D'propósito

31 de maio de 2011

Cheiro do passado

Passado, mantenha à distância! Foi o que Estela pensou quando as noites de sono perderam sua paz e as manhãs pediam o gosto do café amargo dele. Ela gostava da idéia do que viveram juntos, desejou e aceitou começar de novo até perceber que a história deles nunca havia terminado, tampouco começado. Foi o que ele justificou sobre o que acontecera quando ela, ainda apaixonada, decidiu ir embora e ele permitiu sem fazer escândalo ou esforço pra não deixar. Ele justificou sobre o passado com a mesma naturalidade que troca de canal sem pedir licença e passa lentamente a margarina no pão.

A história não existiu. O passado tinha sido corriqueiro, só mais uma relação talvez, concluiu Estela, que um dia acreditou e viveu pelos dois, quando ele, provavelmente, simulou a importância do que não foi. Estela que nunca foi de implorar amor e talvez só fosse uma grande contadora de história da própria vida, terminou o café, lavou a louça e disse:

- Eu ia continuar o que nunca houve. Obrigada por me usar e avisar.

E foi embora, sem bater as portas e sem voltar atrás, mesmo com o pedido dele pra ficar, pra esperar.

E foi no caminho pro futuro que Estela descobriu que o pior não é ser usada, mas saber que foi mais insignificante do que imaginou.


5 comentários:

allne. disse...

Nossa a Estela voltou.....

C. Dayan: disse...

Voltou sim, e ela já voltou no post "Deleite" Desce mais, neguinha e leia mais :)

felepe disse...

estela volta, eulírico também, que é que ta te motivando, dayan?

C. Dayan: disse...

Tô motivada por saber que todas as coisas, pessoas, fases e momentos ruins estão passando. Eu só escrevo quando existe um bocado de alegria reservada.

cecilia disse...

É Estela descobriu que era insignificante, mas será todos nós somos insignificantes? acho que no fundo somos um pouco.
Adorei a música e adorei saber que meu nome foi da personagem que vc escreveu (:
aah tô vendo ali que tem seu twitter, vou até seguir lá.
Paz e Morangos pra ti!