25 de setembro de 2009

Ela, a inspiração


Eu tenho deixado a inspiração muito de lado, essa tem sido a sua reclamação. Mas eu faço minha parte, porque quando ela chega eu peço pra esperar, não circular muito pra não espairecer. Mas não, normalmente ela, a inspiração, apressada do jeito que só é, vem sem avisar e vai embora na mesma ansiedade. A danada não entende que não é sempre que posso pegar o papel e a caneta, muito menos bater os dedos no teclado. Aí pra não achar que faço pouco caso ou sou deselegante, já que não quer ficar, peço pra inspiração deixar recado, nem que for anotado em um post-it pra eu não esquecer. Mas pretensiosa do jeito dela diz:


- Ou se serve de mim agora ou vou flanar em outras ideias.

E ela não blefa, eu não dou ouvidos nem dedos para anotar, logo a inspiração não deixa post-it pra eu me inspirar ou lembrar. E ela vai vai embora mesmo.



A inspiração, como um sonho, acontece. Às vezes a gente lembra, às vezes, não. E Depois que ela veio, passou e não ficou, tenho a sensação de que a inspiração é reflexo de mais uma tentativa, em quase nada.

20 de setembro de 2009

A nossa infância e ao seu aniversário


Eu sempre ouvia dizer que o tempo passava rápido demais, até os meus 14 anos eu achava isso um mito. As tardes eram longas e os dias se arrastavam para que chegassem o meu próximo aniversário e com isso os desejados 18 anos. E hoje, com um pé e meio nos 21, eu tenho a certeza de que o tempo passou realmente rápido e a minha pressa em crescer, provavelmente, foi a maior burrice de todas que eu já cometi e as que eu ainda nem fiz.

Mas da minha vontade de crescer, fica a realização na minha boa memória e infância que tive, porque há exatos 16 anos eu me lembro de como tudo era lindo e fácil. Não que agora seja feio ou muito difícil, mas é que após 16 anos tudo fica mais delicado. E os problemas não são os números e sim o tempo. Não tenho nada contra esses algarismos que definem as datas, as horas e o passado; apesar de poucas vezes terem me ajudado em tempos de escola. O contrário, sempre me deixaram no sufoco, mas ainda assim gosto deles, principalmente dos números pares, porque há exatos 16 anos eu entrevistava pela primeira vez uma pessoa, sem saber exatamente que dali um pouco mais de uma década estaria eu, novamente, com o microfone em mãos ou um gravador.

A inesquecível, gravada e primeira entrevista não foi com nenhuma estrela ou celebridade, mas era com alguém que estreava todos os dias na minha divertida infância e acreditava em mim.
Com uma voz infantil, no entanto, rouca e até evoluída para pouca idade, eu já demonstrava aptidão pela comunicação, se me permitem a falta de modéstia. Começando por meu entrevistado acanhado, de poucas palavras que tive de conquistar durante a entrevista e acabei perdendo o carisma dele depois de alguns anos.

O cara era três anos mais velho do que eu, mas apesar da sua timidez mostrava talento pela narração de jogos de futebol. Ele até cogitou após uns 15 anos ir para jornalismo, mas o destino o levou para outro lado e o mesmo que o desviou do caminho deu-me de presente a comunicação, que era dele e acrescentou à minha.

Hoje eu faço jornalismo e mal podia imaginar que o meu irmão de anos atrás tivesse sido a influência de ser e estar onde estou. Ainda hoje ele continua sendo o meu irmão, ao menos é o sangue que nos une, no entanto, hoje ele não acredita tanto no meu talento ou no meu esforço. Ele é um burguês que me vê apenas como uma garota pequena-burguesa que não sabe ganhar dinheiro.

E ele tem toda razão, sou pequena-burguesa e não sei mesmo ganhar dinheiro. Faço jornalismo ! Ele conseguiu a tempo mudar sua aptidão de humanas para exatas e hoje fatura o que acha mais importante: o dinheiro.

E é faturando notas verdinhas que hoje ele também fatura mais um ano de vida, sem mudar muito sua personalidade de 15 ou 16 anos atrás, me olhando e me chamando todos os dias de baiana. E eu acho o maior elogio.

E ainda insatisfeito ele resmunga sobre meus gostos musicais, sobre minhas roupas e debate que eu não contribuo em nada para a economia do País e também não faço diferença na imprensa. Mas antes de ter o valor de uma massa maior, o que seria fundamentalmente importante é ter a estima que foi depositada há anos, e a gargalhada infindável da minha mãe ao ouvir a gravação, com minhas meias palavras de meus quatro anos de idade.

De fato, eu posso não ter colaborado em nada para a economia do País, nem para a imprensa, mas eu já acho satisfatório ele ter contribuído com a minha formação e escolha da profissão que paga mal, mas que eu adoro. Até porque, eu só sei fazer isso e fora isso só sobram os meus gostos adversos aos dele, e a entrevista que ta gravada na memória e foi gravado no meu primeiro Gradiente, em uma fita colorida, nos meus quatro anos de idade e no seu aniversário.

ps. é, sou eu mesma. Essa coisa gorda, estranha e cabeluda sou eu. Eu tenho/tinha cabelos cacheados. E se tivesse a cabeça de hoje e não de quando alisei minhas madeixas pela primeira vez - influênciada pela minha mãe - eu nunca teria feito, mas agora pra deixar o natural é preciso raspar a cabeça. Bem, mas isso é assunto pra outro post.

17 de setembro de 2009

Vazio Agudo

No momento cansei de escrever pro livro e vou me divertir um pouco navegando na internet.

Hoje, depois de dias e dias sem conversar com @thafelicio, minha amiga de longe e perto, ela me perguntou como eu estava. E todo mundo pergunta isso todos os dias e a gente sempre responde, “tudo bem!”.

Mas pra ela posso dizer que mais ou menos e, na verdade, quem responde melhor e por mim é Leminski e o vídeo inspirado na obra do poeta, que rolou na mostra mineira do ano passado.





vazio

agudo
ando
meio

cheio de tudo.

16 de setembro de 2009

Eulírico na madrugada

- Camila !
- Eulírico ! Que bons ventos te trazem aqui ?
- Bons ventos, na verdade, nenhum. Tô muito chateado e bravo com você.
- Mas o que foi que eu fiz agora ?
- É o que você não fez.
- Se eu não fiz é melhor do que ter feito mal, certo ?
- Errado !
- Eu discordo.
- Então vê se você concorda comigo e diz se é certo desaparecer e não escrever mais nesse abandonado blog.
- Abandonado, não. De vez em quando tem twittada minha aí ao lado, no Minuto a Minuto.
- Isso não faz o blog atualizado !
- Concordo, isso eu concordo.
- E aí o teu sumiço faz leitores escreverem e reclamarem. E eu pergunto, o que eu, Eulírico, que já fui muito mais presente nesse espaço digo e respondo aos poucos fiéis que questionam se é D’propósito ?
- Não. D’propósito, não é. É que agora, Eulírico minhas noites e palavras estão dedicadas ao livro reportagem. O TCC, saca ?
- Saco, e que saco ! Mas qual é a chatice do momento ?
- Essa discussão sobre industria fonográfica, artistas independentes e blá, blá, blá.
- Sua vontade me surpreende.
- É a minha vontade de não fazer nada. E eu queria saber como chama a vontade de largar tudo, ir morar no meio do mato, em outro estado ou em outro país, bem longe, pra ficar quase sem comunicação.
- Esse sintôma chama-se TCC.
- Isso não é mais sintôma, é doença. E deve ter mais um nome, mas TCC já qualifica a minha vontade de ir viver no meio do mato.
- Se você for avisa antes, Camila.
- Aviso ! E também aviso que agora eu vou, voltar a escrever, para o livro.
-Vá, e quando der apareça !
- Já vim. Fui e sumi.

10 de setembro de 2009

Clarividente

Os olhos. Foi onde parei primeiro em você. Depois os meus olhos correram pelo resto do seu corpo, mas voltei para os olhos, os seus olhos verde sutis, e às vezes brando em tom de esmeralda feliz. E você vai me perguntar como são olhos de esmeralda feliz ! É quando você sorri comigo, ou sorri pra mim e até de mim. São os seus olhos felizes que brilham.

E depois dos seus olhos fiquei pelo cheiro, que sentia a sete mil léguas de distância e agora eu sinto em mim, a centímetros, sutilmente após o abraço apertado, o beijo demorado - e quando não escondido, e de toda vez que você fica e eu fico acreditando nessa conexão internacional que nos liga. E é pelo cheiro, pelo olhar, pelo sorriso, toque e sensibilidade que eu me arrisco na sua cultura, no seu país, nos seus segredos, no seu tempo e aposto em você. Torcendo pra que você ganhe e eu também. E apesar da ansiedade juvenil meu jogo não exige tempo, nem torcida organizada pra acompanhar a jogatina. Eu só preciso de um campo onde caiba você, eu e o nosso segredo.










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Música minha composta antes do texto; voz e violão Roberta Campos , claro !

4 de setembro de 2009

autoconfiança


Eu achei que confiança, ou melhor, autoconfiança era bom. Até me dizerem que eu estava confiante demais e o problemas era esse.
E demais a mais minha confiança (excedida) foi medida a mal
Vou voltar pra minha insegurança habitual.
Se for, melhor assim.

25 de agosto de 2009

Sem querer

A gente escorrega e cai sem querer - eu nunca vi ninguém provocar o próprio tombo pro riso do outro. A não ser o palhaço, que faz isso pra causar o riso e não tem graça nenhuma. A gente também esquece a chave sem querer ou esquece de deixar a chave e alguém fica pra fora. A gente, na maioria das vezes, esbarra e machuca o outro sem querer. A gente se encontra sem querer e se apaixona sem querer. A gente fala sem querer, gasta sem querer e perde a hora sem querer. A gente sem querer, arruma um propósito pra querer. Eu quis e fiz. E, agora, só há uma coisa que não é sem querer....



e quando te perguntarem se você fez de propósito, agora, tem a resposta. E guarde-a na ponta da língua ;c)



Tá chegando, D'propositados. A festa é sexta-feira, com show de Roberta Campos e Seis Sextos. Apareçam !

17 de agosto de 2009

Auto-estrada


Estela sabia que os passos estavam errados e o caminho era incerto. Mas na estrada pouco pavimentada que já caminhara ela conhecia as pedras e os buracos. Já havia estourado os pneus e se machucado tentando trocá-los. Desistiu da maior invenção do homem. Deixou as rodas largadas no meio da estrada e o carro parado com os vidros abertos e as portas destravadas.

Continuou, caminhou, pediu carona, se perdeu e acabou no mesmo lugar. Ao invés de seguir em frente Estela andou em círculo, feito a roda que largara no meio do caminho. Mas agora os pneus não estavam mais jogados na estrada, estavam devidamente colocados no automóvel que a esperava para guiá-lo. Tudo estava lá, do mesmo jeito; o toca fitas, o mapa, o macaco, o violão e sua cruel desilusão.

A nostalgia foi aparente, sentou-se no banco do motorista, encostou a cabeça no volante e pensou durante horas na música que o rádio reservava entre Noel, Cartola e Geraldo Pereira. Quando o silêncio dominou, ela levantou a cabeça e ligou o motor, que roncava alto feito a cuíca no samba. A gasolina estava pelo fim e os pára-brisas quebrados. Por um minuto pensou em desistir e voltar atrás, pegar o caminho de retorno. Mas Estela não quis ser fraca e voltar sem boas histórias para contar. Decidiu prosseguir, mesmo sabendo que podia se machucar e sofrer de novo as mesmas moléstias do difícil caminho.

Ela sentia o frio do arrependimento chegando a qualquer momento, como o vento que desgrenhava seus cabelos, no entanto, Estela achava que seguir em frente era a melhor escolha. Porque a estrada era a escola que ela precisava aprender a ser. Ser livre e só de viver, ainda que com o risco do pesar de tudo o que viria depois. Porque fora isso, ou além disso, haveria no mínimo histórias a serem contadas. E Era isso que Estela buscava: histórias e nada mais.

14 de agosto de 2009

Inconfesso desejo

Não compreendo a fundo a filosofia, mas no raso eu até me arrisco. Gosto da resposta pronta que algum filósofo fez o favor de pensar e responder pra mim, que penso, penso e não sou filósofa.
E nessa presunção de-quase-entendo é que descubro entre possibilidades e verdades nas teorias de Freud e Schopenhauer, a razão e a vontade originada em mim, nos meus personagens, nos meus anseios mal resolvidos e da consciência limitada, claro. Mas isso não vai virar papo de filósofo, a introdução é só pra esclarecer uma coisa clara: os (meus) sonhos.

Naturalmente alguns sonhos não têm lógica nenhuma, e exige um estudo além do que tenho vontade de pensar/estudar agora. Mas quero falar do quase devaneio que rondam repetidas noites de sono.

É praticamente um desabafo, nada como Sophie Calle, mas de alguém, como uma apaixonada, que luta pra ter o mínimo de orgulho e se automedica de vergonha na cara e amor-próprio pra não ter qualquer tipo de recaída, a não ser que você caia primeiro. Caia na minha armação de não estar nem aí pro seu silêncio, caia sobre o meu sumiço, ou finalmente caia sobre mim. Por que esse meu papel de “eu nunca te amei, idiota” como cantou Ana Carolina em mais uma de suas canções populares, não serve pra eu cantar no meu karaokê, nem no chuveiro. E o fato de eu te ver e não poder falar com você é sempre um soco no estomago que sobe até jugular (eu esperei anos pra poder usar essa palavra, que aprendi quando criança vendo rei leão) e fica guardada a vontade de pelo menos dar aquele abraço demorado de quase-amigos ou o seu sorriso zombando de qualquer atitude ridícula minha.


E é por isso, por guardar tanta vontade que sonho repetidas noites com você e ao abrir os olhos e levantar para o dia a primeira coisa que me vem a cabeça é você, porque mesmo sem querer eu passei a noite toda com a sua imagem e presença que são tantas. E se eu faço força e não entendo a minha resistência, ou a sua, Freud explica o sonho enquanto matéria-prima e produção humana do cérebro como nada mais do que a atividade do nosso inconsciente. Ou seja, sonhar com você é a forma do meu inconsciente satisfazer sua ausência, que você quando perto, bem perto de mim, revelava a mim a vontade da vida humana de oscilar entre a ânsia de ter e o tédio de possuir, como Schopenhauer explica em teorias bem mais extensas.
E no meu (in)confesso desejo eu despejo palavras e no meu inconsciente eu realizo vontades. Se é que se pode chamar de realização. E me esforço pra por em prática a hábil lição de que calar é estratégico, já que escrevendo é um alivio inevitável.

E é assim, quando te quero não consigo ter, quando não quero, não consigo esquecer.

10 de agosto de 2009

Mote

o acaso faz parte do destino que você reservou pra mim
e isso é tudo, ou quase
pra que eu compreenda
que tudo tem
um
fim.


.e um outro começo.

9 de agosto de 2009

A coisa da paternidade

Filho da mãe todo mundo é, ser filho do pai que é o problema. Na verdade é quase um enigma. Certamente pai e mãe todo mundo tem, afinal, somos o projeto da relação entre os seres que às vezes nos fazem sem querer, outras vezes desejam muito e algumas situações há uma confusão de pais. Mães enlouquecidas com a diversidade de homens que disponibilizam-se a maternidade e prende um a paternidade.

Dependendo da escolha ou, de repente, de ter sido escolhido pela mulher, no caso a mãe, o pai leva título de pai. Às vezes de fato não o é, ou pelo menos não foi ele quem o fez. Mas como o povo canta por aí, "Pai é mesmo quem cria.”
E cria mesmo. Recria, põe cria, faz cria e não pia. Assovia. Pai de sangue, pai de criação, pai de consideração, pai ao quadrado, pai entoado, pai valentão, pai amedrontado, pai engraçado, pai, pai, pai pra sempre um homão.

Diferente de mãe que é tudo igual e só muda de endereço, pai é tudo diferente, ainda que resida na mesma morada. Sem as declarações cotidianas de que mãe é uma só; pai também é um só, é único. Desde quando o chama de pai.

__________________________________________________

-Paii....
-Quê?
-Vamos jogar bola?
-Camila, você é menina.
-Eu sei, vamos jogar?
-Então, pra aquecer vamos jogar uma partida de vídeo-game?
-Eita pai, depois reclama que está gordinho. Mas eu fico com o controle 1.





Oficialmente hoje é o aniversário do D'propósito, essa cria sem pai. O ano passado, nesta mesma data, escrevi aqui tudo sobre o meu rebento, lhe dando os parabéns pela existência e contando os detalhes do dia em que eu o pari. Hoje o D'propósito faz vida, dois anos respirando cotidiano e inspirando palavra, poesia, ficção e casos do dia a dia. E mais do que o aniversário de hoje, essa é a postagem número 300 deste blog que adora festejar, e como já anunciei, a comemoração será dia 28/08 como mostra o convite ao lado, ou também, em posts abaixo.
Então, até lá.

Axé, saravá, sorrisos largos e amem.

8 de agosto de 2009

Amor barata.

É barata mesmo, não é barato não. Descobri dias atrás sobre o amor que você pisa, pisa, pisa tanto, que sai meleca
.
.
.
.
Eca.

ps. O aniversário do D'propósito está chegando, a festa é dia 28 deste mesmíssimo mês. Então, não vai perder !

6 de agosto de 2009

Que seja eterno enquanto dure

A pedidos de agora e de antes eu decidi escrever sobre o velho e moderno matrimonio. É, o casamento e de preferência com festa. Seja na igreja, ou na capela, de dia ou de noite, no campo ou no jóquei club a finalidade é uma só: satisfazer a vontade da mulher de se vestir e ter o dia de noiva, mostrar o contrato assinado e a nova posse adquirida para a sociedade e, naturalmente, com tudo isso, gastar dinheiro. O casamento, como tantas outras festas, é feito para os outros.

Diz-me, de coração, você caro leitor casado que fez festa de casamento, o quanto se divertiu e aproveitou ? Isso proporcional ao valor gasto. Está certo, isso parece meio mesquinho. Talvez seja. Ou coisa de mulher desiludida, o que não é, não. Mas explico.

Casamento, é uma ocasião feliz, por menos ou mais amor que possa haver entre os noivos a intenção é boa. Reúne a família e você conhece primos que não sabia que tinha, revê amigos e as desesperadas fazem piadas de sua própria solteirice e morrem de inveja de ainda não ter um cara possível para arrastar para o altar.

Em minhas poucas duas décadas de vida até hoje só vi mulher desesperada pra casar. Nunca vi um homem realmente animado com o matrimonio. Tem noivo que até acha legal, mas no fundo, já que é pra viver junto, preferia começar a morar junto e pronto. Sem precisar de arroz de festa e buffet para 500 convidados. Mas a vontade é da noiva, e no final, com charme, autoridade ou renda fixa mais alta, a mulher é que manda, isso quando o cara não foge da luta do matrimonio ao ter o seu amor pedindo/ exigindo o casamento.

Quando era uma aprendiz de mulherzinha, menor do que sou hoje, isso lá pelos 16 anos, uma professora me dizia.

- Meu casamento, como todos os outros, é um contrato.

Aquilo me intrigou de uma maneira que respondi com toda a sinceridade,

- Já que é só um contrato, por que não separa ?
- No dia que eu me casei eu assinei um contrato, com clausulas, como qualquer outro contrato. No entanto, isso não significa que eu seja infeliz.

Eu achava aquilo muito contraditório, era a frieza de um acordo X a paixão e o amor, ou como for o sentimento que faz duas pessoas se unirem no ‘para sempre’.
Mas depois, ponderando, raciocinado e comparando as relações humanas, pensei: o que não é o amor e a paixão, ou qualquer sentimento que valha, senão um acordo. Sempre em toda relação existe um acordo, nada que precise de um papel e uma caneta para comprovar. Bastam olhos, bocas, palavras e confiança pra criar as cláusulas de um contrato que é feito naturalmente.

Padre, igreja, juramento e festa é o costume que a sociedade religiosa impôs e perpetuou nas gerações, principalmente no gênero feminino. Mas isso tudo, hoje em dia, com os casamentos modernos, o matrimonio de padre-igreja-juramamento-festa está mais pra fetiche de posse, do que pra tradição eternizada.

Mas isso não é uma total crítica aos casamentos e casados, porque eu como uma boa mulherzinha admito que desejo casar com direito a tudo e mais um pouco. Muito pela festa, é claro. Mas na vontade do matrimonio não sei se quero ter só um marido, por um motivo simples: acho que o pra sempre é tempo demais. Prefiro acreditar no Vinicius de Moraes, em Soneto de Separação ao eternizar escrevendo “posto que é chama, que seja eterno enquanto dure”.

E que assim seja, eterno, enquanto dure.


Eis aqui um vídeo que já rodou a internet de um casamento bem diferente e dançante, eu diria.

30 de julho de 2009

Eu sou legal e tô te dando mole

Apesar de pouco diário, minha retina, tímpanos e antena se mantém ligados para o cotidiano vim parar aqui. E conversa dos outros eu escuto mesmo, principalmente quando o transporte é público, a história também é. Então tá certo. Foi numa conversa entre amigos já iniciada que cheguei e me autorizei ouvir a garota que fazia uma reclamação para o amigo, procurando respostas. E, no fundo, às vezes, um homem pode ajudar mais que dez amigas juntas. Mesmo que seja para alimentar o ego.


E foi no balanço do metrô que a menina, balançada por alguma paixãozinha, com pouca esperança e bastante indignada, indaga:


- Eu sou legal, informada, descolada e não sou burra. Porque ainda assim os caras só querem me comer ?


E o amigo com muita naturalidade responde:


- Porque você é legal e linda.

- Ok, eu tenho espelho em casa...


ele ri, e ela continua.


... Mas se eu sou legal eles podiam me levar mais a sério, não ?


E realmente sério ele responde.


- Ah, sim. Isso sem dúvidas.


E quase brava e bastante expressiva ela debate.


- Então, eu não entendo porque não me levam a sério, eu não entendo, não entendo mesmo !

- Mas a culpa não é sua, são dos homens...

- Eu sei ! Mas quem perde sou eu...

- Que nada, é só você não liberar.

- Também acho, mas da mesma forma que eu não libero, eu fico e continuo solteira, e não é solteira por estar solteira que falo, quando digo solteira é meses a fio sem... você me entende!

- Tá certo, quer namorar comigo ? Eu sou legal também.


E como todo homem faria depois desse pedido/cantada ele riu quase que encantadoramente e ela o lembrou.


- Leo, você é casado !

- Ah, é.



A minha estação chegou e, por ela, em pensamento eu respondi, “homens...”

Do dilema que a garota vive outras tantas e milhões também passam. E mesmo respondendo ironicamente em pensamento, acho mesmo que eles são parecidos, mas não são iguais, então, não dá pra usar de um único método com todos. A alternativa pra viver é correr o risco, seja cedendo ou ‘não liberando’, como disse o tal Leo.




27 de julho de 2009

Força de vontade


Pensar é algo que me custa força. E eu não falo de esforço físico ou energia.Falo do que é pensar em qualquer coisa que não seja em você.

26 de julho de 2009

Caso bipolar

Alguém chame um médico
Temos um caso de amor bipolar
Estou presa em uma montanha russa
E não consigo descer
Você muda de idéia
Como uma garota troca de roupas

Katy Perry

25 de julho de 2009

Olha a barriguinha

Quando eu tinha que gostar de vestido e saia, eu gostava só de calça e shorts, com medo de mostrar as ‘cocinhas’, como conta minha mãe quando eu tentava dizer calcinha, ainda com três ou quatro anos. Quando era pra eu gostar de bonecas, eu amava jogar bola e videogame, mas me frustrei mesmo foi em nunca ter conseguido rodar um pião decentemente. Quando as meninas do colégio começaram a namorar, eu ainda jogava bola. Enquanto elas se maquiavam eu comecei adquirir a ideia de trocar de brincos frequentemente. Enquanto as meninas só tinham amigas mulheres, eu já tinha amigos homens heteros e gays. Enquanto as mulheres gostam de homens quase-perfeitos, barriga e corpo em ordem, eu gostei dos gordinhos, sem preconceito nenhum. Talvez eu tenha passado maior parte da vida andando na contramão, mas eu me encontrei mesmo foi no vídeo abaixo, que minha pior-melhor-amiga @allineee e eu rimos até doer à barriga. Muito talvez por termos nos identificado cada um com seu personagem. E ainda êxtase eu disse:

- Meu, quando eu morrer põe esse vídeo no meu enterro para as pessoas rirem.

Ela ficou brava e desligou o telefone. Então se eu morrer e ela não fizer isso, alguém faz por mim. E quanto ao vídeo talvez não seja TÃO engraçado assim, mas ele é tosco, e eu também sempre adorei as coisas toscas, até quando as meninas gostavam das coisas bonitinhas.

21 de julho de 2009

É festa, de novo !

Tem festa do pijama, festa à fantasia, do farol, junina, da firma e do blog ! É, isso mesmo. Sempre que digo para as pessoas que estou fazendo, de novo, a festa do blog, eu escuto:

- Mas festa de aniversário de blog ?


Eu também nunca vi, por isso que criei, acho. Uaérevaa. O importante é que tem festa, e como na Bahia e a alma da autora que vos escreve, arranjei mais um motivo pra festejar e escrever. Por que a festa também é D'propósito para não deixar o caderno em branco. Por isso a gente faz festa e escreve fanzine, prepara show, convida poeta e canta com a Roberta. Eita que até rimou, e isso tá parecendo anúncio de Marcelino Freire, que pra ele também não vai faltar convite.

Mas além de Roberta Campos, tem mais. Tem seis pretextos para a tristeza não se exercer com o samba e choro de Seis Sextos, banda das bandas de Vinicius, Cartola, Bezerra, Vanzolini e outros do morro e do asfalto carioca, paulista e baiano.


E não é só, Dandy - o poeta cantador, vai dar o ar da sua graça e poesia. Ai que tem muita coisa esse ano. A festa será fechada, única e exclusiva para o D' propósito, mas aberta para quem quiser chegar, por que assim como o blog, as portas e janelas estão sempre abertas, é chegar e ficar à vontade. A festa é nossa, porque eu não escrevo pra ninguém.


Axé, saravá, sorrisos largos e até lá. Amem.

Aqui o convite com todas as informações úteis e necessárias. Clique na imagem para ver maior.

ps. e eu não preciso dizer a você, anônimo, leitor que eu não conheço, leitor que não deixa comentário, leitor de outro estado, de outro páis e leitor amigo que estão todos, de todos os cantos, convidados. E quem não é leitor e está aqui pela primeira vez também. :)

19 de julho de 2009

Condição

Eu só volto pra você se for pra ficar.
Se for pra ir e voltar, de novo, como movimentos repetidos, eu não volto.
Então, só retorne com uma condição:
a de não me deixar, mais uma vez, só e só de paixão.



15 de julho de 2009

Lugar na mesa

Acho que nunca reclamei antes, mas como a maioria das pessoas eu odeio praça de alimentação lotada. Não, na verdade eu odeio praça de alimentação. Prefiro um lugar fechado, um restaurante e, também, de preferência, que não esteja lotado. Desde que comecei a me achar gente grande notei meu espírito de velha, e com o tempo, com os amigos, os casos, desamores e companhias mais velhas, essa minha preterição a muvuca, praça de alimentação, restaurantes abarrotados e ambientes do gênero só acentuou.


Lugar onde dividir cada metro quadrado de chão e mesa é precioso, é no boteco.Claro, só o boteco permite o desconforto, a risada da mesa ao lado que atravessa e mistura-se com a sua, a demora pela porção e a rapidez e qualidade da cerveja gelada. Boteco não tem frescura, qualquer tema é assunto pra manga, todo papo é bem vindo e, na maioria das vezes, sacanagem é a pauta principal. Boteco é hobby pra se dividir com os amigos e filosofar sobre o que não vemos sem algumas doses de álcool.


O bar é o ambiente onde as metáforas se encontram e metaforizar, nesse caso, é o resultado do preenchimento de um caderno em branco, ou a visão de um olho dilatado. Entre um boteco e outro foi que reparei porque não gostava da muvuca da praça de alimentação e a fila de espera de um restaurante. As mesas ocupadas, como a vida e as relações, são espaços já preenchidos.

Eu não sei dizer quais mesas são melhores, ou acentos mais confortáveis, mas disputar lugar ou uma brecha na mesa, pra qualquer que seja a refeição, eu nunca gostei. O jogo da disputa, ou a paciência de esperar nunca coube a minha fome desenfreada de comer antes que a comida esfrie, ou o apetite passe. Assim como num restaurante cheio, quando a mesa está ocupada eu vou ao restaurante da frente ou no boteco ao lado, até encontrar o ambiente, a mesa e o acento vazio, sem precisar dividir.

Talvez seja egoísta ou egocêntrica demais, mas gosto de espaços desocupados, que são preenchidos só por mim, sem precisar tirar ou competir com ninguém. Eu só sento em uma mesa ocupada quando me convidam e ainda assim, peço licença.

Procuro mesa vazia pra não pleitear atenção, pra ter certeza do que pode ser meu. Já dividi mesa, talher, bebida e alegria com estranhos por muito tempo e por falta de espaço. Agora, eu quero uma mesa só pra mim, e de preferência, com muitos acentos, para todos que forem chegando.

10 de julho de 2009

O verdadeiro apaixonado

Para a amiga que precisa



Nós os apaixonados, e não falo dos apaixonados que se recuperam na primeira noite ou segunda semana. Descrevo os loucamente apaixonados, os viciados nesse afeto violento, ardente e viciante, que a cada dose o corpo é tomado pelo efeito de acreditar cegamente. De ver beleza na completa imperfeição, de experimentar o amargo acreditando no futuro tão planejado, e de desejar que todo dia seja o primeiro, como a sensação da novidade do peito pulsando forte no primeiro beijo, no primeiro toque, no primeiro olhar, até a última risada.


Os verdadeiros apaixonados se drogam desse afeto sem medo do efeito. Olham pro infinito e têm a felicidade instantânea. E como o infinito é muito longe, o ‘pra sempre’ é demais e o ‘nunca’ é muito tempo, um apaixonado só se torna um verdadeiro apaixonado quando é deixado pelo amor da sua vida. Não, não é exagero, o verdadeiro apaixonado gosta, seduz e ama como se fosse o último e o primeiro. Sobrevive na dor que dá no peito e estende por todo o corpo. A única parte resistente à dor é o fio do cabelo que está morto e não dói quando cai.


Um verdadeiro apaixonado como um dependente químico não é capaz de largar sua droga se não houver tratamento, se não for medicado por doses fortes de alegria, injeção de novidade e companhia de amigos. Um verdadeiro apaixonado passa por um longo tratamento, mas como um bom e grande apaixonado logo se vicia de novo, pra deixar de ser um ser vivente e então viver, de novo, intensamente a paixão que não será a última nem a primeira.

30 de junho de 2009

A seta e o alvo

Na brincadeira de caça e caçador Celeste acabou na jogatina de procurá-lo em outros homens, em outros amores. Procura, faz teste, seleciona, crê que encontra, se engana e não acha ninguém com o talento de seduzir pela fala, de ser engraçado com a piada sem graça, de ser o músico meia-boca-de-mão-cheia, de ser chato, insuportável e mesmo assim amável. Celeste o procura em alguém, e nele ela se encontra. Mas para contrariar, ele sempre se perde na linha paralela oposta a dela. Nunca compreendeu exatamente a matemática e a geometria, mas se lembra bem que linhas paralelas não se cruzam, e acredita mesmo, que o esbarrão foi só um erro do traço de quem escreveu e desenhou a seta como a reta, e o alvo como ela.





Voz e violão de Roberta Campos! E aguardem a moça na festa de dois anos do D'propósito.

28 de junho de 2009

Black or White



Quando era pequena me intrigava saber por que minha avó era preta e eu era branca. Isso se minha cor-amarelo-miojo pode ser considerada branca. Naturalmente descobri depois que a nossa raça era uma questão de gêneses. Mas o que me deixou mais intrigada ainda foi lá pelos cinco anos, quando descobri que o Michael Jackson não era um branco-café-com-leite como eu o conheci, e sim preto! Eu sabia que a minha diferença para minha avó era de gênese e o dele nunca consegui saber qual foi o tratamento ao certo que clareava a pele daquele moreno cheio de gingado negro. Minha mãe dizia que era o vitiligo, doença que despigmenta e clareia a pele com manchas. Mas eu nunca vi vitiligo que manchasse por inteiro, como aconteceu com Michael.

Meu pai,na época, um colecionador de LP’s e fã do rei do pop, tinha alguns discos do astro que marcou minha infância e a do meu irmão branco, mas que sempre apelidado de negão, pelo nariz e boca grande. Ou seja, a mistura do preto e o branco estiveram presentes na minha infância, com a minha avó, o Michael e meu irmão. Três figuras que passaram tardes inteiras comigo.
Enquanto Michael Jackson rodava na vitrola, meu irmão e eu brincávamos de imitar a figura mais polêmica do pop, com o passo Moon Walk, aquela em ele desliza os pés no chão e anda para trás. Sem falar nos gritinhos “au!”, “Ooh” (não sou muito boa para onomatopéias) e claro, aquela pegada na região intima, que nele fica até sexy. A música Black or White marcou boa parte da minha infância e a convivência com o meu pai.

Quinta, no final da tarde, quando começou a se falar no falecimento de Michael Jackson na redação da TV Cultura, eu achei que era piada, até ver na CNN. Ele era o tipo de figura que parecia imortal. Na hora, eu não fiquei chocada com a morte dele, a ficha começou a cair agora, dias depois com todos esses especiais que estão passando na TV.

Ainda que todo o clareiamento da pele tenha sido só pelo vitiligo, ou ainda que ele tenha insistido pela mudança de cor e raça, o sangue e o gingado preto corria na sua veia, e não há vitiligo, cirurgia plástica ou remédio que tire o suing de um preto. Há pouco mais de um mês entrevistando Patrícia Palumbo ela disse que, “ninguém faz música como os pretos” e eu concordo.

Em todo lugar já foi escrito, falado e comprovado que o popstar mudou a forma de se fazer videoclipe, de se fazer à música pop. Na canção que dá título a este post, Michael Jackson cantou que ‘não importa se você é preto ou branco’ e dentro do artista que ele foi, com o legado que deixou para música pop e deixando as extravagâncias e escândalos pessoais de lado, não importa se Michael foi preto ou branco, ele fez a sua história como artista e tem para sempre o posto de rei do pop.


22 de junho de 2009

apenas o fim

"Tudo terminou ontem e parece que hoje somos apenas dois desconhecidos que dividiram a mesma cama"





Frase adaptada e inspirada no filme de Matheus Souza ". apenas o fim."

Adiante

foto: Thiago Santana



Não fique pensando em mim, que mesmo distante, eu consigo sentir o seu desejo de voltar. E voltar, nesse caso, é dar um passo para trás. E na minha vida a marcha ré não engata.
Agora mesmo vou de bicicleta, e não me chame, não me tire a atenção. Olhar para frente é o único modo de não desequilibrar.