o que ele disse e eu não falei, acho que ele esteve certo na decisão.

Tudo isso acontecia no meio da festa da firma, com uma bateria de escola de samba arrepiando na batucada. Enfim, eu só cessei meu choro depois que me joguei no samba e sambei até a última parada do rebolo, da caixa, da zabumba e do ganzá.

Todo mundo dizia: para de chorar você vai voltar, todo mundo volta aqui. Não sei. Talvez não, ou talvez eu volte mesmo pra TV, não tão cedo para o Metrópolis, mas eu não chorava só pelo meu último dia enquanto estagiária, sentia por outras histórias que se iniciaram ali há mais de dois anos e que ali também se encerrou e amém.


A TV Cultura é como a casa de nossos pais, é confortável, você tem intimidade, fala o que pensa e por mais difícil que seja, você gosta de viver lá. Mas a realidade do mundo não é como a casa dos pais, as pessoas no mundo exigem mais e não vão ter tanto carinho por você, mas certamente te amadurecerá, como o mimo que a casa de nossos pais não permite.

O fato é que agora eu procuro um lugar pra morar, isto é, um trabalho.




Cantinho do Metrópolis na redação do jornalismo. Aqui na ponta meu menino Rick, já citado outras vezes neste blog. Ao lado dele o Aaukay, de frente para ele o Hamburgão, meu (ex) chefe. E o marquinhos lá no fundo, enfiado ao telefone.


...






Na última semana treinei/ensinei a nova estagiária do Metrópolis, confesso que faltou coisa ainda pra passar, mas a Carol é uma fofa, uma querida que escreveu isso em seu blog.

"
Tô feliz por mim e triste por ela que vai sair. A Camila é tão fofa que eu fico com o coração partido em vê-la triste. Cada vez que ela me ensina alguma coisa, deixa transparecer um carinho todo especial e um toque de saudade já daquela tarefa, ou daquela (s) pessoa (s), ou daquele editor (a), ou daquela ilha, do chefe... enfim, cada coisa que ela me ensina, parece que está se despedindo.
Deve ser dolorido. Deve ser confuso.
Confesso que tenho medo desse dia. Do dia em que eu terei que ir embora da tv cultura, pois lá são mínimas as chances de ser efetivada logo depois da faculdade. E se eu estiver gostando de fato do trabalho como ela? Acabou a faculdade: e agora?
"que vontade de chorar,
dói
mas pra mim tá tranquilo, eu vou zuar
o clima é de partida, vou dar sequência na vida"

Como eu acredito no processo da vida, acredito que uma coisa bem legal está por vir para a Camila e para todas as pessoas que, assim como ela, terminam a faculdade e que merecem sim: uma ótima oportunidade! Então, ótima vibrações a ela! Coisas boas estão por vir, espere! "

17 de dezembro de 2009

Jornalismo e futebol

Se não fosse o jornalismo eu teria sido jogadora de futebol, certamente. Já escrevi antes sobre a minha paixão pela bola, especialmente por jogar, nem tanto por assistir ou acompanhar os campeonatos pela televisão.

Tenho que admitir que muito do meu talento foi descoberto pelo meu irmão, que me ensinou e me treinava para o gramado. Apesar de sempre preferir o futsal. A bola que rola na quadra exige velocidade, pensamento rápido e agilidade, muito mais intenso que o campo. Mas mesmo atuando no gramado e na quadra, na minha época - que começou em 1992 -, não existia a Marta, tampouco qualquer coisa que se aproxime da valorização do futebol feminino, foi então que encerrei minha carreira em 2005, ao terminar o colégio e entrar para a faculdade.

E apesar da quase insanidade para o meu pai, que não via sua filha brincar de boneca ou desfilar em uma falsa passarela, eu sempre fui racional e aos 13 anos decidi que, de fato, não desfilaria com a bola nos pés, mas tropeçaria com as mãos pelo jornalismo.

Aos 17 eu larguei o futebol definitivamente para abraçar o jornalismo. Entrei pra uma faculdade que não tinha nada a ver comigo, digo pela universidade, não pelo curso.Muito se deu pelas pessoas que encontrei lá, ou que não encontrei. Na faculdade eu não fiquei bêbada na festa da turma, porque nunca teve, exceto agora no último ano com a formatura – que eu também não estive presente. Não perdi a virgindade por causa da faculdade e, por fim, terminando as três lições básicas que se aprende em uma universidade ou no bar ao lado dela, eu não fumei maconha. Apesar dos meus óculos, eu não sou nerd e estou longe de ser uma aluna ou pessoa exemplar. Fora a temida e curiosa primeira relação sexual das meninas, tudo que, teoricamente, a faculdade oferece eu fiz antes. Talvez tenha sido precoce, ou os meus amigos de colégio e condomínio que eram à frente de qualquer graduação.

Então, tudo que eu desejei e imaginava de uma faculdade não se concretizou com essa minha graduação. Mas como nem tudo é festa, eu diria que até 2º ano, com as aulas teóricas a faculdade foi muito boa. Depois disso, eu já trabalhava na área há um ano, e o curso de jornalismo - com as aulas práticas - foi perdendo o sentindo pra mim. Parecia não me acrescentar muito, mas eu precisava da graduação pra manter meus estágios. Sim, estágios, no plural. Mudei de estágio como quem troca de sapatos, sujou ou apertou troca. Quis e experimentei algumas das diversas áreas que o jornalismo permite, até cair na equipe e, provavelmente, a TV mais legal, na Cultura.

Mas nem tudo são males, a faculdade não foi de todo ruim, porque convivi com três pessoas ótimas, Bruno, Diane e Victor. Victor foi quem mais me ensinou sobre jornalismo e, apesar de não admitir, o mais jornalista, entre todos que se formam na minha turma.A universidade valeu por esses três nomes e por Luís Mauro, o professor que antes do Victor, me ensinou quase tudo o que sei sobre ser jornalista. Além dos citados, a faculdade é boa para você estagiar. É pra isso que serve uma graduação, independente do curso, te dá à oportunidade de entrar no mercado de trabalho com direito de errar. Mas de preferência não erre, e se fizer jornalismo faça dele uma literatura sob pressão. E depois de quatro anos de pressão, finalmente, posso dizer e assinar como jornalista. Mas agora que já tenho uma profissão será que ainda dá tempo de eu voltar a jogar bola?

5 de dezembro de 2009

Tereza

Tereza não nasceu pra ser Amélia e odiava obrigações. Seu prazer era o bel-prazer, tinha a vida em suas mãos, assim como o pano e a vassoura. E já que tudo dependia de mover seus dedos, abandonou a vida de casa, vestiu o sutiã e foi ser mulher. Mas não qualquer mulher. Não era do tipo que pintava o rosto ou seduzia os homens pelo par de coxas. Ela tinha olhos, que falavam mais do que a boca e dentes que pintavam seu olhar. Era artista, sabia mentir, sabia convencer, sabia ser qualquer papel que coubesse em seu nome, e atuar em toda vida que cruzasse com a sua. Era mulher de 80, oito não lhe cabia bem no corpo mameluco. Gostava de arrasar corações e colecionar paixões, tudo a procura de um amor que não teve como Amélia, mas que como Tereza exigia.

Teve homens de todos os tipos, que a rejeitaram e os que se encantaram por ela. Gostava de todos, deleitava-se no sabor da quase-dor e o prazer de gostar. Depois de muitos, ela desejava o gosto dos amantes e só. Porque só como Tereza ela percebeu que amor é coisa de Amélia e, definitivamente, não era para ela.



18 de novembro de 2009

Aviso aos Navegantes !

Os D'propositados que acompanham o blog sabem que sou uma (quase) jornalista de brincadeira. Além de escrever, que é o princípio do jornalismo, eu meto minha cara onde sou chamada ! E mais ou menos como num chamado fui entrevistar no começo do ano Patrícia Palumbo, que muito gentil bateu um papo super bacana comigo sobre música e indústria fonográfica para o programa Pauta Aberta, da São Judas. O Canal Universitário, filiada a minha universidade está reprisando esse programa. Então pra quem não me conhece e tem curiosidade de ver a minha cara é uma ótima oportunidade. Para quem me conhece e quer ter a oportunidade de criticar, também !

A reprise vai ao ar hoje, quarta-feira, às 18h e na madrugada de quarta para quinta às 3h da manhã. No CNU, canal 11 da net, 71 da TVA ou 187 da TVA Digital.
Quem não tem tevê a cabo é só sintonizar no site, destacado no link acima.

Agora, d'propositem lá, na telinha ;)

Axé, saravá, sorrisos largos e amem.

15 de novembro de 2009

Dois olhares

A minha última imagem de você é sempre o seu olhar desviando do meu. Eu largo os olhos e passeio pelas suas mãos, pelo seu disfarce em ler o montante de papéis que segura. E eu paro nos papéis e nos seus dedos, nas pontas deles. Gostava da maciez e da delicadeza em que eles me abordavam. Então eu disfarço e de canto de olho te pego levantando a cabeça e a retina pra observar qualquer detalhe meu. Seja no cabelo, na blusa, na curva entre a cintura e o quadril, nas pernas, quem me acompanha e se olho mais profundamente para alguém como olhei pra você. Olho! Olho pro mundo e pra todos os olhos que não se pareçam com os seus. Porque não consigo mais me enxergar na sua visão.

Apesar do desejo da observação, antes de me levantar e ir, eu tento mais uma vez ver quais são as cores dos seus olhos que o tempo me fez ter dúvida. Você não olha, não levanta o olhar. Está preso ao papel, está com os olhos presos ao papel, porque a mente vagueia pela minha presença que te atordoa, incomoda e cega, faz de conta que não vê a ponto de me fazer acreditar que o que está aí não pode durar. E o que está aqui também não. Aqui é saudade e aí é vontade.

12 de novembro de 2009

Deixa rolar

Se há uma coisa que um garoto ou uma garota descobre ao crescer, é que a vida é uma série de riscos, praticamente uma relação de causa e efeito. Desde sempre. Quem não arrisca não petisca. Diz o ditado e a vida. Na escola as crianças correm sem medo de cair, mesmo sabendo que uma hora terão seus joelhos em atrito com o chão. Alguns joelhos sagram mais, outros menos. Em alguns ficam marcas, em outros só lembranças. No playground a criança se arrisca a descer do escorregador mesmo sem ter ninguém a esperando no fim da descida, e enquanto não cria prática pra chegar na superfície, ela se joga no chão. Mas não se importa, nem desiste. Criança arrisca pela diversão.

Adulto arrisca por tesão. Os que arriscam. Um cabra perspicaz é sempre um remanescente de sua infância, não permite que os medos parem uma ação. Isso se tratando da maior parte dos homens, porque ao contrário dos machos corajosos, mulheres fazem do seu maior mal o pensamento e a imaginação. Pensam demais, são pouco práticas, verdade, e apesar da incrível intuição parecem surdas a elas. Porque quando não estão perdendo namoricos e horas de sono pensando, estão imaginando, isso é, criando histórias que gostariam que acontecessem, mas ou menos como: “não foi bem assim que aconteceu, mas é assim que eu gosto de lembrar ou gostaria que acontecesse”.

Falo tudo isso principalmente no quesito relacionamentos, mulher se preocupa com várias coisas, mas entre todas, sempre terá homem no meio de alguma história - e bem, para as garotas que gostam de meninas, sempre terá mulher no meio do bochicho. (é difícil ser plural). Quando surge um paquera novo toda moça que trabalha minimamente sexto-sentido, intuição, lei da atração, astrologia e todo instrumento que ajude a ter esperança no relacionamento que se inicia sabe se dará certo ou não. Mulher sente isso, mas como escrevi anteriormente, parece inerte aos sentidos, e claro, acreditamos no que queremos e lá vai a mulher precipitada se enganar.

É incrível, mas toda moça, quase que inconscientemente, sempre projeta no homem o namorado, o marido, o pais dos filhos. Pemm! Não precisa ser sempre assim. Como diria meu editor e também meu menino, Rick, “homem é predador e mulher é coletora”. Homem, boa parte da vida está aí para aproveitar e experimentar as mulheres e suas vivências. E não é errado, é só um modo bem liberal de quem é prático e quer se divertir sem pensar no depois. Mulher, como quer acolher, vai colhendo casos, namorados, amigos; quer fazer de tudo numa coisa só. Também não é errado, é só outra maneira de viver.

Às vezes com mania de pensar demais, falar e agir além, a garota perde um cara super bacana porque fica sofrendo por antecipação. Fica na dúvida se ele só quer comê-la, se gosta, se isso, se aquilo. Acaba por aí vivendo menos do que gostaria e imaginando mais.

Apesar de na escola aprender a cair e a levantar, a ler, a escrever, a respeitar os mais velhos, a comer de boca fechada, a diferença das cores e a mistura da aquarela, no colégio ninguém nos ensina a ser deixados. Somos treinados a deixar, e como na brincadeira, quem fica por último é a mulher do padre.

Eu sou mulher e faço, normalmente, tudo como uma boa mulherzinha. É assim, eu sei a receita, o modo de preparo, mas sempre acho que sei tudo de cabeça e erro num ingrediente ou outro. Mas o importante, acho eu, é errar e errar e errar e continuar fazendo, preparando, improvisando, uma hora o acerto vem. Afinal, pior do que errar é se negar a viver. Toda mulher precisa, no fundo, ser como os homens: uma eterna criança. Diverte-se, cai, chora e logo ta sorrindo de novo.

E como eu já ouvi algumas vezes, o truque ou a frase chave dita por eles é:

- Deixa rolar !

E boa parte de tudo isso vai para a leitora Carolina Serra, que escreveu perguntando o que fazer para não esperar demais das coisas. A resposta está na pergunta, ou em, simplesmente, não pensar, nem imaginar o que não existe.

;)

3 de novembro de 2009

Quase mulher

Zapeando os blogs preferidos fui em um post mais antigo da Tati Bernardi que dizia:

"Você sabe que virou mulher quando consegue sair com um homem e:
1- não picotar o guardanapo do restaurante
2- não fazer desenhos com pequenos pedaços de palitinhos quebrados
3- não fazer bolinhas de miolo de pão
4- não falar de ex namorados
5- não falar da mãe
6- não falar sem parar
7- não escrever um texto sobre isso

(quase!) "


Eu estou quase virando mulher, só faltam os dois últimos itens !